Melhora na sobrevida em vítimas de morte súbita por paragem cardiorrespiratória (PCR)

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Melhora na sobrevida em vítimas de morte súbita por parada cardiorrespiratória (PCR)

Especialistas em ressuscitação cardiopulmonar estão animados com recentes relatórios que demonstram a melhora da sobrevida em vítimas de morte súbita por parada cardiorrespiratória (PCR). Tais resultados estão relacionados com a ênfase na promoção de fluxo sangüíneo promovido pelo guidelines 2005 e diversos relatórios individuais do sistema médico de emergência (SME). ‘1,2’ Socorristas leigos das comunidades, serviços médicos de emergência e hospitais centrais devem coordenar esforços para continuar a melhora da sobrevida em vítimas de morte súbita por PCR. Pessoas leigas podem desempenhar um papel importante salvando centenas de vidas. Indivíduos leigos são, tipicamente, os primeiros a reconhecerem um evento de PCR, ativar o serviço médico de emergência, providenciar um desfibrilador externo automático (DEA) e executar ressuscitação cardiopulmonar (RCP) até a chegada do suporte avançado.
Entre estas ações, a RCP executada por um socorrista leigo tem o papel principal. Contudo, há boas e más notícias a respeito da RCP por circunstante (pessoa presente no local). A boa notícia é que a RCP por circunstante pode mais que dobrar resultados de sobrevivência, particularmente, em casos que a PCR é testemunhada.’3-4′ A má notícia é que a pessoa leiga realiza RCP de imediato para apenas 1 de cada 3 vítimas de PCR.’3-5′ Assim, devemos compreender e superar as barreiras que impossibilitam que mais vítimas recebem RCP de circunstante.
Barreiras para aplicação de RCP por leigos
RCP por circunstante é convencionalmente definida como realização de boca-a-boca e compressões torácicas executadas por alguém que não faz parte de um sistema de resposta organizada. Freqüentemente a única pessoa disponível em um evento de PCR no ambiente fora do hospital é uma pessoa leiga que pouco conhece sobre atendimento de emergência. Diversas barreiras para a realização da RCP por circunstantes foram propostas na base de perspectivas de entrevistas, incluindo:
1. Medo de transmissão de doenças durante a execução da ventilação boca-a-boca’6’e
2. Ajustar-se a complexidade da habilidade que pode ser difícil de ensinar, aprender, recordar e executar.
As entrevistas com circunstantes reais que presenciaram um evento de parada cardiorrespiratória, documentaram que a maioria (69%) dos circunstantes eram membros da família e que não temeram a doença. Ao invés, a reação do pânico, medo de causar um dano ou de não realizar as manobras corretas eram as razões mais comuns para não tentar a ressuscitação cardiopulmonar na PCR.’8,9′
Uma proposta para superar algumas barreiras é simplificar a RCP por circunstantes ensinando ou instruindo socorristas leigos a realizar apenas compressões torácicas para vítimas adultas que subitamente colapsam e não respondem. Essas vítimas, geralmente, não estão previamente hipoxêmicas ao seu colapso e não demandam de grandes quantidades de oxigênio durante os primeiros minutos da parada cardiorrespiratória. Os autores que sugerem apenas compressões torácicas criticam a ventilação boca-a-boca:
1. Aumenta a complexidade da instrução da RCP.
2. Acarreta no risco de insuflação gástrica e subseqüentemente broncoaspiração de conteúdo gástrico.’10’
3. Requer interrupção das compressões torácicas, prejudicando a perfusão coronariana e uma, possível, reanimação bem sucedida.’11,12′
A eliminação da ventilação boca-a-boca não pode afetar a oxigenação durante os primeiros minutos da RCP para vítimas adultas de PCR. O oxigênio está limitado a mioglobina e hemoglobina e está presente nos pulmões, constituindo uma reserva que pode durar vários minutos, além de ser parcialmente renovado mediante a movimentação do ar produzida pelas compressões torácicas e, se a via aérea estiver patente, durante a respiração agônica (gasps). Os autores que sugerem a RCP com apenas as compressões torácicas argumentam que mais circunstantes agirão se não tiverem que executar a ventilação boca-a-boca,’9′ resultando em um aumento nas RCPs por pessoas leigas.
A RCP com apenas compressões torácicas não é indicada quando a PCR é secundária a um problema respiratório (por exemplo, afogamento, overdose por drogas, eletrocussão e crise asmática), quando a administração de oxigênio é prioritária. Além disso, PCRs por causas respiratórias são mais comuns em crianças, por isso RCP com apenas compressões torácicas não são indicadas nessa idade, a não ser que um colapso súbito ocorra.
Alguns dados clínicos sustentam a RCP com apenas compressões torácicas em adultos. Um estudo com atendentes realizado por Hallstrom e colaboradores, publicado em 2000’13’, não mostrou diferença entre a sobrevivência das vítimas que receberam apenas compressões torácicas (instruídas por um atendente) comparado com as vítimas que receberam RCP convencional. É importante lembrar que neste estudo em Seattle, os socorristas chegaram à cena da vítima colapsada com aproximadamente 4 minutos após a ligação para o SME. Um estudo observacional realizado na Região de Kanto no Japão e publicado em 2007 por Nagao e colaboradores,’14’ mostrou que a RCP com apenas compressões torácicas foi tão efetiva quanto a RCP convencional realizada conforme o guidelines 2000 em vítimas de PCR testemunhada. Em posterior análise de um subconjunto de vítimas com ritmos chocáveis e pequenos períodos (menos que 4 minutos) de PCR sem tratamento, a sobrevivência entre as vítimas que receberam RCP com apenas compressões torácicas foi maior do que a das vítimas que receberam RCP convencional. Entretanto, um estudo prospectivo aleatorizado comparando diretamente a RCP com apenas compressões torácicas e a convencional é preciso.
(Por Raúl J. Gazmuri, MD, PhD, FCCM)
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Referências
1. Ewy GA, Kern KB, Sanders AB, Newburn D, Valenzuela TD, Clark L, Hilwig RW, Otto CW, Hayes MM, Martinez P, Berg RA. Cardiocerebral resuscitation for cardiac arrest. Am J Méd. 2006; 119:6-9.
2. Kellum MJ, Kennedy KW, Ewy GA. Cardiocerebral resuscitation improves survival of patients with out-of-hospital cardiac arrest. Am J Med. 2006; 119:335-340.
3. Herlitz J, Svensson L, Holmberg S, Angquist KA, Youg M. Efficacy of bystander CPr: intervention by lay people and by health care professionals. Resuscitation. 2005;66:291-295.
4. Vadeboncoeur T, Bobrow BJ, Clark L, Kern KB, Sanders AB, Berg RA, Ewy GA. The Save Hearts in Arizona Registry and Education (SHARE) program: Who is performing CPR and where are they doing it? Resuscitation. 2007 [Epub].
5. Fairbanks RJ, Shah MN, Lerner EB, Ilangovan K, Pennington EC, Schneider SM. Epidemiology and outcomes of out-of-hospital cardiac arrest in Rochester, New York. Resuscitation. 2007;72:415-424.
6. Locke CJ, Berg RA, Sanders AB, Davis MF, Milander MM, Kern KB, Ewy GA, Bystander cardiopulmonary resuscitation. Concerns about mouth-to-mouth contact. Arch Intern Med. 1995;155:938-943.
7. Rittenberger JC, Guimond G, Platt TE, Hostler D. Quality of BLS decreaseswith increasing resuscitation complexity. Resuscitation. 2006;68:365-369.
8. Swor R, Khan I, Domeier R, Honeycutt L, Chu K, Compton S. CPR training and CPR performance: do CPR-trained bystander perform CPR? Acad Emerg Med. 2006;13:596-601.
9. Taniguchi T, Omi W, Inaba H. Attitudes toward the performance of bystander cardiopulmonary resuscitation in Japan. Resuscitation. 2007 [Epub].
10. Virkkunen I, Kujala S, Ryynanen S, Vuori A, Pettila V, Yli-Hankala A, Silvast T. Bystander mouth-to-mouth ventilation and regurgitation during cardiopulmonary resuscitation. J Intern Med. 2006;260:39-42.
11. Berg RA, Sanders AB, Kern KB, Hilwig RW, Heidenreich JW, Porter ME, Ewy GA. Adverse hemodynamic effects of interrupting chest compressions for rescue breathing during cardiopulmonary resuscitation for ventricular fibrillation cardiac arrest. Circulation. 2001;104:2465-2470.
12. Aufderheide TP, Sigurdsson G, Pirrallo RG, Yannopoulos D, McKnite S, von Briesen C, Sparks CW, Conrad CJ, Provo TA, Lurie KG. Hyperventilation-induced hypotension during cardiopulmonary resuscitation. Circulation. 2005;109:1960-1965.
13. Hallstrom A, Cobb L, Johnson E, Copass M. Cardiopulmonary resuscitation by chest compression alone or with mouth-to-mouth ventilation. N Engl J Med. 2000;342:1546-1553.
14. SOS-KANTO study group. Cardiopulmonary resuscitation by bystanders with chest compression only (SOS-KANTO): an observational study. Lancet. 2007;369:920-926
In: http://biramoc.blogspot.pt/2009/01/melhora-na-sobrevida-em-vtimas-de-morte.html
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