Pressão Intracraniana

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A maioria dos quadros neurológicos de urgência requer intervenções cirúrgicas ou tratamento de suporte. A hipertensão intracraniana aguda (HIC) requer medidas terapêuticas específicas, dada a vulnerabilidade do sistema nervoso central (SNC).

Nesses casos, a monitorização da pressão intracraniana (PIC) fornece informações importantes que precedem o aparecimento de sinais e sintomas de descompensação (lesões secundárias), permitindo, assim, um tratamento mais precoce e eficaz. Por outro lado, permite avaliar de maneira objetiva a eficácia das medidas terapêuticas.

Os cateteres intracranianos são utilizados para mensurar e monitorar continuamente a PIC, calcular a pressão de perfusão cerebral (PPC) e avaliar a complacência e a auto-regulação cerebral, prevenindo eventos que podem desencadear lesões cerebrais secundárias e/ou agravar lesões existentes.

A PIC é a pressão resultante da presença de três componentes dentro da caixa craniana:

  • componente prenquimatoso: constituiído pelas estruturas encefálicas;
  • componente liquórico: constituído pelo líquido cefalorraquidiano (LCR) das cavidades ventriculares e do espaço subaracnóide;
  • componente vascular: caracterizado pelo sangue circulante.

O valor da PIC varia entre 0 a 15 mmHg, quando a pressão liquórica intraventricular é medida com o paciente em decúbito dorsal e a cabeça levemente elevada.

A teoria de Monro-Kellie afirma que o volume intracraniano é igual ao volume do encéfalo mais o volume do sangue cerebral acrescido do volume do LCR. Quaisquer alterações no volume de algum destes componentes, bem como a adição de uma lesão, podel levar a um aumento da PIC.

Define-se como pressão de perfusão cerebral (PPC) o gradiente existente entre a pressão arteria média (PAM) e a PIC, sendo aceitável valores acima de 70mmHg: PPC=PAM-PIC

Vantagens

  • Detectar precocemente a elevação da PIC, permitindo suspeitar de lesões com efeito de massa e com risco de herniação
  • Permitir a drenagem de líquor e controle da PIC, quando em posição ventricular
  • Permitir a adoção de tratamento adequado
  • Avaliar a eficácia do tratamento

Indicações

  • Glasgow inferior a 9, com tomografia computadorizada (TC) de crânio anormal (presença de hematomas, contusões, edemas ou compressões cisternas).
  • Glasgow inferior a 0, com TC de crânio normal, se dois ou mais fatores a segur forem contemplados: idade superior a 40 anos; pressão arterial sistólica inferior a 90 mmHg; postura anormal (descerebração/decorticação) uni ou bilateralmente.
  • Outros fatores podem ser indicadores para monitorização da PIC como mecanismos de trauma, condições clínicas associadas e gravidade das lesões, por exemplo, monitoração de um paciente consciente, mas que apresente uma lesão traumática com efeito de massa.

FONTE: KNOBEL, E; LASELVA; C. R.; JUNIOR; D. F. M. Terapia Intensiva: Enfermagem. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.

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