Estudo determina perfil metabólico dos portugueses

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Estudo determina perfil metabólico dos portugueses

Mais de um milhão tem perfil
ultrarrápido ou ultralento, os mais preocupantes

Manuela Grazina, líder da equipa multidisciplinar envolvida no estudo que será brevemente publicado na revista “Personalized Medicine”.

Manuela Grazina, líder da equipa multidisciplinar envolvida no estudo que será brevemente publicado na revista “Personalized Medicine”.

Ultrarrápidos, muitos lentos, extensivos e intermédios são os quatro perfis de metabolização existentes. O padrão (ou normal) é o extensivo e é o mais comum na população portuguesa. Contudo, um estudo da Universidade de Coimbra verificou que 665 mil portugueses possuem o perfil de metabolizadores lentos e 496.422 ultrarrápidos.

“Estes [muito lentos e muito rápidos] são os mais problemáticos porque metabolizam de uma forma muito diferente do que a maioria e são um número ainda considerável”, adianta Manuela Grazina, professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e líder da equipa multidisciplinar que desenvolveu este trabalho.

A investigação, que envolveu 300 indivíduos (a extrapolação para a população portuguesa foi feita com base nos Censos 2011) que voluntariamente cederam amostras de sangue para análise, focou-se em identificar as alterações genéticas, características dos perfis de metabolização, do gene CYP2D6 que codifica uma das principais enzimas envolvidas no metabolismo dos fármacos utilizados para tratar doenças neuropsiquiátricas, como por exemplo, a depressão e as toxicodependências.

“O nosso estudo incidiu sobre esta proteína e sobre este gene porque é das mais importantes, entrando na metabolização de 25% dos fármacos regularmente utilizados na prática clínica, entre os quais antidepressivos, analgésicos e opióides. É endógena e metaboliza substâncias endógenas e exógenas. É também importante porque está muito relacionada com o uso de determinados fármacos que são utilizados em doenças neuropsiquiátricas”, refere Manuela Grazina que é também coordenadora do Laboratório de Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular.

Com aprovação da Comissão de Ética, foram recolhidas amostras de sangue para determinação dos perfis metabólicos na sociedade portuguesa.

Com aprovação da Comissão de Ética, foram recolhidas amostras de sangue para determinação dos perfis metabólicos na sociedade portuguesa.

Este conhecimento pode ser um bom contributo na prática clínica auxiliando os médicos no momento de decidir um tratamento. Com a informação sobre o metabolismo do doente, o médico pode escolher melhor “a dosagem do medicamento porque sabe se o indivíduo vai, ou não, metabolizar convenientemente aquele fármaco. É uma informação importantíssima para que o clínico possa prescrever um medicamento diferente mais adequado à metabolização do doente”, pormenoriza a entrevistada.

Os fármacos são “substâncias estranhas” ao nosso corpo que têm de ser metabolizados para dele saírem. No entanto, a forma como são metabolizados pelo organismo tem influência no efeito para o qual foi tomado aquele medicamento. Assim, nos casos extremos de metabolismo (os muito lentos e ultrarrápidos) podem existir problemas.

Manuela Grazina explica que se um medicamento for “metabolizado muito depressa desaparece do organismo e não fez qualquer efeito, isto em casos de metabolização ultrarrápida. Por outro lado, se for uma metabolização ultralenta, o medicamento fica no organismo numa concentração demasiado elevada e pode desencadear os chamados efeitos secundários, podendo mesmo ser tóxico”.

A pesquisa foi desenvolvida no âmbito de um projecto internacional do Consortium of the Ibero-American Network of Pharmacogenomics and Pharmacogentics (RIBEF), onde também foram traçados os perfis das populações do Brasil, de Espanha e de Cuba, entre outras.

O estudo irá continuar com a investigação deste e de outros genes, como por exemplo receptores e transportadores de dopamina e serotonina, em toxicodependentes, em colaboração com a Unidade de Desabituação do Centro. O objectivo é compreender as diferenças observadas na eficácia da desintoxicação, com base nas variações genéticas e metabólicas.

Manuela Grazina defende que “um investimento neste tipo de estudos é crucial para a prevenção a longo prazo”.

fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=57721&op=all
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