Estudo mostra o motivo das habilidades matemáticas “super desenvolvida” no Autismo

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O Autismo é caracterizado por disfunção nas habilidades sociais e de comunicação. Embora tais déficits tenham sido o foco da maioria das pesquisas, evidências recentes sugerem outra características marcante no Autismo,  a capacidade cognitiva “super desenvolvida” em domínios como a matemática.

Vez por outra, encontramos na internet notícias que falam de algumas habilidades cognitivas surpreendentemente acima da média no Autismo, e se pensarmos que estamos falando de uma condição marcada por um cérebro “disfuncional” isso parece até paradoxal. Mas cada vez mais a ciência prova: a disfunção é para menos em algumas habilidades e para mais em outras. E isso foi mostrado neste estudo do Biological Psychiatry Journal que investigou as habilidades matemáticas em crianças com Autismo.

No estudo os 18 participantes com Autismo foram comparados com outros participantes sem transtorno do desenvolvido. Foram realizadas avaliações cognitivas e exames de imagem cerebral funcional.  Após análises, os padrões de atividade cerebral durante a resolução de problemas numéricos foi significativamente diferente entre os grupos.

As crianças com Autismo mostraram melhores habilidades de resolução de problemas numéricos e apresentaram estratégias sofisticadas. Embora as crianças com Autismo usem de áreas cerebrais semelhantes às crianças com desenvolvimento normal, elas mostraram diferentes padrões de ativação multivariados relacionados à aritmética e a complexidade do problema no córtex temporal-occipital central , córtex parietal posterior e medial do lobo temporal. Além disso, foram detectados padrões de ativação multivariados em áreas tipicamente associadas com o processamento de reconhecimento de faces (áreas perceptivas) na resolução de problemas numéricos dos autistas; característica que não esteve presente nas demais crianças.

O estudo sugere que o processamento de informações matemáticas em crianças com Autismo é caracterizado por um padrão único de organização do cérebro e que regiões cortinais tipicamente envolvidos na experiência perceptiva podem ser utilizadas de novas formas no Autismo. Esses resultados mostram maior potencial cognitivo para a matemática nas crianças com Autismo, o que tem implicações críticas para os resultados educacionais, profissionais e sociais.

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Para o estudo completo: Biological Psychiatry Journal

 

Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE). Especialista em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design e Ergonomia (UFPE). Consultora em Tecnologia para Reabilitação.
Fonte : www.reab.me

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