Trombose venosa profunda atinge especialmente as pessoas mais jovens

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De repente, as pernas ficam quentes, inchadas, rígidas e doloridas, e a pessoa não consegue andar ou realizar as suas tarefas rotineiras. Essas são algumas das manifestações da trombose venosa profunda, terceira doença cardiovascular mais frequente no mundo. Com uma elevada taxa de mortalidade, o problema compromete significativamente a qualidade de vida, sendo que grande parte das pessoas que desenvolvem a doença é formada por jovens, avança o Diário Digital.

A TVP ocorre quando se forma um coágulo sanguíneo (o trombo) no interior das artérias ou veias profundas, obstruindo a veia e impedindo a circulação de sangue no local. O episódio ocorre mais frequentemente na perna ou na coxa, mas também pode atingir outras partes do corpo.

“A trombose venosa profunda consiste na obstrução total de uma veia troncular pela formação de um coágulo. Pode afectar qualquer parte do corpo, porém a mais famosa é a que ocorre nos membros inferiores (pernas)”, explica o cirurgião vascular Nelson Wolosker, do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Entre 50% a 60% dos casos atendidos no meu consultório são pacientes jovens, entre os 20 e 40 anos de idade. Essa é a faixa de idade que as pessoas estão mais expostas aos factores que desencadeiam o processo de trombose como gravidez, uso de anticoncepcional ou hormonas, tabagismo, acidentes, fracturas e traumas, cirurgias e viagens de avião, entre outros”, diz o cirurgião vascular Francisco Osse, director do Centro Endovascular de São Paulo.

A TVP compromete significativamente a qualidade de vida. A dor no local impede que a pessoa exerça as suas actividades diárias e requer longos períodos de repouso. Além disso, se não tratada adequadamente, pode desenvolver-se uma úlcera na perna.

“A presença de uma ulceração crónica na perna tem grande uma influencia negativa na qualidade de vida dessas pessoas. Além de causar dor e desconforto diários, há dificuldade na manutenção do emprego, na convivência do seu portador não só com os seus familiares como com os seus amigos, pois geralmente essas lesões eliminam secreção que muitas vezes exala odores próprios”, aponta Marilia Duarte Brandão Panico, professora de Angiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Na fase inicial da TVP, ocorre um processo inflamatório nas regiões próximas, o que causa dor, inchaço, mudança da coloração da pele, aumento da temperatura e endurecimento dos músculos próximos ao local da trombose. No entanto, em cerca de 50% dos casos, o trombo instala-se na veia sem provocar manifestações locais e pode passar desapercebido – o que é uma situação de grande risco.

O tratamento convencional é feito com repouso na cama, medicamentos anticoagulantes e meias elásticas para interromper o processo de formação de novos coágulos dentro das veias.

O tratamento mais recente para a doença é a revascularização endovascular, que reconstrói as veias trombosadas. Nessa técnica, são utilizados cateteres que injectam uma medicação que dissolve os coágulos, e assim as veias são recuperadas e o sangue volta a circular normalmente. Nos casos de tromboses mais antigas, onde os coágulos foram transformados em cicatrizes dentro das veias, pode existir a necessidade de abrir as veias com cateteres ou balões – as chamadas angioplastias – e às vezes até a colocação de próteses metálicas que manterão as veias abertas – os stents.

Para prevenir a doença é preciso em primeiro lugar melhorar o estilo de vida. E para isso a prática frequente de exercícios e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Além disso, é preciso manter o peso dentro dos limites saudáveis, não fumar e restringir o consumo de bebidas alcoólicas. Pessoas com predisposição a desenvolver TVP precisam de movimentar-se logo após longos períodos de imobilização (como viagens de avião, por exemplo), depois de cirurgias e quando tiverem necessidade de permanecer em repouso por muito tempo.

Fonte: Diário Digital
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=701530

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