A sensualidade está morta! (*)

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Há uma semana atrás tive a oportunidade de apresentar o Livro “Se a Enfermagem Falasse…” num conhecido programa de rádio – o “Rocha no Ar” da RFM. Nesse dia, os locutores tiraram uma foto de um dos cartoons do livro e colocaram-na online, o que despoletou uma grande controvérsia!

 

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(**)

A legenda do cartoon diz que as “enfermeiras sensuais não salvam a sua vida”! Nem todos concordaram com a minha exposição na rádio e muitas colegas sentiram-se incomodadas, o que me levou a refletir e a escrever estas linhas. O que quero dizer? Mantenho a firme convicção de que as enfermeiras sensuais não salvam vidas! E digo-o com toda a certeza porque… não há enfermeiras sensuais! “Como é possível?” – questionam já N leitoras, quando lêem estas palavras!

Não existem enfermeiras sensuais porque… enfermeiras e sensuais existem em duas esferas separadas!!! A pessoal e a profissional! Uma pessoa pode ser sensual, todavia essa é uma característica pessoal, que usa nas suas interações sociais em diversos contextos. No contexto profissional da Enfermagem, ser ou não ser sensual não interessa para nada! Senão, vejamos: prefiro uma enfermeira “sensual” que não saiba suporte avançado de vida quando a minha vida corre risco ou prefiro uma outra que tenha CONHECIMENTO, COMPETÊNCIA E EXPERIÊNCIA para a salvar? E sim, por mais que co-existam as duas características, para trabalhar como enfermeira só são requeridas as que enunciei em último lugar!

O grande erro que por vezes se comete é confundir a esfera pessoal com a profissional! É acreditar que a enfermeira “vale” mais ou menos segundo a sua sensualidade! O outro erro é permitir-mos que essas representações continuem a passar nos media, sem que façamos nada para as aproximar da realidade! Se eu olho para a enfermeira como sendo ou não sensual, não só a transformo num objeto, como desvalorizo implícita e explicitamente a sua competência profissional! Esta é uma forma subtil de subjugação da mulher enfermeira, pois ao atribuir-lhe elogios sobre a sua esfera pessoal, estou a diminuir e a ocultar a sua contribuição profissional!

Acreditem, não queremos enfermeiras sensuais. As duas palavras não fazem sentido em conjunto. Se queremos que a Enfermagem seja aceite pela sociedade por aquilo que ela é atualmente – uma profissão altamente diferenciada, cujos contributos permitem salvar a vida dos utentes, diminuir gastos em saúde e contribuir para o desenvolvimento positivo das sociedades – temos de parar de acrescentar atributos que ela não tem. Se nós não julgamos os outros profissionais pelas suas características pessoais (mais altos ou baixos, loiros ou morenos, engraçados ou aborrecidos), porque havemos de permitir que outros o façam?
(*) Encontre mais reflexões sobre coisas tão importantes como a sua Saúde, os contributos dos Enfermeiros e como dar voz às suas ideias no Livro “Se a Enfermagem Falasse…”, disponível em www.comunicarenfermagem.com/publicacoes.html e emwww.facebook.com/seaenfermagemfalasse

(**) Copyright Cassie Peng

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