Saúde e bem-estar

CUIDADO COM O…BURNOUT!

A SÍNDROME DE BURNOUT é com efeito, a pertinente temática que elegi neste meu artigo, dado tratar-se efectivamente, de uma doença civilizacional em crescendo, com maior incidência e prevalência na Sociedade Ocidental, e que inevitavelmente traz repercussões nefastas, não só no VIVER do PRÓPRIO, como também no OUTRO, já que vivemos em constante interacção com os pares e com o meio ambiente…o que inequivocamente, traduz-se em PERDAS, não só a nível da SAÚDE MENTAL e FÍSICA, mas também outras…como que, num “efeito bola de neve”, que vai aumentando progressivamente de volume, acabando por desmoronar-se perante um qualquer obstáculo que, previsível ou imprevisivelmente, venha a encontrar na sua turbulenta “descida”!…Não é verdade?

Em género de breve abordagem científica, a SÍNDROME DE BURNOUT (do inglês,to burn out, queimar por completo), também chamada de Síndrome do esgotamento profissional, foi assim designada pelo psicanalista nova-iorquino HERBERT J. FREUDENBERGER, no início dos anos 1970, definindo-a como “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”. Na literatura, encontram-se descritos 12 estágios de BURNOUT, que não interessa agora estar aqui a esmiuçar…interessa sim, referir que:

Manifesta-se como um indescritível e enorme cansaço físico e psicológico, que poderá iniciar-se de uma forma ténue, sem o próprio dar conta, e geralmente advém de uma qualquer alteração ao seu ESTILO DE VIDA HABITUAL, que por sua vez, vai implicar maior concentração de esforços e, quiçá, até sacrifícios, às vezes sobre-humanos(?)…que superam alarvemente o limiar da capacidade de resistência Humana. Desta feita, com o decorrer do tempo nesta “azáfama surreal”, o organismo começa a indiciar manifestações de que a sua tendência natural  para o equilíbrio dinâmico – a tal Homeostasia, constante na Pirâmide Hierárquica das Necessidades Humanas Básicas (NHB), de Abraham Maslow, que já vos terei abordado em artigos anteriores – estará afectada sobremaneira, e bem assim, comprometendo a satisfação de todas as outras NHB.

Quer isto dizer que, poderão surgir SINAIS DE ALERTA, a não descurar de todo, nomeadamente:

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Um cansaço permanente manifestado por diminuição da força e do tónus muscular; irregularidades no sono; déficit na concentração, atenção e memória recente; alterações no apetite; disfunção sexual; cefaleias; crises de ansiedade em grau variável fustigadas drasticamente pelo stress em contínuo e até, labilidade emocional – humor lábil; irritabilidade fácil; inquietude; impaciência; agressividade verbal; medo (de não ser capaz de…); frustração; desilusão; choro fácil – que poderá culminar num estado depressivo.

Ora bem!…Naturalmente que, não é possível viver-se assim ad aeternum, e bem assim, como que, atingido o tal limite “BORDERLINE”, consciente ou inconscientemente, o indivíduo poderá, digamos que, entrar num degradante estado de alienação, principalmente se houve negligência pelos tais sinais de alerta!…

Focalizando agora a atenção nas profissões de desgaste rápido, e obviamente, não menosprezando nenhuma delas, nos mais variados sectores – Saúde; Educação; Justiça, entre outros – os estudos apontam que, entre aquelas, os profissionais de Saúde, encontram-se entre os mais susceptíveis à Síndrome de Burnout. Particularizando um pouco mais, saliente-se a título de exemplo, a classe médica e, inevitavelmente, como quem “puxa a brasa à minha sardinha”: OS ENFERMEIROS!

E, eis que… chegámos ao cerne da questão do presente artigo!

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Poderiam os caros leitores, e muito bem, questionar:

Mas porque é que a Paula pretende enfatizar a correlação ENFERMEIROS <=> SÍNDROME DE BURNOUT?

Muito bem!…A resposta é muito simples meus caros, pois repare-se:

Ao longo destes 25 anos de exercício profissional, e sensivelmente desde há 10 anos a esta parte, como que, tenho assistido a uma chocante e degradante subestimação, e porque não, afirmá-lo mesmo…DESTRUIÇÃO DA CARREIRA DE ENFERMAGEM(!) que, a bem dizer, tem impulsionado compulsivamente os enfermeiros para um patamar de desprestígio e indigno, a avaliar pelos sucessivos dolos, enquanto profissão autónoma devidamente reconhecida e qualificada aos mais variados níveis: Categorização; Competências Funcionais e Atribuições Remuneratórias, entre outras.

Todavia, eis que despoleta uma enorme incongruência, qual pretenso “educadíssimo” eufemismo, principalmente nestes tempos mais recentes…pois os nossos governantes, e principalmente, o nosso Exmº. Sr. Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo, faz questão de “tapar o Sol com a peneira”, ao declarar publicamente o falacioso discurso de que: “(…) Os enfermeiros são um pilar do SNS(…)!”

– Ai sim?…Oh Sr. Ministro da Saúde!…Se “os enfermeiros são um pilar do SNS”, como o refere, e muito bem, então “as necessidades de Saúde são…basicamente…enfim…” – EMERGENTES e uma PRIORIDADE!!! – para completar a sua declaração aos média! Não é assim?

Mais!…O “personagem”; perdão!…O nosso caro Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo teve a grandessíssima “lata” de proferir aos média…imagine-se(!)…que: “EXAUSTÃO DOS ENFERMEIROS RESULTA DA ACUMULAÇÃO DE FUNÇÕES!”

– Ora! Ora!…Mas que redundâncias Sr. Ministro Paulo Macedo!

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– Então, se uma parte, e repito(!)…uma parte, desses profissionais (que ronda os 10%) acumulam funções no sector Privado, certamente não será para se entreterem ou ocuparem o tempo!…Quiçá, não será por o vencimento que auferem no sector Público, concomitantemente, não rondar sequer os 1000 €, ou seja, insuficiente para a manutenção da sua própria subsistência e da sua família nuclear?

– Ah pois é!…

– Então e que tal “O CANSAÇO” ser devido:

  •  À supressão legal (?) do Horário das 35 H semanais, o que se traduziu em dolo  de 2 a 3 folgas, por escala mensal?
  •  À sobrecarga horária, muito para além das recentemente impostas por lei (?), 160 H mensais?
  •  À solicitação para o cumprimento de horários, legalmente impraticáveis?
  • À solicitação dos Serviços para se colmatar falhas, imprevistas ou não, nomeadamente, absentismo e férias?
  • À lotação insuficiente desses profissionais, nos respectivos Serviços?
  • À anarquia remuneratória?…Ou seja, os que legalmente (?) continuam no exercício das 35 H semanais, acabam por ter mais benesses a todos os níveis, do que aqueles que injustamente foram combalidos para a prática das ditas legais (?) 40 H semanais, o que, inequivocamente nos leva a crer que… existam enfermeiros de primeira e de segunda categoria(!)?
  • À inadequação dos recursos disponíveis, não só Humanos, mas também materiais, e estes, manifestamente insuficientes, o que implica alarvemente, um enorme desgaste psicológico e conflitos de todo inevitáveis… no seio interdisciplinar das equipas de Saúde…dadas as “políticas de corte” vigentes?
  • Às deficientes condições de Trabalho, que comprometem a QUALIDADE DOS CUIDADOS PRESTADOS!…E o mais grave!…A SEGURANÇA DOS DOENTES(!)?
  • Etc. … … …

– Sr. Ministro da Saúde Paulo Macedo, então quer dizer…perante esta sua afirmação alusiva ao “CANSAÇO” dos enfermeiros, será caso para se questionar:

– “Fujam mas é dos enfermeiros deste país…porque eles andam cansados e podem cometer…enganos(!)”???

– Sim! Porque enfim…se os profissionais andam “cansados”, o risco de ocorrência de erro por negligência e consequente MORTE dos doentes (?), aumenta sobremaneira! Ou não?

Mas…gostei de saber que o Governo pretende efectuar um “recrutamento significativo de enfermeiros no SNS”.

– Pois…mas veja lá, Sr. Ministro da Saúde(!): 25000 é seguramente um número que deverá inculcar, no sentido de proporcionar uma resposta mínima e condigna às reais necessidades de Saúde dos utentes do SNS.

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Agora, a questão é que muitos já partiram além-fronteiras, certamente expectantes no garante do seu sustento, melhores condições de Trabalho e de VIDA…e esses, quer-me parecer que mui dificilmente regressarão (?)!…Todavia, há que “aproveitar” os que ainda cá permanecem, e que para sobreviver, sabe Deus como (?), estão a sujeitar-se a outros afazeres, como bricolages e afins, e que nada têm a ver com as suas qualificações profissionais!

Para finalizar o presente artigo, faço questão de partilhar convosco este vídeo, que mais não é do que, uma resposta ao Sr. Ministro da Saúde Paulo Macedo, que visa fundamentar as actuais e pertinentes reivindicações dos enfermeiros portugueses, por sinal, evocadas nos dias 24 e 25 de Setembro de 2014, pelos defensores dos seus direitos – profissionais de enfermagem e respectivas estruturas sindicais.

Ainda assim…as “VOZES”, como a minha e a de muitos outros, que integram o rol dos indignados, NÃO SE CALARÃO!…Por uma ENFERMAGEM MAIS JUSTA!…Por uma JUSTIÇA SOCIAL!…E porque queremos “SER FELIZES…VIVENDO PARA O OUTRO”!…

Como habitualmente e na medida do possível…até breve se Deus quiser!

Beijinhos

Paula Pedro

Fonte: Pamarepe

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