Enfermeiros podem vir a pedir exames de diagnóstico na triagem das urgências

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O Ministério da Saúde (MS) quer que os enfermeiros possam pedir exames complementares de diagnóstico na triagem das urgências hospitalares e que os doentes possam ser sujeitos a uma segunda avaliação se estiverem sujeitos a esperas prolongadas. São medidas que o Ministério já propôs às ordens (dos médicos e dos enfermeiros) e que poderão eventualmente ajudar a evitar que se repitam episódios como os que deram origem a inquéritos na sequência da morte de três doentes em serviços de urgência hospitalar. Esta quinta-feira foi denunciada mais uma morte nas urgências após quatro horas de espera no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

Numa altura em que Portugal está já no início da fase epidémica de gripe e com mortalidade acima do esperado, como indica o último boletim de vigilância do Instituto de Saúde Ricardo Jorge, o Ministério da Saúde adiantou ao PÚBLICO que vai reforçar as medidas já tomadas e avançar com outras, até porque, admite, houve mais casos de doentes graves nas urgências do que em anos anteriores (“a procura teve geralmente contornos de maior prioridade”).  Uma das propostas passa por permitir que os pedidos de exames de diagnóstico sejam feitos logo no momento da triagem dos doentes.

O bastonário da Ordem dos Médicos confirma que esta proposta está a ser analisada mas adianta que tem “sérias reservas” sobre a sua eficácia.  “Querem pedir análises e RX para todos os doentes que entram na urgência? Peçam. Mas isso terá custos, alguém vai ter de pagar, e não resolve o problema do doente. Só serve para lhe dar a sensação de que fez alguma coisa enquanto espera horas. É um remendo. O essencial para resolver os problemas das urgências é que o doente seja visto por um médico atempadamente, nos tempos definidos”, responde.

Para José Manuel Silva esta medida e outras (como a repetição da triagem) são “remendos que vão aumentar a despesa e não vão acelerar nada”. “Duplicar triagens ou pedir análises e exames que podem até ter de ser repetidos após o doente ser visto por um médico só vai significar mais perdas de tempo”, insiste. A solução? “O doente tem de ser visto a tempo pelo médico e para isso é preciso que exista o número de recursos humanos adequados às necessidades e ao afluxo de doentes. E qualquer cidadão sabe, não é preciso se ministro da Saúde, que na época de Inverno há um elevado afluxo de doentes. Este ano nem houve muito mais doentes nas urgências mas houve menos recursos disponíveis”.

Além das medidas já anunciadas para aliviar as urgências hospitalares – como o alargamento dos horários dos centros de saúde e a ordem para dar mais altas ao fim de semana  –  o Ministério decidiu avançar com uma série de outras, nomeadamente a abertura do terceiro centro, em Coimbra, da Linha de Saúde 24.

Esta quinta-feira, numa reunião  de responsáveis das administrações regionais de saúde (ARS), INEM e  Direcção-Geral da Saúde foram aliás avaliadas as medidas em curso e avaliadas outras, como a de contabilização de todas as camas disponíveis em Portugal, incluindo as do sector privado e militar, além do público e do social.

A tutela propõe igualmente “medidas de mobilização, nos picos de procura, dos médicos com capacidade” para ajudar nas urgências. “Temos a elaboração de escalas com substituições previstas, o INEM vai reforçar a distribuição de macas em hospitais que tenham necessidade delas (o que já foi feito para quem as tinha pedido)”, acrescenta.  Os vários organismos foram ainda incumbidos de monitorizar o fluxo de doentes “para que possa haver reprogramação do encaminhamento de utentes de algumas freguesias para outros hospitais quando houver congestionamento” e que dêem ainda atenção à programação de férias de licenças no Inverno e “na semana do Carnaval em especial”.

Relativamente ao caos dos últimos dias, o MS admite que houve hospitais onde o afluxo de doentes foi maior e isso coincidiu com os feriados do Natal, “altura em que houve um surto de doença viral, aparentemente por rhinovirus”, um facto  que “não podia ser antecipado, já que apenas o vírus da gripe é monitorizado”. A actividade gripal  começou entretanto a crescer nos últimos dias de 2014 e agora “já estamos com actividade viral alta”. A conjugação destes factos pode “ajudar a explicar a afluência inusitada e o aumento dos tempos de espera em alguns hospitais”, remata.

De acordo com o último boletim de vigilância epidemiológica da gripe do Instituto Ricardo Jorge, esta quinta-feira divulgado,  o período epidémico da gripe começou na semana entre 29 de Dezembro e 4 de Janeiro,  e a mortalidade por todas as causas está já “acima do esperado”. Nesta semana a taxa de incidência do síndroma gripal foi de 127,7 casos por 100 mil habitantes. A estirpe de vírus da gripe preponderante foi a B, mas também foram encontrados oito caso da H3N2, que afecta mais os idosos.

FONTE – Público

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