MEU DEUS!…VOU SER OPERADO(A)!

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Olá caros leitores!

Esta semana trago-vos mais um tema de saúde, desta vez, no âmbito da Cirurgia, área à qual já dedico uma boa parte da minha vida profissional, que já conta com, praticamente 25 anos.

Seleccionei este título – um pouco assustador, por sinal – para vos abordar uma questão pertinente, seguramente, não só para mim, mas também para todos os profissionais de enfermagem, independentemente de estes últimos, serem ou nãoenfermeiros perioperatórios, que é como quem diz: aqueles que interagem com a pessoa (doente) que vai ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

E dentro desta valência, seleccionei especificamente algo que detém uma importância extraordinária, diria mesmo, um ex-líbris, na melhor e mais rápida recuperação da pessoa que vai ser cirurgicamente intervencionada (operada):

– “A VISITA PRÉ-OPERATÓRIA DE ENFERMAGEM” – VPOE!

– Mas, o que é “isso” da VPOE? – Poderão vocês, eventualmente, questionar! (?)

Quiçá, alguns de vós, particularmente aqueles que nunca foram submetidos a uma intervenção cirúrgica, até poderão estranhar este conceito?(!)…E , mesmo daqueles que foram operados, provavelmente existirão alguns que apenas se recordam da figura de um médico anestesista a fazer-lhes a VISITA PRÉ-ANESTÉSICA, e não, a figura de um enfermeiro de Bloco Operatório a visitá-los!(?)…Todavia, existirão certamente aqueles que beneficiaram da visita deste último, e esses, por essa mesma benesse, estou em crer que valorizarão e atribuirão o devido reconhecimento e prestígio, ao papel do enfermeiro de Bloco Operatório que os visitou, previamente à realização da sua cirurgia.

Mas…vamos lá então esmiuçar este conceito de VPOE, no sentido de se proporcionar, por esta via (espero!), por um lado, uma partilha de conhecimento, e por outro lado, enfatizar que aquela, deveria ser um direito que assiste a todas as pessoas em circunstâncias pré-cirúrgicas…porém e infelizmente, este dito direito , nem sempre é exequível de se concretizar, por insuficiência e/ou inadequação de condições e recursos humanos dos nossos Blocos Operatórios – nomeadamente, enfermeiros disponíveis que têm obrigatoriamente que dar resposta a outro tipo de actividades, ditas “prioritárias”, relacionadas com os doentes que estão a ser intervencionados, e outras!… – competindo às chefias, seleccionar a melhor adequação dos recursos existentes, por forma a garantir a melhor gestão possível dos Serviços.

Ainda assim, e resultado da minha experiência pessoal, considero que os Blocos Operatórios que fazem exclusivamente Cirurgia Programada e não têm integrados em si, Cirurgia de Urgência (aquela que não tem espera possível!), detêm melhores condições para a concretização da VPOE, comparativamente aos outros.

– E, porquê? – Questionam vocês!

– Ora, ora!…Mas é lógico, não é? – Respondo eu!

Precisamente porque esses tais, os primeiros que referi, não concretizam Cirurgia de Urgência, e por isso mesmo, têm mais facilidade de incluir no planeamento das suas actividades, a VPOE!

– Então…e quais são as vantagens “dessa tal” VPOE? – Perguntam vocês, hipoteticamente!

– “Oh, meu Deus”!…- É que não tenham sequer dúvidas, do que a seguir passo a partilhar convosco:

Todo o doente que tem o privilégio de beneficiar de uma VPOE, tem a possibilidade de estabelecer uma  partilha com “um alguém“, que inevitavelmente se torna especial para o próprio, porque “esse alguém”, está ali, inteira e incondicionalmente disponível para:

  – “ESTAR/SER; OUVIR; DAR”!

Ou seja, o enfermeiro perioperatório, para além de:

– Colher os dados relativos à condição de Saúde/Doença;

– Informar acerca da preparação física necessária para o acto cirúrgico;

– Informar acerca dos procedimentos que vão ser efectuados no Bloco Operatório e a importância da sua colaboração; entre outros, que não interessa aqui divulgar, pois cada caso, “é um caso único”!…

Mas referia eu, para além destes aspectos, esse profissional dá especial enfoque a outras valências, não menos importantes, e às vezes, diria mesmo, bem comprometedores, nomeadamente:

– O ESTADO PSICO-AFECTIVO!

Habitualmente está patente um estado de ANSIEDADE, cujo grau é variável de pessoa para pessoa, ou então, um estadoDEPRESSIVO, também este variável.

Aliás, a LABILIDADE EMOCIONAL no momento, é algo facilmente perscrutável pelo enfermeiro perioperatório:

– A expressão do fácies e do olhar (que muitas vezes são de medo, de sofrimento, de resignação, de revolta); a excessiva gesticulação; a postura [ muitas vezes fechada, inclinada, adinâmica (com falta de força), ou mesmo estática, ou então, demasiado activa]; a verborreia (necessidade excessiva de falar); o desespero – muitas vezes expressado com o “agarro” da farda do enfermeiro, um fácies de pânico, a que se junta a tão aflitiva expressão de súplica:

– “Por favor!…não me deixe morrer!”

– O choro; o suspiro; o soluço a agonia (muitas vezes acompanhada com outros sintomas, como: falta de saliva, pulsação acelerada e naúsea (enjoo)… e até euforia, manifestada por riso descontextualizado, em situações de negação perante o que irá passar-se com o próprio(!).

Concomitantemente, existem outras questões que estão subjacentes ao acto cirúrgico, que são alvo da sua preocupação e, como que “atormentam a sua alma”, nomeadamente:

Questões relacionadas com a espiritualidade – a necessidade de sentir maior proximidade de Deus na sua Vida, naquele momento!…; ou questões sociais – o absentismo “forçado” e a privação temporária daqueles que de si, dependem!…; pelo que, por vezes, há necessidade de se recorrer ao suporte de outros profissionais da equipa multidisciplinar, como: um agente espiritual (sejam lá quais forem as orientações religiosas do próprio!…); um assistente social (em situações de abandono, ou de rejeição familiar, por exemplo); ou mesmo um médico psiquiatra!…este último, mais em casos de manifestações, ditas, psicóticas!…

Em suma, há toda uma panóplia de expressões e sentimentos para os quais o profissional está alerta, focalizando de imediato a sua intervenção no cerne da questão, que é como quem diz:

– Focaliza-se naquilo que verdadeiramente está a perturbar o doente, naquele momento…seja lá o que for!

O suporte emocional, com recurso ao TOQUE – a envolvência das mãos nas suas, por exemplo – a focalização do olhar, a voz serena, a postura de profundo respeito e solidariedade pela sua causa…tudo isso, associado ao seu SABER, acreditem!…Funciona como uma mais-valia na CONFIANÇACOLABORAÇÃO e mais rápida RECUPERAÇÃO da sua intervenção cirúrgica!…De repente, como que por magia:

– “Tudo parece mais fácil!” – como muitas vezes, o referem!

Este brilhante vídeo divulgado pela AESOP (ASSOCIAÇÃO DOS ENFERMEIROS DE SALA DE OPERAÇÕES PORTUGUESES), como que vem complementar o presente artigo porque, ao fim e ao cabo, é digamos que, a continuidade da VPOE, ou seja, aborda o Intra-Operatório e o Pós-Operatório.
Espero que apreciem esta partilha de conhecimento, e que esta, de alguma forma, possa contribuir para fomentar a vossa CONFIANÇA em nós, ENFERMEIROS PERIOPERATÓRIOS!

Para finalizar este artigo, que já vai bem mais extenso do que inicialmente previ…mas enfim, entusiasmei-me!…não poderia deixar de evocar a nossa mui querida FLORENCE NIGHTINGALE – “anjo ministrador”, conforme o terá referido Henry Wadsworth Longfellow, em 1857, no seu poema “Santa Filomena” –  e bem assim, evocar o seu papel, enquanto criadora da ENFERMAGEM MODERNA, destacando-se como a mulher que dedicou a sua Vida para “O CUIDADO DO OUTRO” e para a PROFISSIONALIZAÇÃO DA ENFERMAGEM, presenteada pela “DAMA DA LÂMPADA”, incansável missionária!

Por conseguinte, eis um resumo da  sua História de Vida,  que podem visualizar neste pequeno vídeo.

Espero que, até para a semana, se Deus quiser, e, SEJAM FELIZES!…Ou pelo menos, façam por isso, na medida do possível!…

Beijinhos.

 

Paula Pedro

 

Fonte: Pamarepe

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