Falta de técnicos e trabalho a mais põe doentes em elevado risco nos hospitais, alerta sindicato

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O sindicato dos técnicos de diagnóstico e terapêutica alertou hoje para o elevado risco de haver erro no tratamento de doentes nos hospitais públicos devido à redução de profissionais de saúde e ao aumento do volume de trabalho.

«As equipas [de profissionais que realizam exames como raio-x, ecografias ou análises] têm vindo a ser reduzidas, em alguns casos para cerca de 50% das equipas iniciais. O volume de trabalho aumentou para o dobro. Existe um elevado risco de haver erro. Há muita pressão e os tempos de descanso são violados sistematicamente», alertou o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS).

Em declarações à Lusa, Almerindo Rego disse que nos últimos três anos o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem perdido profissionais, uns que não aguentam a pressão e pedem a reforma antecipada (os mais velhos), outros emigram (os mais novos) ou desviam-se para o setor privado, que é «mais apelativo».

Acresce a isto o congelamento das admissões, que não permite a renovação dos quadros, explica, lembrando que a passagem de modelo de gestão de alguns hospitais para EPE transferiu para as unidades de saúde o ónus da contratação de recursos humanos, mas que por sua vez não são autorizadas pelas finanças.

Os hospitais estão a trabalhar com “serviços mínimos e a qualidade vem por aí abaixo”, afirmou, sublinhando que esta é uma situação generalizada nos hospitais do SNS.

“Já não é fácil identificar situações pontuais. O problema é estrutural, é um erro de origem, relacionado com a política de empregabilidade, com a política de renovação de quadros e com a emergência do setor privado: hospitais enormes com grande capacidade de resposta”, defendeu.

A partir daqui, o que acontece é que os técnicos “saltam para fora do sistema” e como “o privado quer o melhor que existe no público”, descapitaliza-se também a qualidade do SNS, disse o presidente do STSS.

“Esta baixa garantia de qualidade assusta. Mais para a frente vamos ver os efeitos desta situação”, alertou, acrescentando que “o sistema está completamente esmagado” e está a pôr em causa “a segurança dos doentes”.

O cenário é semelhante no que diz respeito aos médicos especialistas em radiologia, que estão a optar pelo setor privado, disse à Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos.

Para José Manuel Silva, esta realidade é uma “consequência da distorção do mercado introduzida pelo Ministério da Saúde”, já que o “público paga mal”, cerca de oito euros por hora, e os médicos preferem emigrar ou trabalhar no privado, onde a remuneração é maior.

O bastonário diz que muitos hospitais entregaram o serviço de radiologia em outsourcing e que outras unidades hospitalares têm equipamentos “obsoletos” que não servem sequer para fazer formação de novos radiologistas.

“São problemas estruturais. Os hospitais nunca deviam ser autorizados a fazer radiologia em outsourcing. Como formar novos especialistas? Onde formar? O SNS foi emagrecido, há serviços fundidos, outros em outsourcing, outros fechados”, concluiu.

Fonte: Diário Digital com Lusa

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