Urgências. Doentes chegam aos Hospitais em estado cada vez pior

0 18

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Investigação da Ordem dos Enfermeiros sugere que há mais doentes com grandes limitações nos hospitais.

Até pode haver menos idas às urgências, mas os hospitais estão a receber cada vez mais doentes muito debilitados do ponto de vista da sua autonomia, mas também do estado clínico. Uma investigação da Ordem dos Enfermeiros concluiu que, entre 2011 e 2014, a proporção de doentes com graus de dependência elevado ou total nas urgências aumentou 45%. No mesmo período aumentou ligeiramente também a proporção de doentes em estado mais grave, triados com pulseiras vermelha e laranja.

A Secção Regional Sul da Ordem, que coordenou o trabalho, diz haver indícios de que o fenómeno estará ligado ao envelhecimento da população, mas também a um adiar das idas aos serviços de saúde por motivos económicos, embora os dados não sejam conclusivos sobre os motivos. Para já, os responsáveis defendem que a constatação de que estão a agravar-se as limitações dos doentes deveria motivar mudanças na política de recursos humanos.
O estudo envolveu quatro serviços de urgência da região Sul do país. Pedro Aguiar, vogal da secção regional e co-autor do trabalho, diz que por motivos de confidencialidade não tornam públicos os serviços, mas revela que foram seleccionadas unidades de distritos diferentes, para haver uma maior representatividade. Um dos hospitais é da zona de Lisboa.

O estudo consistiu numa caracterização de uma amostra de utilizadores durante quatro anos consecutivos, sempre entre o fim de Setembro e a primeira quinzena de Outubro. Foi-lhes também aplicada uma escala de dependência à entrada e à saída. As situações de baixa dependência são aquelas em que o doente tem mobilidade e consegue queixar-se, enquanto as mais elevadas e totais se referem a doentes acamados ou que não conseguem sequer expressar o que sentem, muitas vezes por motivos de demência.

A amostra superou os 300 doentes em cada ano e permitiu aos responsáveis concluir que, nestes quatro anos, a percentagem de doentes triados com as pulseiras azuis e verdes baixou de 50,4% em 2011 para 41,9% em 2014. Aumentou, em contrapartida, a percentagem de doentes mais graves. As pulseiras amarelas subiram de 39,2% em 2011 para 44,8% em 2014, e as vermelhas de 10,4% em 2011 para 13,3% em 2014. Por outro lado, se diminuiu o peso de doentes com situações de dependência baixa, aumentaram os casos de dependência moderada, elevada e total. Tanto no caso da gravidade aferida na triagem como na dependência, 2013 parece ter sido o ano em que houve um maior agravamento dos doentes, já que no ano passado houve uma ligeira diminuição da proporção dos casos mais graves em ambas as variáveis, o que sugere alguma relação com a crise socioeconómica.

Mudanças Pedro Aguiar revela que continuaram o estudo este ano, tendo pedido dados, desta feita, a todos os serviços de urgência da região Sul, que abrange 4,4 milhões de portugueses. A evolução ainda está a ser avaliada. Para o enfermeiro, que é candidato à presidência da secção regional do Sul da OE nas eleições de Dezembro, este tipo de estudos deverá permitir um melhor planeamento dos recursos humanos. “Tendo em conta a complexidade cada vez maior dos doentes, até em termos de autonomia, não faz sentido as dotações dos serviços terem apenas em conta o afluxo dos doentes”, defendeu ao i. Segundo o responsável, conseguiram avaliar que 70% dos doentes melhoravam o estado em que chegavam quatro horas após a entrada no hospital, sobretudo em aspectos como a gestão da dor e a mobilidade. “São áreas em que o enfermeiro tem uma actividade autónoma e, havendo falta de profissionais nos hospitais, os ganhos para os doentes poderiam ser maiores”, diz Pedro Aguiar.

Fonte: IOnline

Gostar
Seguir
google

O melhor da PortalEnf no teu Email...

Assina a nossa Newsletter e recebe as últimas novidades da PortalEnf!

Obrigado por assinares. Se não receberes o mail de confirmação verifica a caixa de Spam!

Something went wrong.

Loading...
Share This Article:

close

Partilha isto com um amigo