Candidata a Bastonária Ana Rita Cavaco foi aos Açores reunir com enfermeiros

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A candidata a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, esteve em São Miguel durante quatro dias, onde reuniu com profissionais da área, tendo em vista as eleições para os órgãos nacionais, a realizar no dia 15 de Dezembro.
Recorde-se, o último ano eleitoral, realizado no dia 12 de Dezembro de 2011, foi contestado pelos candidatos da lista B, liderada por Ana Rita Cavaco, que invocou irregularidades cometidas pela mesa da Assembleia Regional da Secção Regional Sul.
Uma das irregularidades apontadas foi o facto de não ter ficado registada a recusa dos representantes da comissão de fiscalização da lista B em assinar a acta.
Em Dezembro do ano passado, o Tribunal Administrativo de Lisboa tinha decidido anular as eleições de 2011 para a Ordem dos Enfermeiros, mas o bastonário anunciara que recorreria da decisão.
Posteriormente, num acórdão datado do passado dia 9 de Julho, o Tribunal Central Administrativo do Sul veio “julgar improcedente” a reclamação da Ordem.
No acto eleitoral de 2011 concorreram cinco listas. “Há quatro anos tivemos eleições e foi um processo muito conturbado porque foi muito pouco transparente, mesmo no acto eleitoral. Foram cometidas várias irregularidades e quem decidiu isso foi o tribunal, que deu como provadas as irregularidades, anulando o acto eleitoral”.
Ana Rita Cavaco, de 39 anos de idade, esclareceu ao nosso jornal que “ao contrário da maioria das outras listas candidatas, cujos membros estão afastados da prática, há já muitos anos e estão na Ordem, em cargos diferentes”, a lista que representa “é composta por enfermeiros activos que nunca estiveram na Ordem”.

Mudar a “Ordem que só tem edifícios
e só sabe cobrar quotas”

Sobre os motivos da sua candidatura de há quatro anos, releva um dos pontos fulcrais da sua campanha. “Sentimos que a Ordem é uma entidade distante dos enfermeiros, por isso é que nos apresentámos, há quatro anos, a sufrágio, porque os enfermeiros sentiam, e sentem, que Ordem só existe para cobrar quotas”.
Ana Rita Cavaco defende uma “Ordem próxima dos Enfermeiros porque, independentemente de ser um órgão regulador e de servir para garantir a qualidade dos cuidados, e a segurança dos cidadãos, sempre que não o faz em consonância com os membros que representa, que são os enfermeiros, está a falhar ao país e aos cidadãos, porque quando não garante que os enfermeiros consigam tratar as pessoas, com condições de segurança, o que não tem acontecido nos últimos anos, porque não temos enfermeiros em número suficiente, nos serviços, para poder cuidar das pessoas, sempre que isso acontece, a ordem não está próxima dos enfermeiros nem dos cidadãos”.
E para mudar uma “Ordem que só tem edifícios e só sabe cobrar quotas”, a nossa interlocutora tem ainda outras sugestões que pretende pôr em prática. Desde logo, “a Ordem tem de fazer com que a enfermagem consiga caminhar sozinha com core próprio de competências. Claro, que os enfermeiros trabalham em conjunto com outras profissões, na área da saúde e isso será sempre assim, mas temos que ter um espaço próprio, até dentro do nosso corpo de intervenção, ao nível da enfermagem e definir o que queremos, que é uma coisa que ainda não aconteceu. As especialidades estão mal pensadas e não estão adequadas àquilo que hoje, as pessoas precisam. A forma como nos relacionamos com a sociedade e com o poder político não é das melhores porque, por um lado, a sociedade reconhece muito o nosso papel e o nosso valor, mas depois, os políticos não, e isso tem muito a ver com as instituições que nos representam e a forma como se apresenta perante o poder político, e tudo isso tem de mudar porque, efectivamente, apesar de sermos uma profissão muito jovem, do ponto de vista do ensino superior, teve uma grande evolução técnica e científica, que não se traduziu depois nos salários ou nas condições que são dadas para trabalhar, que é como se fosse, um parente pobre da área da saúde, relativamente a outras profissões, que têm licenciados e isto é preciso corrigir rapidamente, porque qualquer pessoa para trabalhar, que não são só os enfermeiros, precisa de ter dignidade e para cuidarmos dos outros, ainda mais”. Em Portugal existem mais de 65.000 enfermeiros.

“Os enfermeiros da prática farão a diferença”

Nas eleições, a lista de Ana Rita Cavaco, candidata a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros deverá encontrar a concorrência de mais quatro ou cinco listas, tal como aconteceu há quatro anos. Para reforçar a sua posição, e para além das propostas que defende, os maiores trunfos da sua campanha “são os enfermeiros da prática que farão a diferença, que nos Açores vão fazer uma equipa forte, sobretudo com uma representatividade muito grande. Os enfermeiros têm que se preocupar em levar para a Ordem pessoas que tenham a maior representatividade na prática porque não nos serve de nada termos pessoas à frente dos destinos da Ordem, que depois não sabem o que é que se passa no dia-a-dia dos enfermeiros, que trabalham 24 horas por dia a cuidar dos doentes. Portanto, temos que ter pessoas que saibam quais são as condições de trabalho e as dificuldades que os enfermeiros enfrentam diariamente nos serviços. Se assim não for, não nos serve de nada termos uma Ordem”.

Ana Rita Cavaco enfermeira da ADoP

Presentemente, Ana Rita Cavaco exerce funções na Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP). Na organização, as funções só podem ser desempenhadas por médicos ou enfermeiros. “O convite surgiu e não hesitei em aceitar porque é uma área muito interessante. Aliás, é uma das áreas, que na enfermagem, tal como muitas outras, como a enfermagem forense, que tem que se pensar em alargar competências e especialidades. Hoje, os enfermeiros estão presentes em muitas áreas da saúde, cuja Ordem não tem correspondentes na especialidade”.
A ADoP funciona em Lisboa, no Estádio Universitário, em frente ao Hospital de Santa Maria. É a organização nacional antidopagem com funções no controlo e na luta contra a dopagem no desporto, nomeadamente enquanto entidade responsável pela adopção de regras com vista a desencadear, implementar ou aplicar qualquer fase do procedimento de controlo de dopagem.
A ADoP exerce as suas competências no território nacional e, sempre que solicitada pela AMA ou federações internacionais, no estrangeiro.

Também tem jeito para a cozinha

Para quem não sabe, Ana Rita Cavaco é filha de António Cavaco, apresentador dos programas de culinária “Sabores das Ilhas”, “Sabores da Diáspora” e “Sabores do Mundo”.
Ao contrário do que se possa pensar, Ana Rita Cavaco não é açoriana, mas conhece a ilha de São Miguel desde os 7 anos de idade, altura em que o pai veio para cá morar. Tem irmãos micaelenses, mas nasceu em Almada. Vem regularmente aos Açores visitar a família, não só nas férias, mas também aos fins-de-semana. “No entanto, e agora com as low cost, a insularidade ficou mais reduzida”, admite.
A cozinha ocupa também um lugar de destaque no quotidiano de Ana Rita Cavaco. “Sem grandes vaidades, posso dizer que cozinho muito bem. Aprendi com o meu pai e com a minha avó. Pouca gente sabe disso porque, como as pessoas sabem que gosto muito de política, de questões associativas e de cidadania julgam que não tenho tempo para cozinhar, que é uma coisa que gosto muito de fazer e que me descontrai muito. Quando cozinhamos parece que o resto pára, ficamos ali emprenhados nos sabores e nos cheiros da comida. Por isso, acho que é uma coisa que nos transporta para memórias, para pessoas, para lugares e permite-nos viajar, às vezes, sem sair do mesmo sítio”.

Saber conseguir diminuir o erário público

Ana Rita Cavaco foi a São Miguel acompanhada de um outro membro da sua lista, nomeadamente Luís Barreira, que em tempos foi também Vice-Presidente na Federação Nacional de Estudantes de Enfermagem.
Este profissional de saúde enalteceu o trabalho do grupo regional liderado por Fernando Felgueiras, destacando que “parte com o sentimento de dever cumprido e satisfeito com a receptividade, de um grupo que se criou e que se mantém bastante activo e participativo. A nossa vinda serviu para reunir com o mesmo grupo que esteve connosco há quatro anos e perceber a sensibilidade deles nesta questão da candidatura”, precisou.
Luís Barreira aproveitou a oportunidade para referir que a Ordem dos Enfermeiros continua a não saber diminuir o erário público. “A Ordem ainda não teve a capacidade para perceber, que não é pelo facto das pessoas estarem isoladas que não podem participar, como acontece aqui nas ilhas, porque reunimo-nos cá, com colegas de São Miguel e ao mesmo tempo com outros colegas das outras ilhas, via Skype. Portanto, não há motivo nenhum para as pessoas não onerarem, em custos, os erário público, porque a Ordem é uma Associação de direito público, e em vez das pessoas se deslocarem de avião e perderem tempo, podem tranquilamente reunir connosco num determinado espaço, perto da sua casa, e é a mesma coisa se nós tivermos em Lisboa ou no Porto, porque estas questões das tecnologias facilitam muito as comunicações e a Ordem não está receptiva a isso, e é isso que também pretendemos mudar”, vincou.
Entretanto, a Ordem dos Enfermeiros realizou uma simulação de votação electrónica no passado dia 29 de Setembro, com o intuito de testar a plataforma online, realizando assim formação interna sobre os procedimentos e familiarizando os membros com o processo.

Fonte: Correio dos Açores

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