Construir Enfermagem em 2016

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Longe vai o tempo em que o enfermeiro era o mero instrumento da administração de terapêutica e pouco mais que o secretário e “ faz tudo” de outra classe profissional.

A evolução da profissão de enfermagem para um bacharelato e posteriormente para uma licenciatura e todo o conhecimento cientifico e “ know how” que está implícito no exercer da profissão, deve-se à estrondosa capacidade de luta de colegas que hoje, alguns deles, estão já reformados.

Quando ouvimos esses colegas, saudosos, falar de lutas e tempos que passaram, não consigo deixar de perguntar o que nos aconteceu, o que aconteceu à profissão de enfermagem.

Os enfermeiros passaram de empregados de outros, para bacharéis maravilhosamente engalanados na sua farda branca, posteriormente licenciados e especializados nas mais variadas áreas, formadores de outros profissionais, detentores de um conhecimento invejável por muitos, e no entanto, esqueceram-se de valores simples e universais que têm preservado algumas profissões, como companheirismo, união e perseverança.

Os enfermeiros esqueceram-se de regar a sua auto motivação, e encontram-se, no final de 2015, simplesmente arrastados num tsunami de acontecimentos que em curto espaço de tempo, os pode levar à sua própria destruição.

Só um individuo muito alienado da profissão desconhece que os enfermeiros, neste momento não são todos iguais, aliás, já nem as fardas brancas engalanadas anteriormente presentes em todas as instituições lhes permitem alguma proximidade com os demais colegas. Os enfermeiros têm hoje diferentes remunerações para as mesmas funções, diferentes vínculos na mesma unidade funcional, diferentes condições de trabalho, e sem qualquer dúvida, diferentes motivações e estados de espirito dominantes. Mas não é para falar de diferenças que estamos aqui hoje, mas falar do que nos une.

A envolvência social e politica é muito diferente da de há 20 anos atrás, a euforia europeia há muito que se extinguiu. Afinal a adesão a uma Comunidade Europeia não nos trouxe apenas uma moeda única e a extinção de fronteiras. E não podemos ter hoje uma visão a duas dimensões da nossa profissão, pois foi essa postura despreocupada nos últimos 10 anos que nos levou a uma fase que no mínimo, podemos descrever como descendente.

As funções de instituições como Sindicatos ou Ordens  de Enfermeiros estão neste momento num período de mudança, ou melhor, será necessário criar uma sinergia entre essas mesmas instituições em prol da profissão, porque todos os esforços serão com toda a certeza necessários para inverter esta tendência decrescente da profissão de enfermagem.

Encontrar uma linha orientadora que propulsione os esforços no sentido da melhoria da profissão, quer seja na pessoa da Ordem ou dos Sindicatos, e com o incondicional apoio dos restantes, é primordial neste momento. Num universo de 65 000 enfermeiros, a imensa abstenção nas votações quer sejam na lista para a OE ou a ausência de mais do que uma lista em um dos sindicatos, apenas demonstra o quão distantes os enfermeiros estão do seu futuro.

Este é o momento em que os enfermeiros se devem unir, aproveitando as alterações decorrentes das eleições, e delinear uma estratégia conjunta entre colegas de serviço, instituições, sindicatos e Ordem.

Este é o momento para esquecer as mais variadas diferenças entre colegas, muito mais significativas do que a simples cor da farda e a total ausência do cap que em tempo nos definiu, e  tal como no Feiticeiro de Oz, devemos, todos nós, percorrer uma Estrada de Tijolos Amarelos  ( e o amarelo é a cor presente nas nossas fitas e anel de curso)e encontrar o caminho que nos leva ao reconhecimento de uma profissão muito nobre e necessária para a manutenção da saúde de todos os portugueses.

Somos universais, sempre presentes, desde o momento do nascimento até ao último sopro de vida, e merecemos ser lembrados e valorizados pelo que fazemos. Ninguém traz como nós, a lembrança das famílias de quem cuidamos.

E como tal, devemos aproveitar a mudança de ano, e o inevitável pedido de desejos acompanhados de umas passas e um golo de espumante, para desejarmos intrinsecamente a força e a capacidade de não desistir, de não recusar alianças que nos possam abrir as portas para novas conquistas.

Os enfermeiros não necessitam de cavalos branco e nevoeiro, precisam de se encontrar e ter a força para percorrer o caminho de um futuro brilhante.

Mara Pires

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