Morte de jovem no hospital: enfermeiros responsabilizam anterior Governo pela falta de equipa especializada

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Presidente do Sindicato dos Enfermeiros, que fala em “situação inacreditável”, diz que foi apresentada uma proposta ao Ministério então liderado por Paulo Macedo para resolver a falta de equipa de neurorradiologia de intervenção ao fim de semana na Grande Lisboa, não tendo sido dado “seguimento ao caso”. David Duarte, de 29 anos, morreu depois de lhe ter sido diagnosticado uma hemorragia cerebral decorrente de um aneurisma – a equipa que o podia salvar não o fez porque não trabalha ao sábado e domingo

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, afirmou esta quarta-feira que os serviços da equipa de neurorradiologia de intervenção do Hospital de São José, suspensos desde 2013, poderiam ter sido retomados em maio deste ano, mas a tutela acabou por não autorizar tal decisão.

José Carlos Martins falava em reação ao caso do jovem de 29 anos que acabou por morrer por não ter a assistência atempada da equipa médica em causa, uma vez que esta recusa trabalhar ou estar de prevenção ao fim de semana devido à remuneração que o Estado oferece.

Em declarações à TSF, o presidente daquele sindicato esclareceu que “a situação é tão inacreditável” que, em maio deste ano, “os quatro serviços de neurorradiologia da Grande Lisboa disponibilizaram-se para construir uma única equipa na Grande Lisboa”. No entanto, tal não chegou a acontecer, explica José Carlos Martins: “A tutela não deu seguimento ao caso”.

De acordo com o relato do presidente daquele sindicato, “esta situação já se repetiu muitas vezes”, razão pela qual as equipas desta especialidade médica que excercem na área da Grande Lisboa decidiram atuar: “Decidiram trabalhar espontaneamente, porque todos os fins de semana viviam os dramas dos doentes”.

Saudando a decisão dos familiares do jovem, que denunciaram a situação à Ordem dos Médicos, José Carlos Martins acrescentou ainda que a ausência de uma equipa da especialidade se deve aos “cortes orçamentais” e à “baixa retribuição” que os profissionais da saúde recebem pelo seu trabalho.

David Duarte deu entrada no Hospital de São José, em Lisboa, na sexta-feira dia 11 de dezembro, com dificuldades em falar e o lado direito do corpo paralisado. Diagnosticada a hemorragia cerebral decorrente de um aneurisma, os médicos acabaram por informar a família de David de que o jovem precisava de ser operado rapidamente, mas que tal só poderia acontecer após o fim de semana, dada a indisponibilidade da equipa que o poderia operar. Na segunda-feira seguinte, David entrou em morte cerebral, num processo que os médicos consideraram irreversível.

Na sequência deste caso, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, a presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (inclui o São José), Teresa Sustelo, e o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (inclui o Santa Maria), Carlos Martins, apresentaram a demissão. Luís Cunha Ribeiro garantiu que situações destas não voltarão a ocorrer.

A partir deste momento, e foi-nos autorizado pela equipa do Ministério da Saúde, em ambos os hospitais passa a haver resposta para situações deste género. Isto não limpa nem permite esquecer ou desculpar o que aconteceu, mas demonstra a vitalidade do SNS e a sua capacidade de resposta.”

Fonte: Público

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