Custo da noite – Artigo de opinião

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Na Enfermagem, o trabalhador-tipo é Enfermeira, 40 anos, trabalha num hospital e por turnos. A enfermeira Manuela, para além destes dados e de trabalhar num serviço de Urgência, é casada, tem dois filhos ainda crianças e família. Com a imposição das 40 horas, durante mais de um ano e até há cinco meses, no seu horário de 4 semanas/28 dias realizava: 4 manhãs (8h00/16h30), 10 tardes (16h00/24h30) e 8 noites (24h00/8h30), incluindo ao fim de semana.

Pelo meio destes turnos tinha 6 dias de descanso. Para “aguentar” o trabalho das noites tinha que dormir na véspera, durante a tarde.

A enfermeira Manuela, 17 dias (fazia tardes e noites) em cada 28: não pode ir buscar os filhos à escola e não acompanhou o seu estudo pós-aulas, não jantou em casa e/ou com o marido e filhos, não esteve presente no adormecer dos filhos, não dormiu a totalidade ou parte das noites em casa, e, pelo menos 8 dias, não pode levar os filhos à escola.

Qual “vida familiar ou social”?

Com o corte das “horas de qualidade/turnos” em 50%, o valor-hora dos turnos é acrescido de 2/3 euros. “Este dinheiro compensa esta vida”?

Exausta, ao fim de 5 meses “meteu baixa” e há 2 meses deixou de fazer turnos. As enfermeiras Manuelas são aos milhares.

Artigo de Opinião de JOSÉ CARLOS MARTINS- Presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

Publicado em: http://www.cmjornal.xl.pt/

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