Nos EUA, mulheres fazem campanha por produtos menstruais gratuitos e sem impostos

0 75

É um paradoxo. Todos sabem que a maioria das mulheres menstrua, mas mesmo numa época de partilha ostensiva, esse facto é tratado como um tabu.

Agora, um número crescente de defensoras, empreendedoras e deputadas está a desafiar esse tabu, falando publicamente sobre menstruação (e, sim, na presença de homens). Elas querem que o assunto esteja na pauta das discussões públicas e exigem que negócios e governos levem a menstruação em consideração quando estiverem a projectar instalações, a desenvolver orçamentos, a abastecer escolas ou a criar programas de combate à pobreza.

Pedem tampões em todas as casas-de-banho públicas. E querem que sejam de graça. Para quem tem escrúpulos sobre o assunto, a mensagem é: habitue-se.

«Acho que muita gente, homens e mulheres, provavelmente fica um pouco desconfortável a pensar ou a falar sobre a menstruação. Estamos a pensar em como podemos mudar a conversa», afirma a representante Grace Meng, democrata de Nova Iorque.

No início do ano, Grace percebeu que a Agência Federal de Administração de Emergências não permitia que os fundos de assistência às pessoas sem-abrigo fossem usados para adquirir produtos de higiene feminina, apesar de fornecerem sabonete, fraldas, pasta de dente e roupas íntimas. Ela fez um apelo para o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson, supervisor da agência. O administrador da agência, W. Craig Fugate, escreveu de volta a dizer que os itens seriam adicionados à lista de produtos permitidos. A nova lei será adicionada aos manuais que sairão em Abril, afirma Grace.

«A menstruação é uma coisa que as mulheres não podem controlar», explica Grace, afirmando que ouviu relatos de muitas sem-abrigo que usam trapos ou sujam as suas roupas porque não têm acesso aos produtos de higiene apropriados. «Produtos usados para a menstruação não deviam ser tratados como itens de luxo.»

Em Nova Iorque, a vereadora Julissa Ferreras-Copeland lançou um projecto piloto para instalar máquinas de distribuição gratuita de tampões nas casas-de-banho femininas da Escola Superior de Artes e Negócios em Corona, no Queens, com o objectivo de que a iniciativa chegue a todas as escolas da cidade. As máquinas e produtos sanitários estão a serdoados pela Hospeco, fornecedora de produtos de higiene pessoal de Cleveland.

Outras iniciativas surgem por todo o país. Em Wisconsin, os deputados apresentaram uma lei que tornaria produtos sanitários disponíveis em casas-de-banho de todos os prédios públicos, inclusive nas escolas.

Em Columbus, Ohio, a vereadora Elizabeth Brown quer que o WC dos centros recreativos e piscinas comunitárias da cidade também tenham esses produtos à disposição das utilizadoras, assim como as escolas públicas. «As meninas que ficam menstruadas não deveriam ter que ir até à enfermaria. A mensagem subjacente é ‘há algo de errado comigo’. Com certeza podemos concordar que ficar menstruada não é uma doença mensal.»

Na Escola George, centro de ensino particular em Newton, na Pensilvânia, Vienna Vernose ficou chateada quando um jovem reagiu com nojo ao ver um tampão cair da sua mochila. Ela falou sobre isso com colegas no Seminário de História da Mulher, e eles decidiram criar a campanha de Igualdade de Produtos Menstruais, colocando potes cheios de tampões em áreas públicas durante o período de visitação da escola. Cartazes ao lado dos potes diziam: «Para qualquer pessoa que precise deles. Nunca tenha vergonha do seu corpo e do que ele precisa.»

«Tampões e pensos higiénicos deveriam ser tratados como papel higiénico – são equivalentes», constata Nancy Kramer, empreendedora de Columbus, Ohio, que começou a Libere os Tampões, uma campanha para tornar os produtos femininos disponíveis em todas as casas-de-banho. Ela diz que o custo de colocar produtos sanitários nas casas-de-banho de escolas ou de escritórios é de 4,67 dólares por menina por ano. «A menstruação é uma função normal do corpo e deveria ser tratada como tal.»

Enquanto a maioria dos Estados isenta itens que não são de luxo como mantimentos e medicamentos de impostos sobre as vendas, já que são considerados de primeira necessidade, os críticos apontam que a grande maioria ainda taxa produtos sanitários. Até agora, 55 mil pessoas assinaram uma petição online iniciada pela revista Cosmopolitan, para acabar com esses impostos.

Fonte: Diário Digital

O melhor da PortalEnf no teu Email...

Assina aqui a nossa Newsletter e recebe todas as novidades da PortalEnf!

Obrigado por assinar. Vais receber um mail... verifica a caixa de Spam!

Something went wrong.

Loading...
Share This Article:

close

Partilha isto com um amigo