Quase 800 enfermeiros nos centros de saúde. Sim, mas só daqui a alguns anos

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Antigo Governo lançou concurso há meio ano. Candidataram-se 11 mil enfermeiros para 774 vagas, mas ainda nem se conhece a lista definitiva de candidatos aceites. O júri só tem três membros.

Graça Silveira Machado é vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros e também esteve envolvida num concurso semelhante realizado em 2012. Só foi colocada no final de 2015 e sublinha que desse concurso, muito mais pequeno, ainda há vagas por preencher.

É este histórico que leva os representantes da classe a estarem convencidos que se as regras não mudarem o concurso que arrancou há seis meses vai demorar três ou quatros anos a estar concluído.

Contactada pela TSF, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que está a desenvolver o processo para colocar os 774 enfermeiros nos centros de saúde, explica que se candidataram 10.957 enfermeiros, não tendo sido ainda publicitada a lista definitiva de candidatos admitidos mas apenas uma lista provisória e uma retificação.

A ACSS sublinha que há uma série de formalidades que é preciso seguir, mas que o júri está a fazer “todos os esforços” para “imprimir a maior celeridade possível ao processo”, tendo em conta a lei e “o elevado número de candidaturas”.

Ordem e sindicato dizem que júri não tem meios

A Ordem dos Enfermeiros explica que a este ritmo só daqui a três ou quatro anos é que os centros de saúde vão ter, de facto, os enfermeiros ao serviço. Uma lentidão agravada por ser obrigatória uma entrevista a cada um dos milhares de candidatos admitidos no concurso, algo que, segundo os representantes dos profissionais, não faz sentido pois bastaria a avaliação curricular.

Uma posição subscrita pelo Sindicato dos Enfermeiros que acrescenta outro problema: o júri que vai avaliar tantos candidatos tem apenas três membros e sem um reforço de meios será impossível acelerar o processo.

Graça Silveira Machado sublinha ainda que todos estes atrasos levam a que muitos enfermeiros quando são chamados já mudaram de vida e não estão interessados no lugar, o que volta a adiar a colocação.

Médicos de família sublinham urgência de ter mais enfermeiros

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, que representa os médicos de família, explica que estes atrasos nos concursos de colocação de pessoal no Serviço Nacional de Saúde são infelizmente mais comuns do que se pensa, e não apenas no caso dos enfermeiros.

Rui Nogueira explica contudo que os centros de saúde têm hoje falta de enfermeiros e sem eles não é possível desenvolver os cuidados de saúde primários.

Fonte: TSF

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