Tirar anticorpos. Técnica ajuda a encontrar mais dadores de rim

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Limpar o sangue de anticorpos permite receber um órgão de um dador que não era compatível e com bons resultados. No Centro Hospitalar do Porto já se fizeram 11 transplantes com esta técnica

Para Clint Smith, advogado de 56 anos a viver em New Orleans (Estados Unidos), fazer o transplante de rim foi devolver-lhe a vida. Ainda mais quando tudo parecia impossível, por ter uma enorme incompatibilidade de anticorpos com quase todos os dadores e que o colocou por um tempo interminável na lista de espera e a fazer diálise. A dificuldade foi ultrapassada com o recurso à técnica de dessensibilização, que passa por retirar os anticorpos do doente de forma que não rejeite o órgão do dador.

As dúvidas que existiam em relação ao sucesso parecem estar agora afastadas, graças a um estudo norte-americano que avaliou 1025 transplantados com esta técnica. Há mais doentes vivos transplantados com esta técnica do que os que ficaram em lista de espera e depois receberam um rim de dador cadáver ou que do que não saíram na lista. Após oito anos de transplante os resultados foram ainda mais expressivos. O estudo foi publicado ontem no The New England Journal of Medicine, Dia Mundial do Rim. Em Portugal há dois mil doentes em lista de espera para transplante de rim. O tempo médio é de quatro anos, mas para doentes incompatíveis, a espera é muito maior.

A dessensibilização não é uma técnica completamente nova, mas até agora não havia dados que mostrassem de forma tão clara o seu sucesso. “Cada hospital tem poucos casos. O que aqui se fez foi juntar casos de 22 hospitais e que deram mais de mil transplantes. Compararam-nos com cinco mil doentes que foram transplantados com dador cadáver e outros cinco que ficaram em lista de espera. Com esta publicação houve número suficiente para reproduzir o que se sabia: é possível fazer transplante com incompatibilidade HLA e traz ganhos”, disse ao DN Leonídio Dias, nefrologista da unidade de transplantação renal do Centro Hospitalar do Porto (CHP).

A resistência até agora de muitos hospitais, adiantou o especialista, está relacionado com o facto de a incompatibilidade trazer maior probabilidade de rejeição e com isso se poder desperdiçar um órgão. Com a dessensibilização, afasta-se esse risco. “A existência de anticorpos contra antigénios nos tecidos dos potenciais dadores é uma das grandes barreiras à transplantação, porque ao reagirem podem levar à destruição do órgão por rejeição. É preciso retirar o plasma do doente para tirar os anticorpos e damos medicação para evitar produção de anticorpos”, explicou.

“É uma técnica que pode aumentar mais a possibilidade de transplantes com dadores vivos e de dar resposta a pessoas em lista de espera com poucas probabilidades de encontrar um dador compatível”, reforçou o clínico, adiantando que existem vários graus de incompatibilidade e o resultado é melhor quanto menor este for. Quanto a custos, sai mais barato fazer um transplante com esta técnica do que manter o doente em diálise.

11 transplantes feitos no Porto

A técnica é usada há cerca de uma década no hospital de Santo António (CHP). Leonídio Dias recorda os primeiros transplantes que realizaram com dessensibilização. “O primeiro caso foi de um doente sem hipótese de fazer hemodiálise, porque já não tinha acessos vasculares, ou diálise peritonal e de transplante com dador cadáver por ter anticorpos a praticamente toda a população. Estudámos a mãe e o pai, fizemos a dessensibilização e usámos um rim da mãe. O segundo caso foi numa criança na mesma situação. Eram transplantes urgentes, sem dador cadáver ou hipótese de diálise. Quando percebemos o sucesso, alargamos a outros casos”, explicou.

Até ao momento, o Centro Hospitalar do Porto realizou 11 transplantes com recurso à dessensibilização. Técnica que aplicam quando os transplantes são com dadores vivos, mas também quando o rim a transplantar é de um dador cadáver. E não apenas aqui. No final de novembro de 2014, o Centro Hospitalar do Porto realizou o primeiro transplante renal entre duas pessoas incompatíveis no grupo sanguíneo.

Fonte: Diário de Notícias

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