O QUE NÃO SE DIZ SOBRE OS HOSPITAIS PÚBLICOS

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Partilho aqui este testemunho retirado do blog ccstylebook. Para refletir!

Diz-se muita coisa sobre os hospitais públicos portugueses. Inclusive que se pratica a eutanásia. Fala-se em filas de espera intermináveis. E absolutamente, desesperantes. Vêem-se doentes apoiados nas paredes dos corredores das urgências porque faltam camas. Muitas camas. Não raras vezes, até faltam rolos de papel higiénico nas casas de banho. Esperam-se entre 4 a 6 horas, na melhor das hipóteses, para alguém, de batina branca, em quem nos custa confiar, nos olhar a uma distância de segurança recomendável durante 5 minutos.Diz-se que se cometem erros. Muitos. Que há negligência médica. Em todo o lado. E que existiriam estórias com desfechos diferentes se… se… se…

Eu confesso-vos. Eu nunca recorri a hospitais públicos por razões várias. Primeiro, pelo medo de ser “abandonada” e esquecida numa ala qualquer, sem ter a quem confessar os meus males (sou hipocrondríaca por natureza). Segundo, porque sempre desconfiei que nos hospitais públicos nunca se fazia tudo o que se podia fazer para tratar o doente “de cima abaixo”. Sempre entrei nestas instituições na qualidade de visitante, até ao dia em que me tornei utente, primeiro no Hospital do Divino Espírito Santo de Angra do Heroísmo e posteriormente no Hospital de Santo António dos Capuchos em Lisboa. Não me senti lá muito à vontade, dormir aquelas duas noites sozinha, isolada, no quarto de um hospital desconhecido à espera do vaticínio final. Mas fi-las. Não tinha outra hipótese.

Os médicos são rápidos e cirúrgicos a dizer as coisas: “tens uma leucemia, vais ser transferida para Lisboa ainda hoje”. E depois consoante a reacção do doente, ajustam-se mais ou menos à situação. Não contive as lágrimas, mas aguentei-me firme. “Não é o fim”. Disse-me a médica e saiu do quarto. Até agora, eu já consegui perceber uma coisa, se eles trabalham rápido, transmitindo-nos muitas vezes a sensação de que não se interessam minimamente pelos nossos casos, é porque, eles, essas ditas pessoas de batina branca, em quem nos custa confiar, têm à sua conta muitos fins para impedir. E muita gente para salvar. 

Ainda me lembro das lágrimas da Enf.ª Elisabete quando me entregou aos médicos do Santo António dos Capuchos e me disse adeus. Aí, eu senti que estava no meio de seres humanos feitos do mesmo tecido do que eu. Hoje, posso dizer-vos, sem medos e sem receios que no hospital onde sou seguida, não tenho médicos, nem enfermeiros, nem auxiliares a tratar de mim, tenho uma verdadeira família. Uma família que começou nesta luta comigo e que tenho a certeza que me acompanhará até ao fim.

Diz-se muita coisa sobre os hospitais públicos portugueses. Mas não se diz que as enfermeiras nos acordam com um bom dia ruidoso e nos obrigam a saltar da cama p´ra fora para a ver luz do sol que entra pela janela dentro. Não se contabilizam as vezes sem conta que as auxiliares passam a noite a trazer-nos cházinhos para as dores de barriga. Também não se conta que nos dão beijinhos nas carecas e que nos enxugam as lágrimas. Não se conta que estrangulamos, com frequência, as mãos das enfermeiras quando os exames são dolorosos. Nem se conta que elas não só cuidam de nós, como cuidam do pai, da mãe, da irmã e da família, em pânico. Não se diz que se encontra gente de carne e osso, mas eu encontrei. E só lhes posso estar muito grata por isso. Obrigada.  “

Fonte: http://www.ccstylebook.com

São palavras como estas que representam o maior reconhecimento que podemos ter da parte dos nossos utentes e familiares!

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