Diálise Peritoneal e os Cuidados de Enfermagem

A diálise peritoneal é uma técnica de diálise que permite ‘limpar’ o sangue através da introdução de uma solução especial na barriga (através de um cateter). Este fluido coleta os resíduos e o excesso de sal e água do sangue que depois é drenado para fora da barriga.

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A diálise peritoneal é uma técnica de diálise que permite ‘limpar’ o sangue através da introdução de uma solução especial na barriga (através de um cateter). Este fluido coleta os resíduos e o excesso de sal e água do sangue que depois é drenado para fora da barriga.

As principais indicações clínicas são hiperpotassemia, uremia, creatinina sérica alterada, ácidos no sangue, sinais de edema, quantidade de urina alterada do ponto de vista fisiológico, etc.
O médico nefrologista junto com o paciente e/ou responsável decide em comum acordo iniciar o tratamento dialítico.

A equipe de enfermagem pode ajudar de forma a esclarecer e prestar informações sobre o tratamento em si de forma clara e adaptada ao vocabulário e compreensão do paciente e acompanhante. É neste momento que o enfermeiro deve obter o consentimento assinado, aferir sinais vitais, dados antropométricos e registrar os valores da dosagem de eletrólitos e examina o abdome, com o objetivo de preparar o paciente para o procedimento.

Mecanismo de funcionamento
O próprio termo Diálise Peritoneal nos traz a pista de como e onde ocorre a atividade dialítica. Diálise indica uma função externa com a mesma finalidade fisiológica do rim, neste caso peritoneal, pois, compromete a região anatómica do peritoneo que atua como um filtro removendo as toxinas e excesso de líquido.

É muito complexo o procedimento como um todo devido ao mecanismo fisiológico que é desempenhado para ocorrer o procedimento.
O que devemos destacar é o seguinte:

De forma objetiva a literatura nos mostra que um líquido é inserido na cavidade peritoneal do paciente e drenado através de um cateter (ex. Tenckoff) que é um tubo flexível, implantado através de um procedimento cirúrgico de baixa complexidade, podendo ser inserido na beira do leito ou em centro cirúrgico, com anestesia local no abdomen. Este líquido permanece por um período na cavidade peritoneal, e na sequência é drenado. Neste procedimento acontecem dois eventos bioquímicos (difusão e osmose) devido à movimentação de substâncias no sangue (ex. potássio, uréia) com o líquido estéril do dialisado, através da membrana peritoneal.

Existem dois grandes tipos de diálise peritoneal:

Diálise peritoneal ambulatória contínua – as trocas são feitas de forma manual (cerca de três a cinco trocas durante o dia e uma permanência durante a noite) pelo próprio doente. Cada troca leva cerca de 30 a 40 minutos.
Diálise peritoneal automatizada – neste tipo é uma máquina que faz as trocas, o que ocorre habitualmente durante a noite enquanto o doente dorme, deixando o doente livre para as suas atividades durante o dia.

Cuidados no domicílio: Durante a técnica de troca realizar lavagem das mãos e uso de máscara para evitar contaminação do equipamento. Método de limpeza recomendado é lavagem com água e sabão, o local de saída não deve ser submerso na água, pode colocar uma gaze cobrindo o local.

Principais complicações possíveis:
– Peritonite.
– Extravasamento.
– Sangramento.
– Hipertrigliceridemia.
– Hérnias abdominais, dor lombar, constipação intestinal.
– Formação de coágulos no cateter peritoneal.

Que problemas podem acontecer durante a diálise peritoneal?

Uma infeção da pele ao redor do tubo.

Uma infeção dentro da barriga (denominada ‘peritonite’). A peritonite pode causar dor de barriga, febre, náuseas ou diarreia e o líquido que sai da barriga virá turvo. O tratamento geralmente inclui antibióticos que são administrados na barriga com o fluido de diálise.

Uma hérnia. A hérnia ocorre quando um músculo da barriga se torna fraco. Esta situação geralmente não dói e é tratada com cirurgia.

 

Quais são os cuidados a ter em diálise peritoneal?

Pesar-se todos os dias.

Prestar atenção à pele em torno do cateter e seguir as instruções que tenham sido dadas pelo médico ou enfermeiro.

Seguir a dieta recomendada. Apesar da diálise peritoneal permitir alguma liberdade maior em relação ao consumo de água, não deve haver abusos.

 

Em resumo, quais as vantagens e desvantagens da diálise peritoneal?

Vantagens Como já foi dito atrás, as vantagens não se centram em diferentes eficácias, mas naquilo que pode ser mais adaptado ao estilo de vida de cada doente. A diálise peritoneal permite menos idas ao hospital/centro de diálise e maior liberdade no que diz respeito às restrições alimentares.

Desvantagens – As pessoas em diálise peritoneal têm de ser responsáveis pelo seu próprio tratamento (entender como configurar o equipamento para cima e usar as mãos para ligar e desligar pequenos tubos) ou ter alguém que o possa fazer por si, diariamente. Em termos técnicos, existe ainda um aumento do risco de hérnia pelo aumento da pressão no interior da cavidade abdominal e de infeção no local do cateter ou no interior do abdómen (peritonite).

Cuidado de Enfermagem
– Ensino sobre o autocuidado (dieta balanceada, higiene corporal, etc).
– Ensino sobre manuseio da DP (lavagem das mãos, uso de mascara, etc).
– Avaliação de dados antropométricos e bioquímica sanguínea.
– Avaliação do progresso do tratamento.

Dicas a nível hospitalar
– Utilizar EPI e lavagem das mãos.
– Terapia IV (velocidade lenta, controlada em bomba de infusão).
– Registrar balanço hídrico.
– Avaliação cardíaca e respiratória frequente (vulnerável a ICC, EAP etc).
– Monitoramento do aporte nutricional (alterações eletrolíticas).
– Suspender agente anti-hipertensivo antes da diálise (evitar hipotensão).
– Apoio psicológico (expressão de emoções, sentimentos).

Com estas informações é possível prestar um atendimento com mais segurança e confiança em sua prática profissional.

Fontes: pelorim.pt , sbn.org.br

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