Greve dos trabalhadores da saúde ronda os 80%

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Paralisação destina-se exigir a reposição das 35 horas semanais a todos os trabalhadores e a celebração de um acordo coletivo de trabalho, assim como o pagamento de horas extraordinárias

A adesão à greve dos trabalhadores do setor da saúde, que começou às 00:00 de hoje, ronda os 80% a nível nacional, segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Os dados divulgados respeitam ao primeiro e segundo turnos de trabalho e, segundo a federação sindical, mostram que a paralisação “correspondeu aos anseios dos trabalhadores”.

Segundo Ana Avoila, coordenadora da Federação, há mesmo hospitais em que a adesão à greve é de 100%, mantendo apenas os serviços mínimos.

Os funcionários do setor da saúde iniciaram hoje uma greve de 48 horas, para exigir a reposição das 35 horas semanais a todos os trabalhadores e a celebração de um acordo coletivo de trabalho, assim como o pagamento de horas extraordinárias.

“Esta greve cumpriu inteiramente os objetivos. Não estão ainda os dados finais recolhidos, podemos falhar dois ou três por cento. Mas [a adesão] vai rondar certamente os 80%. É uma das maiores greves que a saúde fez”, declarou Ana Avoila, numa conferência de imprensa em Lisboa, destinada a fazer um balanço da paralisação dos trabalhadores da saúde.

Desde as 00:00 de hoje, estão em greve assistentes operacionais, assistentes técnicos, técnicos de diagnóstico e terapêutica e técnicos superiores de saúde. Há também hoje uma greve de enfermeiros, em cinco distritos e que, na sexta-feira, será uma greve a nível nacional.

Sobre a questão das 35 horas, Ana Avoila sublinhou que “não faz sentido que uns [trabalhadores] tenham e outros não”, nem que o Governo “tenha prometido” as 35 horas para todos e “não o cumpra”.

A Federação insiste que o Ministério da Saúde deveria resolver o problema negociando com os trabalhadores um contrato coletivo de trabalho, o que ainda não se verificou. Em causa estão os trabalhadores com Contratos Individuais de Trabalho, que, nalguns hospitais EPE, chegam a representar metade dos profissionais.

Outra das reivindicações é a reposição integral do pagamento das horas extraordinárias, com a Federação a alegar que há 500 horas para pagar aos trabalhadores.

“Este Governo tem estado connosco à mesa. É preciso discutir connosco a sério como vai concretizar. Se pagando tudo de uma vez, se em partes. Estamos a reivindicar o total integral que deve. Se não têm dinheiro para pagar as 500 horas num mês, pode pagar em duas, mas têm de pagar o valor integral”, disse Ana Avoila.

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais exige ainda a contratação de mais profissionais, tendo em conta que “o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está de rastos”, faltando trabalhadores em várias categorias.

Um dos problemas é também a demora dos concursos para recrutamento, que levam pelo menos seis meses na administração pública.

“Já era tempo de criar mecanismos para que um concurso não levasse mais do que um mês”, apelou Ana Avoila.

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