Choque sético: descoberto mecanismo importante

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Investigadores belgas descobriram um mecanismo importante da sépsis, uma reação exagerada do sistema imunitário a uma infeção, dá conta um estudo publicado na revista “EMBO Molecular Medicine”.

Nesta condição, o cérebro é incapaz de conter uma resposta inflamatória, causando falência de órgãos ou “choque séptico”. Na sépsis, a inflamação aguda está associada à pressão arterial baixa e à formação de coágulos sanguíneos, o que faz com que os órgãos parem de funcionar. Apesar de a via ser uma infeção, podem ocorrer respostas inflamatórias semelhantes no caso de danos físicos, como queimaduras graves ou lesões causadas por acidentes rodoviários.

Todas estas condições são classificadas sob o termo genérico de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistémica (SIRS, sigla em inglês). Apesar de os médicos tratarem por vezes a infeção subjacente com antibióticos ou fornecerem suporte artificial para as funções vitais, até à data ainda não foi desenvolvido nenhum tratamento para a SIRS ou sépsis.

Há muito que se acreditava que as vesículas extracelulares presentes nos fluidos biológicos eram libertadas das células para que o lixo celular fosse eliminado. Contudo, os investigadores da Universidade de Gante, na Bélgica, provaram que a inflamação no sangue sinaliza o plexo coroide no cérebro, o local que produz o fluido cerebral, para libertar as vesículas extracelulares que transferem o sinal inflamatório para o cérebro.

Roosmarijn Vandenbroucke, a líder do estudo, explica que quando ocorre um trauma ou uma infeção, uma parte específica do cérebro deteta níveis sanguíneos anormais ou a presença de substâncias estranhas como as bactérias. Como consequência são libertadas vesículas extracelulares que contêm informação muito importante sobre a condição do organismo. Estas estruturas celulares viajam através do fluido cerebral, acabando por atingir o sistema nervoso central e alertar o cérebro.

“Descobrimos uma nova forma de comunicação entre o sangue e o cérebro que é muito importante para o choque sético”, revelou, em comunicado de imprensa, a investigadora.

De acordo com os cientistas, estes achados podem ser vistos como uma “ligação perdida” entre uma infeção e uma inflamação generalizada que, por vezes, coloca a vida em risco. Ao terem conseguido bloquear com sucesso a secreção das vesículas em ratinhos através de um inibidor da produção das vesículas, os investigadores demonstraram que as doenças inflamatórias, como a sépsis, podem ser tratadas de igual forma nos humanos.

Fonte: Univadis

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