Todos os hospitais deviam ter consultas e unidades de internamento em geriatria

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O especialista João Gorjão Clara defendeu  que deviam ser criadas consultas e unidades de internamento em geriatria em todos os hospitais do país para dar “uma resposta mais adequada” aos problemas dos doentes idosos.

Gorjão Clara, um dos principais impulsionadores deste ramo de medicina em Portugal, criou, em 2011, uma consulta multidisciplinar de geriatria, que funciona no Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).

Nesta consulta, uma equipa multidisciplinar avalia o doente nas mais variadas vertentes (clínica, social, emocional, intelectual e físico) para que o médico consiga responder mais adequadamente aos seus problemas, explicou o geriatra, que falava à Lusa a propósito do 12º Congresso Internacional da Sociedade de Medicina Geriátrica da União Europeia, que decorre entre quarta e sexta-feira em Lisboa.

Há ainda a possibilidade de se marcar nesta consulta uma visita domiciliária, na qual se dá apoio terapêutico, mas também se procura detetar fatores de risco de acidentes domésticos e dar conselhos sobre alimentação, entre outras intervenções.

Para o coordenador da Unidade Universitária de Geriatria da Faculdade de Medicina de Lisboa e coordenador do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, esta consulta devia funcionar em todos os hospitais do país, tal como deviam ser criadas unidades de internamento em geriatria.

“É preciso replicar esta consulta por todos os hospitais e é preciso que todos os hospitais sintam a necessidade de criar unidades de geriatria, de 15, 20 camas, onde os doentes geriátricos tenham apoio e a possibilidade de ter otimizada a sua assistência, como acontece, por exemplo, há mais de30 anos em Espanha e nos Estados Unidos da América”, defendeu.

Atualmente, apenas existe uma unidade de internamento em geriatria, que abriu este ano no Hospital de Vila Franca de Xira. Entretanto, também abriram consultas multidisciplinares de geriatria naquele hospital, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, e num hospital particular de Lisboa.

O especialista explicou que os pacientes geriátricos “são os doentes mais complexos dos idosos”, têm múltiplas doenças, “mais deterioração intelectual e física e, muitas vezes, com problemas sociais”, situação que implica decisões difíceis.

“São estes doentes que são internados nas unidades de geriatria”, e que constituem “uma pequena porção dos doentes idosos que chegam ao hospital”, sublinhou.

Dados compilados pela Pordata revelam que o número de pessoas em Portugal com mais de 65 anos duplicou em relação aos anos 70 e é hoje superior a dois milhões, tendo a população com mais de 80 anos aumentado cinco vezes.

Gorjão Clara salientou que o envelhecimento da população “é uma realidade indiscutível”, para a qual “os hospitais e os médicos têm que estar preparados”.

Fonte: Jornal do Enfermeiro

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