Problemas Éticos em Enfermagem

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Os problemas éticos podem ser classificados, didaticamente, em três categorias: (Luz et al)

Incerteza moral – quando há um questionamento diante de uma situação inadequada ou incorreta e um sentimento de tensão, frustração e incômodo, mas tal situação não é percebida como parte de um problema ético
Dilema moral – caracteriza por dois cursos distintos a seguir, porém, com uma única opção de escolha
Sofrimento moral – situação em que se sabe o que é correto e o que deveria ser feito, mas não é possível fazê-lo por algum motivo, seja ele individual, institucional ou social, não podendo seguir o rumo de sua consciência
Valores e crenças individuais e filosofias pessoais desempenham um papel fundamental na tomada de decisão moral ou ética, que é parte da rotina diária de todos os enfermeiros. Surgem algumas questões.

De que forma os enfermeiros decidem entre o certo e o errado?
O que eles fazem diante da inexistência de reposta certa ou errada?
E se todas as soluções geradas parecerem erradas?
Pode-se relacionar várias situações vivenciadas pelos enfermeiros:

A dúvida na informação e/orientação ao paciente – informar ou não?
A frágil comunicação entre os membros da equipe multidisciplinar – muitas decisões não são tomadas em equipe ou respeitam a autonomia do paciente
Os registros incompletos, a falta de direcionamento do tratamento – paliativo ou não
O reconhecimento de práticas inadequadas (negligência e incompetência) e a sensação de impotência
Dificuldade de acesso a tratamentos mais modernos para pacientes do SUS
Falta de recursos humanos (dimensionamento de pessoal), físicos e materiais para dar a devida assistência
Lidar com o prolongamento da vida do paciente sem o mínimo de qualidade – obstinação terapêutica ou distanásia
Dúvida na sedação – sedar ou não? falta de concordância da equipe
Lidar com a mutilação e a morte
Falta de condições financeiras dos pacientes
Sentimento de piedade em relação a orientação de não reanimar
Essas situações levam o enfermeiro ao dilema ético e ao sofrimento moral.

Muitos fatores intrínsecos e extrínsecos influenciam a tomada de decisão para a resolução de problemas éticos relacionados aos pacientes oncológicos.

O enfermeiro deve tomar as decisões pautadas em princípios éticos como:

Autonomia – dar aos pacientes as informações necessárias e a possibilidade de fazer uma escolha livre – consentimento informado
Beneficência – as ações devem ser implementadas na tentativa de promover o bem
Não-maleficência – as ações devem prevenir o mal ou reduzi-lo ao máximo
Justiça (tratar as pessoas com igualdade) – todos devem ser tratados de forma igual, sem nenhuma discriminação
Direito a verdade (veracidade) – Os pacientes têm direito a conhecer o diagnóstico e o prognóstico da sua doença
Confidencialidade (respeito a informações) – obrigação de preservar a privacidade do paciente e de manter certas informações no mais rígido sigilo

Mas além de basear-se nos princípios éticos é importante que o enfermeiro reflita frequentemente sobre a prática do cuidar e a ética do cuidado.

O que fazer quando não há mais nada a fazer?

O cuidado advém como bálsamo da alma e do espírito. O cuidado humanizado, a integralidade no cuidar, o cuidado solidário entre todos os integrantes da equipe de saúde a pacientes e familiares surge como um novo direcionamento ético ao cuidado terapêutico na qualidade de vida na morte. (Soratto e Silvestrini)

Fonte: Saude Experts

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