Enfermeiros vão prestar cuidados de táxi

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Faltam viaturas para os enfermeiros prestarem apoio domiciliário nas Unidades de Cuidados Continuados do Agrupamento dos Centros de Saúde Dão Lafões. Segundo Alfredo Gomes, do Sindicato dos Enfermeiros, estão em risco as condições de trabalho, a segurança dos profissionais e o transporte dos resíduos hospitalares.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses criticou hoje a falta de viaturas no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lafões para a realização de serviços de enfermagem ao domicílio, o que obriga a recorrer constantemente a táxis.

Em conferência de imprensa realizada em Viseu, o dirigente sindical Alfredo Gomes contou que há poucas viaturas e que as que existem precisam de manutenção.

“É caricato, mas temos até o exemplo de uma viatura que em andamento se desliga. E há outras que estão paradas porque ou têm os pneus gastos ou não têm manutenção”, explicou.

Alfredo Gomes admitiu que “se calhar a manutenção dessas viaturas antigas de 40 anos fica mais cara do que a aquisição das novas”.

“Sabemos que o próprio ACES já tem a orçamentação feita para a adaptação de algumas viaturas que estão em perfeitas condições de circulação, o que fica mais barato do que adquirir novas”, contou, acrescentando que o sindicato concorda com isso, desde que “tenham as mínimas condições de segurança para quem lá anda e para a prestação de cuidados”.

Segundo o dirigente sindical, neste momento estão orçamentadas seis viaturas, mas mesmo que se tratasse de doze não eram suficientes.

“Isso era o ideal, mas sabemos que é utópico. Portanto, estas seis viaturas que estão orçamentadas já resolviam para aí 60% dos problemas que existem. Os outros, vamos com calma, também não queremos resolver as coisas de um dia para o outro”, acrescentou.

No entanto, a informação sobre estas seis viaturas já foi dada ao sindicato “em março, abril”, o que levou a pensar que ficariam ao serviço ainda este ano.

“Já voltámos a questionar por escrito, quer a ARS (Administração Regional de Saúde), quer o diretor executivo, e a informação que nos dão é a mesma, que estão orçamentadas. Mas estarem orçamentadas não nos resolve o problema”, lamentou.

Enquanto o problema não é resolvido, os enfermeiros fazem muitas vezes os domicílios de táxi o que, de acordo com Alfredo Gomes, poderá custar mais de 500 euros por mês.

“Há enfermeiros nalgumas unidades que chegam a fazer 200 quilómetros num dia, mais o tempo que gastam a tratar dos doentes”, contou.

O concelho de Viseu é aquele onde se vive uma situação mais grave, “mas não tem a ver com o número de viaturas, tem a ver com o número de unidades que existem”, todas independentes e com os seus utentes.

As viaturas pretendidas são carrinhas pequenas cuja bagageira é adaptada para permitir “um circuito independente do outro: num vai o material esterilizado, no outro o material infetado que sai depois da prestação dos cuidados, que não pode ficar na casa dos doentes”.

Alfredo Gomes explicou que, nas viagens em táxis, os enfermeiros recorrem a “uns recipientes herméticos próprios” para armazenar o material infetado, mas “esta não é a situação ideal”, podendo criar “problemas de segurança e de saúde pública”.

“Os enfermeiros cada vez menos estão dentro dos edifícios e estão cada vez mais na casa das pessoas a prestar cuidados, só que este tipo de cuidados precisa de condições, porque senão não estamos a prestar cuidados de qualidade e com segurança”, avisou.

Artur Almeida é enfermeiro há 13 anos e sempre prestou cuidados de enfermagem ao domicílio.

“As viaturas são muito poucas, temos que recorrer imensas vezes aos táxis, e as que existem não estão adaptadas para prestar este tipo de cuidados, não conseguem fazer uma separação física no transporte entre os lixos e o material esterilizado”, contou.

Segundo este enfermeiro do centro de saúde de Mangualde, “a situação sempre se verificou, mas tem piorado muito nos últimos tempos, porque tem aumentado muito o número de cuidados de enfermagem prestados no domicílio”.

As denúncias do Sindicato dos Enfermeiros são desvalorizadas pela direção do Agrupamento de Centros de Saúde. O diretor Luis Botelho que não permitiu a gravação de declarações, justifica o atraso na aquisição das carrinhas, que pode acontecer em 2017, com a difícil situação financeira da Administração Regional de Saúde do Centro.

Luís Botelho nega que o serviço de apoio domiciliário esteja em risco como alerta o sindicato dos enfermeiros.

Fonte: Jornal do Centro

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