Staphylococcus aureus resistente à meticilina: penicilina pode ajudar na erradicação da infeção

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Investigadores do Reino Unido identificaram uma forma eficaz de tratar o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) ao utilizarem conjuntamente com os antibióticos modernos a penicilina, revela um estudo publicado no “Journal of Infectious Diseases”.

Os investigadores da Universidade Nacional da Irlanda e da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, demonstraram que, apesar de a penicilina não matar a bactéria diminui a sua virulência o que torna mais fácil a erradicação da infeção por parte do sistema imunitário e de outros antibióticos.

Aras Kadioglu, um dos coautores do estudo, explicou que, apesar de as iniciativas agressivas para o controlo da infeção hospitalar terem um impacto positivo nas taxas de SARM adquiridas nos hospitais em alguns países desenvolvidos, a carga global permanece inaceitavelmente elevada.

As infeções causadas por estirpes de SARM associadas à comunidade e as estirpes que atualmente são sensíveis à meticilina estão a aumentar a uma velocidade preocupante. Tendo em conta a escalada da resistência aos antibióticos, é imperativo identificar novas estratégias terapêuticas e reavaliar a forma como os medicamentos antimicrobianos atuais são utilizados. É neste contexto que os dados agora apurados são oportunos e altamente importantes.

A infeção por SARM é causada por um tipo de Staphylococcus que se tornou resistente a muitos dos antibióticos utilizados para tratar as infeções comuns. Esta infeção resulta numa morbidade e mortalidade significativas. Cerca de 20% dos pacientes infetados por esta bactéria morre de infeções sistémicas.

James O”Gara, um dos autores do estudo, refere que estes achados explicam o mecanismo antivirulento dos antibióticos do tipo da penicilina e apoia também a reintrodução destes fármacos como terapêutica adjuvante para as infeções provocadas pelo SARM.

O estudo apurou que, quando exposta à penicilina, a bactéria “desliga” os genes tóxicos e concentra-se no espessamento da parede celular para resistir ao antibiótico. Desta forma, o sistema imunitário pode tirar partido deste estado comprometido e destruir as bactérias.

Esta nova estratégia de tratamento para infeções provocadas pelo SARM pode alterar as recomendações clínicas atuais para o tratamento de pacientes com este tipo de infeções.

Um estudo australiano recente que envolveu 60 pacientes demonstrou que o beta-lactâmico flucloxacilina conjuntamente com vancomicina reduziu significativamente a duração da sépsis provocada pelo SARM de três para 1,9 dias.

O investigador referiu que este estudo é muito importante e que agora existem dados laboratoriais chave que ajudam a explicar por que motivo a combinação de dois antibióticos é melhor que a utilização de apenas um.

A vantagem desta abordagem é que para além de a penicilina estar amplamente disponível e ser segura, pode ser mais facilmente incluída na prática clínica sem a necessidade de ensaios longos e dispendiosos.

A resistência antimicrobiana é uma das maiores ameaças atuais à saúde humana. O relatório recente encomendado pelo governo do Reino Unido concluiu que as infeções resistentes aos antibióticos causarão mais mortes do que o cancro em 2050, se não forem tratadas urgentemente.

Fonte: Univadis

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