Superbactérias identificadas em Portugal

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Bactérias são resistentes a vários antibióticos, apesar do consumo desta medicação ter diminuído

Bactérias resistentes a três ou mais antibióticos, conhecidas como “superbactérias”, têm sido identificadas em Portugal, apesar do consumo dos antimicrobianos ter diminuído, assim como as infeções associadas aos cuidados de saúde, foi hoje anunciado.

A propósito do Dia Europeu do Antibiótico, que se assinala hoje, a Direção Geral da Saúde e o Infarmed organizaram uma conferência de imprensa para revelar os últimos dados relacionados com estes medicamentos e as infeções que, em parte, estão relacionadas com o uso indevido destes fármacos.

Manuela Caniça, do Departamento das Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), revelou que desde 1999 houve “uma progressão bastante elevada da resistência da Staphylococcus aureus à meticilina” (MRSA).

Em 1999, a percentagem dessa resistência situava-se nos 36,9 por cento e em 2011 atingiu os 54,6 por cento. Em 2014 esse valor era de 47,4%, descendo para os 46,8 por cento em 2015, uma descida que agrada às autoridades de saúde.

Contudo, a diminuição da suscetibilidade da bactéria Klebsiella pneumoniae aos carbapenemes (antibiótico) aumentou, passando de 0,7 por cento em 2008 para os 3,7 por cento em 2015.

Manuela Caniça manifestou apreensão com este dado, tendo em conta que os carbapenemes são “uma das últimas terapias em certas infeções”.

Carlos Palos, da direção do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), disse que, em relação à “Portugal tem vindo a fazer melhorias”, mas reconheceu que ainda são necessários mais avanços.

O presidente do PPCIRA, Paulo André Fernandes, reconheceu que existem várias bactérias como a MRSA identificadas, escusando-se a revelar o número de casos que costumam surgir anualmente.

O especialista adiantou que, embora resistentes a três ou mais antibióticos, estas bactérias acabam por sucumbir à intervenção que pode passar por maior quantidade de antibiótico ou o cruzamento de vários antimicrobianos. Há, “como em todas as bactérias”, casos em que o medicamento não funciona, disse.

Por esta razão, especificou, os antibióticos devem ser usados como as “joias terapêuticas” que são e assim evitar que infeções banais não consigam ser tratadas.

Ana Silva, do Infarmed, revelou que o consumo de antibióticos em Portugal diminuiu três por cento no primeiro semestre do ano, comparativamente a período homólogo de 2015.

Em meio hospitalar, o consumo de antibióticos aumentou 1,3% em 2015, tendo diminuído um por cento nos primeiros seis meses deste ano, face ao ano anterior.

Em ambulatório, em 2014 foi registado um aumento de 4,6%, mas no primeiro semestre de 2016 já ocorreu uma descida de 3,1 por cento, face a igual período de 2015.

O consumo de quinolonas — o “antibiótico que mais preocupa em meio hospitalar” — diminuiu 14,9% entre 2010 e 2015.

O presidente do PPCIRA, Paulo André Fernandes, enalteceu a descida das infeções que decorrem das intervenções cirúrgicas, exemplificando com o caso da operação ao cólon e reto que, em 2011, se situava nos 20,73 por cento e que no primeiro semestre do ano era de 18 por cento.

Dado menos positivo é o aumento da sépsis em unidades de cuidados intensivos neonatais: 11,4 por cento em 2015 e 12,6 por cento em outubro de 2016. A análise sobre este aumento ainda não está feita, mas Paulo André Fernandes recordou que hoje em dia a medicina consegue que sobrevivam bebés cada vez mais pequenos (pré-termo), os quais precisam de muito apoio técnico.

“Admitimos que esta cada vez maior sensibilidade e imunodepressão dos recém-nascidos poderão justificar esta evolução”, adiantou.

Fonte: DN

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