Futuro da Enfermagem: Skill Mix ou Downsizing?

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A situação financeira do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é muito séria. Todos reconhecem que o SNS tem estado subfinanciado, ano após ano apresenta défices e acumula dívidas, e o que (de muito bom) faz fica aquém das necessidades dos portugueses.

Numa sociedade moderna seria expectável que os dirigentes da nossa Ordem dos Enfermeiros fossem de facto obreiros da definição e concretização de políticas de saúde, com inegáveis benefícios para cidadãos e profissionais. Mas em pouco mais de um ano, os Técnicos de Emergência têm a sua carreira aprovada, e o ato médico foi redigido (limitando os Enfermeiros) diante dos outros

profissionais de saúde.

Analisando em Portugal, a composição da força de trabalho da saúde mostra que o número de médicos/1.000 habitantes (4,3) é superior ao da média da OCDE (3,3), enquanto o número de enfermeiros/1.000 habitantes (6,1) é muito inferior (9,1) e o rácio de enfermeiros/médico (1,4) é também bastante inferior (2,9), indiciando-se uma combinação ineficiente de recursos e a existência de espaço para Task shifting entre médicos e enfermeiros.

Embora alguns autores refiram que a investigação evidencia que, em áreas específicas da atividade assistencial, os enfermeiros podem prestar cuidados, pelo menos, equivalentes aos prestados pelos médicos (Buchan, J. e Calman, L.), modelos de reforma bem sucedidos noutros países não são, necessariamente, replicáveis.

Na minha opinião, uma revisão do Skill Mix entre médicos e enfermeiros pode contribuir para melhorar o desempenho do sistema de saúde e isso passa também pelo reconhecimento das especialidades na Enfermagem associada à sua valorização salarial.

Resumindo, neste momento o documento que discute o ato médico não valoriza a nossa profissão, mas sim outras. Contudo como não está finalizado, que centrem as atenções no Skill Mix ou não tarda e a nossa profissão irá ter um Downsizing em de competências que teremos cada vez menos intervenções autónomas e cada vez mais interdependentes.

Relembro que um passo mal dado neste processo pode levar a resultados destruidores. Mas também é uma oportunidade de modernizar as políticas de saúde em Portugal. O estarmos a sair de uma longa e profunda recessão económica e a existência de muitas necessidades a acudir não nos desculpa de lançarmos as condições para um melhor sistema de saúde.

“A sorte surge quando a preparação encontra a oportunidade”

Autor: Marco Veríssimo

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