Cetamina não melhora a dor e delírio pós-cirúrgicos

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Um estudo recente demonstrou que a cetamina poderá não ser eficaz na dor e delírio do paciente após uma intervenção cirúrgica.

A cetamina começou a ser usada como anestésico geral ainda nos anos 60. Mais recentemente foi descoberto que este fármaco administrado em pequenas doses atua também como antidepressivo e analgésico. No entanto, os estudos efetuados anteriormente sobre o fármaco eram sobre coortes reduzidos.

George A. Mashour, docente de Anestesiologia, diretor do Centro de Ciências da Consciência e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, EUA, e equipa propuseram-se analisar os efeitos da cetamina sobre a dor e delírio pós-operatórios, mas com um grupo maior de participantes, de vários centros e países.

Os investigadores recrutaram 672 pacientes, do Canadá, EUA, Coreia do Sul e Índia, com 60 anos ou mais de idade, e que se tinham submetido a uma intervenção cirúrgica com anestesia geral.

Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente por três grupos: um grupo de 222 pacientes recebeu um placebo, um grupo de 227 pacientes recebeu uma dose baixa de cetamina e um grupo de 223 pacientes recebeu uma dose elevada de cetamina.

Durantes alguns dias, após a cirurgia, os pacientes foram avaliados duas vezes por dia relativamente à dor e delírio. Foi verificada a administração de opiáceos aos pacientes; os investigadores observaram igualmente que os pacientes sofreram alucinações e pesadelos durante aquele período.

Como resultado, “não encontrámos diferenças na incidência de delírio entre os grupos com combinação de cetamina e o grupo que recebeu o placebo”, explicou George Mashour. “A cetamina não reduz o delírio, o que não era de todo inesperado, mas também não o aumenta”.

A equipa fez também uma descoberta surpreendente: a cetamina não demonstrou ter reduzido a dor e o uso de opiáceos nos pacientes após a cirurgia. Os investigadores não encontraram diferenças significativas em termos de resultados da classificação da dor e do consumo de opiáceos ao longo do tempo entre os três grupos.

“Foi uma grande surpresa para a nossa equipa”, comentou Phillip Vlisides, docente assistente de Anestesiologia na Universidade de Michigan e também investigador neste estudo. “No entanto, o nosso estudo era quatro vezes maior do que qualquer estudo anterior relativamente à dor, e foi rigoroso em termos de metodologia”.

Finalmente, foi apurado também que as doses elevadas de cetamina pareceram aumentar as consequências negativas do fármaco. “Infelizmente, descobrimos que alguns dos efeitos negativos da cetamina, como alucinações e pesadelos, aumentaram em doses típicas de dependência”, rematou George Mashour.

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Fonte Univadis
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