Cientistas criam medicamento com veneno de cobra para tromboses

1 min de leitura

Cientistas criaram um medicamento mais seguro para prevenir tromboses a partir de veneno de cobra, revela um estudo divulgado esta quinta-feira pela Associação Americana do Coração.

Trata-se de um fármaco da classe de medicamentos que impedem a ativação e aglomeração de plaquetas (células sanguíneas) e a formação de coágulos, sendo usados para prevenir tromboses cerebrovasculares ou a doença cardiovascular.

Os medicamentos anticoagulantes atuais, alguns dos quais baseados também em veneno de cobra, têm um efeito secundário grave, o de poder causar hemorragia prolongada após um ferimento.

Investigadores da Universidade Nacional de Taiwan desenvolveram o novo medicamento para interagir com uma proteína, a glicoproteína VI, localizada na superfície das plaquetas.

Num estudo anterior, a equipa descobriu que uma proteína existente no veneno de uma espécie de cobra, a “Tropidolaemus wagleri”, da família das víboras e nativa do sudeste asiático, estimula as plaquetas a formarem coágulos no sangue ao ligarem-se à glicoproteína VI.

Trabalhos precedentes concluíram que plaquetas sem a glicoproteína VI não formam coágulos em doentes e não conduzem a hemorragias graves, o que levou os cientistas a pensarem que o bloqueamento da ação da glicoproteína poderia prevenir o aparecimento de coágulos e evitar os efeitos das hemorragias prolongadas.

O novo estudo, hoje divulgado, pode ser o primeiro a descrever uma molécula baseada na estrutura de uma proteína específica do veneno de cobra (a proteína tem o nome científico de “trowaglerix”) para bloquear a atividade da proteína da superfície das plaquetas.

A equipa científica da Universidade Nacional de Taiwan administrou o novo medicamento a ratos e observou que a formação de coágulos era mais lenta quando comparada com a de roedores que não foram tratados com o fármaco.

Além disso, verificou que os ratos medicados não sangravam mais do que os ratos do grupo de controlo.

Os investigadores pretendem otimizar os efeitos do fármaco – para que interaja apenas com a glicoproteína VI e não com outras proteínas e assim evitar reações indesejáveis – e testá-los de novo em animais, mas também em pessoas.

Alguns dos medicamentos anticoagulantes atuais têm como alvo outras proteínas, as glicoproteínas IIb/IIIa, e baseiam-se numa outra proteína de veneno de cobra, mas podem provocar hemorragias, um efeito adverso para o qual os cientistas da universidade de Taiwan não encontraram ainda uma explicação.

O estudo foi publicado na revista Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology, editada pela Associação Americana do Coração.

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