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Penso de hidrogel que se molda ao corpo? Em breve uma realidade

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Investigadores da Universidade Católica do Porto estão a desenvolver um hidrogel fluído, que gelifica no leito da ferida após a sua aplicação, transformando-se num penso uniforme e transparente.

Investigadores da Universidade Católica do Porto estão a desenvolver um hidrogel fluído, que gelifica no leito da ferida após a sua aplicação, transformando-se num penso uniforme e transparente, com elasticidade suficiente para se adaptar aos movimentos do corpo.

Este hidrogel fluído é constituído por uma proteína à base de seda – sericina – e está a ser concebido para feridas não infetadas e com pouco exsudado (fluído que é, muitas vezes, produzido no leito da ferida, prejudicial ao progresso da cicatrização), disse à Lusa Ana Leite Oliveira, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica.

“É importante salientar que esta proteína constitui um resíduo proveniente da indústria têxtil”, que é “eliminado durante o desenrolar do casulo por imersão em água quente”, processo ao qual se dá o nome de “degomagem”, explicou.

Para Ana Oliveira, esta possibilidade de transformar um resíduo que contamina os efluentes, como é o caso desta proteína, “num produto de alto valor acrescentado”, é um dos pontos relevantes do projeto.

As feridas complexas, em particular as crónicas, são de “difícil cicatrização”, o que representa “um desafio para as equipas clínicas e causa um enorme impacto na qualidade de vida dos pacientes”, acrescentou.

“Este tipo de feridas pode passar por diversas etapas”, adquirindo “diferentes aspetos, tamanhos e profundidades, levando o clínico a ter de improvisar, para adaptar o penso à forma e ao local da ferida já que, comercialmente, os materiais de penso têm formatos limitados”, explicou.

Segundo a especialista, este conhecimento prático é essencial e, por isso, a equipa integra um clínico especialista em feridas complexas, o enfermeiro Paulo Alves, investigador no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, que ajuda a definir e a validar todos os parâmetros que permitem a sua aplicabilidade.

“A utilização de hidrogéis naturais no tratamento de feridas tem vindo a ser proposta devido à sua biocompatibilidade”, à “capacidade de gelificação (contribuindo para a melhor oclusão de feridas e para um fácil preenchimento do defeito)” e à facilidade de incorporação de agentes terapêuticos, tais como células e biomoléculas, referiu.

De acordo com a investigadora, a maior parte dos hidrogéis existentes no mercado, designados como amorfos, têm “uma elevada fluidez”, necessitando de um penso secundário para serem retidos no leito da ferida.

Existem ainda outros produtos comercializados em pó, com capacidade de gelificar quando humedecidos pelo próprio exsudado ou após pulverização com soro fisiológico mas, tratando-se de polímeros sintéticos, são “menos biocompatíveis” e “não são biodegradáveis”.

“O total preenchimento do leito da ferida é uma questão importante, evitando o desperdício como acontece com os pensos tradicionais, que têm de ser cortados para melhor se adaptarem”, defendeu.

Os investigadores acreditam que este produto possa ser adaptado para outros usos, visto que a sericina tem sido “largamente comercializada” na área da cosmética, dadas as suas propriedades antioxidantes e hidratantes, existindo também estudos que demonstram as propriedades antitumorais desta proteína.

Após o desenvolvimento do hidrogel, e para realizar estudos avançados ‘in vitro’ (celulares) e ‘in vivo’ (modelos de feridas animais), a equipa já tem estabelecida uma parceria com o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), do Porto.

Ana Oliveira prevê que o projeto, designado HYDROSER – Hidrogel à Base de Sericina de Seda e respetivo Método de Produção, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), demore, pelo menos, mais três anos, altura em que espera ter dados suficientes para viabilizar a tecnologia, para a qual o pedido de patente já se encontra em decurso.

Fonte Observador
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