A diabetes tipo 2 é uma doença reversível

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Os resultados de uma investigação que colocou pessoas com diabetes tipo 2 numa dieta de baixas calorias confirmaram as causas subjacentes da doença e estabeleceram que ela é reversível.

Roy Taylor, professor na Universidade de Newcastle, Reino Unido, passou quase quatro décadas a estudar a doença e vai apresentar uma síntese desses dados no encontro da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD, sigla em inglês), em Lisboa.

Na sua comunicação, ele irá enfatizar os seguintes aspetos da sua investigação de doentes com diabetes tipo 1:

• Calorias em excesso conduzem a excesso de gordura no fígado
• Como resultado, o fígado responde mal à insulina e produz glicose em demasia
• O excesso de gordura no fígado é passado para o pâncreas, fazendo com que as células produtoras de insulina deixem de funcionar corretamente
• A perda de menos de 1 grama de gordura do pâncreas através de dieta pode fazer com que a produção normal de insulina seja reativada, revertendo a diabetes tipo 2
• Esta reversão da diabetes mantém-se possível durante pelo menos 10 anos depois do início da doença

“Penso que este trabalho é verdadeiramente importante para os próprios doentes”, diz Roy Taylor. “Muitos deles contaram-me que fazer uma dieta de baixas calorias foi a última hipótese para evitar aquilo que eles pensavam – ou que lhes tinha sido dito – ser um declínio inevitável com mais medicamentos e pior saúde por causa da sua diabetes. Através do estudo dos mecanismos subjacentes fomos capazes de demonstrar a simplicidade da diabetes tipo 2.”

As investigações de Roy Taylor confirmaram a sua “Hipótese de Dois Ciclos” – que a diabetes tipo 2 é causada por excesso de gordura tanto no fígado como no pâncreas.

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Isto faz com que o fígado tenha uma resposta fraca à insulina. Dado que a insulina controla o processo normal de produção de glicose, o fígado passa então a produzir demasiada glicose. Ao mesmo tempo, o excesso de gordura no fígado aumenta o processo natural de exportação da gordura para todos os tecidos. No pâncreas, esse excesso de gordura faz com que as células produtoras de insulina falhem.

O estudo “Counterpoint” (contraponto, em português), publicado em 2011, confirmou que uma dieta com níveis muito baixos de calorias poderia reverter todos os fatores anormais. Por seu turno, o “Counterbalance” (contrabalanço ou equilíbrio, em português), um outro estudo publicado em 2016, demonstrou que é possível reverter a diabetes tipo 2 durante o período de 10 anos depois do início da doença na maioria das pessoas e que o metabolismo normal persiste durante muito tempo desde que a pessoa não volte a aumentar de peso.

Roy Taylor explica estes mecanismos: “O trabalho no laboratório mostrou que o excesso de gordura na célula produtora de insulina provoca uma perda da função especializada. A célula entra num modo de sobrevivência, existindo apenas e não contribuindo para o bem-estar de todo o corpo. A remoção do excesso de gordura permite que a célula assuma novamente a função especializada de produção de insulina. As observações dos estudos clínicos podem agora ser explicadas na totalidade.”

Um estudo adicional sobre a prática clínica, o Ensaio Clínico de Remissão da Diabetes (DiRECT, sigla em inglês), financiado pela Diabetes UK, está agora a decorrer com o objetivo de determinar a aplicabilidade desta abordagem geral à prática de rotina dos Cuidados Primários. Os seus resultados devem ser conhecidos antes do fim do ano.

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Fonte Univadis
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