Enfermeiros avançam com greve por tempo indeterminado

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Pré-aviso segue hoje por carta registada, depois de saberem que não vão reunir com o Ministério da Saúde para discutir o memorando. Paralisação começa a partir do dia 23

A Federação Nacional dos Sindicados dos Enfermeiros (FENSE), que junta o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem, vai avançar com uma greve por tempo indeterminado a partir do dia 23 deste mês. O pré-aviso segue hoje para o Ministério da Saúde, dia em que esperavam reunir com os responsáveis pela pasta para discutir o memorando que o ministério lhes prometeu apresentar. Em vez disso, o memorando será entregue por email, o que para a FENSE é um sinal de que “o que lá vem é nada”.

“Amanhã [hoje] vamos enviar, por carta registada com aviso de receção, o pré-aviso de greve a partir do dia 23. São cinco dias de greve com passagem, sem intervalo, a tempo indeterminado. Pensávamos que ia haver uma reunião no Ministério da Saúde para discutir o memorando, mas fomos informados que o documento será entregue por email e não há mais reuniões marcadas”, disse ao DN José Azevedo, do Sindicato dos Enfermeiros.

Na semana passada, os sindicatos reuniram com o Ministério da Saúde. Primeiro com a FENSE, mas não houve acordo. O ministério propôs um aumento de 150 euros para os especialistas até à criação da carreira. O sindicato quer um aumento de 800 euros divididos por três anos para os generalistas e mais 400 euros a somar a este valor para os enfermeiros especialistas. Ainda assim, a FENSE suspendeu a emissão do pré-aviso de greve na sequência da promessa de um memorando. Em seguida, reuniu com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que suspendeu os três dias de greve que tinha marcada para esta semana e que terá nova reunião com o ministério no dia 9.

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“Este Governo tem preferências pelo sindicato mais bem comportado e nós somos os virulentos. Temos de nos defender. Apesar de todas as manifestações que aconteceram, parece que foi pouco. Há três meses que estamos a ser enganados. Não têm coragem de nos enfrentar, porque já os conhecemos e o que lá vem é nada”, acrescentou José Azevedo, referindo-se às declarações do primeiro-ministro, António Costa, que na semana passada disse que “o SEP é o único que tem postura dialogante” e estavam próximos de chegar a um acordo.

A contestação dos enfermeiros ganhou visibilidade quando os especialistas em saúde materna decidiram prestar apenas cuidados generalistas, por não serem reconhecidos financeiramente pela diferenciação. Protesto que se mantém e que levou o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, a dizer que a situação nos blocos de parto está à beira de se tornar insustentável. Ana Rita Cavaco, bastonária dos enfermeiros, disse que “a situação cria tensão, mas já antes criava porque a situação nos blocos de partos era preocupante porque com a falta de enfermeiros não é possível cumprir os mínimos para as dotações seguras”. A “preocupação mantém-se”, afirmou, referindo que têm enviado relatórios ao Ministério da Saúde, primeiro-ministro e Presidente da República, a quem pediu uma audiência.

Na próxima semana estão marcados o primeiro dia de greve dos médicos no norte e dois dias de greve geral dos técnicos de diagnóstico.

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Fonte Diário de Notícias
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