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Diálise Peritoneal

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A diálise peritoneal e a hemodiálise são terapias substitutivas no tratamento da insuficiência renal. O que significa isso? Que substituirão, em parte, as funções dos rins.

Funções dos rins:  

  • Regulação do equilíbrio hidroeletrolítico – regulam e mantem o equilíbrio da água e dos eletrólitos (sódio, potássio, magnésio, etc) no organismo
  • Excreção de restos metabólicos – desprezam os restos do processo metabólico (uréia, creatinina, ácido úrico,  fósforo, entre outros) – inúteis e prejudiciais (tóxicos) – pela urina
  • Excreção de substância bioativas (hormônios, fármacos) – que afetam a função do organismo
  • Regulação da pressão arterial – geram substâncias vasoativas que regulam o músculo liso dos vasos periféricos – sistema renina angiotensina
  • Regulação da produção de células vermelhas do sangue – produção do hormônio peptídico eritropoietina que estimula a medula óssea a produzir eritrócitos
  • Regulação da produção de vitamina D – estimula absorção de cálcio e fósforo, promovendo a mineralização da matriz óssea.
  • Gliconeogênese –  processo de síntese de glicose e glicogênio a partir de precursores não carboidratos (aminoácidos, lactato, glicerol)

Diálise refere-se à difusão de partículas dissolvidas, de um compartimento líquido para outro, através de uma membrana semipermeável.

Na diálise peritoneal, o peritônio é a membrana semipermeável e a osmose é utilizada para realizar a remoção de líquido de um compartimento (sangue) para outro (cavidade peritoneal) e a troca de solutos, de acordo com o gradiente de concentração.

A solução para esse procedimento é chamada de Dialisado. É um composto semelhante ao soro da cavidade abdominal, contendo glicose, água, lactato de sódio, cloreto de cálcio e outros eletrólitos.

Para acessar a cavidade peritoneal é inserido, por um cirurgião ou nefrologista habilitado, um cateter, sendo o cateter de Tenckhoff o mais usado:

Infunde-se a solução de dialisado (10 a 15 minutos), e esta permanece na cavidade peritoneal de acordo com a modalidade indicada. Depois, o líquido (já com os restos metabólicos) é drenado por gravidade. O volume introduzido a cada banho varia em torno de 2.000ml e e esta pode ser continua ou intermitente (falaremos a seguir).

Vantagens:

  • O equipamento técnico necessário e os suprimentos são menos complicados e mais disponíveis
  • Existe menor necessidade de pessoal altamente qualificado
  • Os efeitos adversos associados com a hemólise são minimizados – importante para pacientes que não toleram mudanças hemodinâmicas bruscas – ex.: doença cardíaca grave
  • Os pacientes podem realizar a diálise em casa – se treinados

Desvantagens:

  • Exige mais tempo para remover resíduos metabólicos de forma adequada e restabelecer o equilíbrio hidroeletrolítico
  • Pode desencadear peritonite – se não usada a técnica correta

A seguir estão listadas algumas complicações.

Complicações técnicas:

  • Recuperação incompleta de líquidose após vários intercâmbios, o volume drenado é inferior a quantidade introduzida, deve-se fazer uma avaliação: retenção líquida com distensão abdominal, peso, extremidade do cateter pode estar obstruída com fibrina
  • Vazamento ao redor do cateter – o vazamento depois da cirurgia pode ser controlado por suturas extras e diminuição na quantidade de dialisado instilado dentro do peritônio. O aumento da pressão intra-abdominal (vômitos e tosse contínuos) também pode produzir vazamento no dialisado. O vazamento age como uma via de acesso das bactérias ao peritônio.
  • Líquido peritoneal sanguinolento – é previsto no efluxo inicial, mas deve clarear depois de algumas trocas. O sangramento macroscópico em qualquer momento é uma indicação de problema mais grave e deve ser investigado imediatamente.

Complicações Fisiológicas:

  • Peritonite – essa é uma condição grave, mas tratável, da diálise peritoneal. A detecção precoce e o início do tratamento diminuirão o desconforto do paciente e impedirão complicações mais graves. Sinais de peritonite: febre baixa, dor abdominal quando o líquido está sendo introduzido e líquido de drenagem peritoneal turvo – será necessária a adição de antibiótico de amplo espectro à solução de dialisado.
  • Infecção do cateter – durante a troca diária de curativo, o local de saída deve ser examinado rigorosamente quanto aos sinais de infecção: hipersensibilidade, rubor e drenagem ao redor do cateter. Na ausência de peritonite, a infecção do cateter é geralmente tratada com antibióticos de amplo espectro por via oral.
  • Hipotensão – pode ocorrer quando se remove excesso de líquido. Os sinais vitais devem monitorados frequentemente, em particular quando se utilizou uma solução hipertônica.
  • Hipertensão e sobrecarga líquida – podem ocorrer quando todo o líquido não é removido em cada ciclo. Deve se observar a quantidade exata nas bolsas. Alguns fabricantes adicionam 50ml a uma solução de 1000ml e em um período de horas, isso pode representar uma diferença considerável. Sinais de distúrbios respiratórios – congestão pulmonar; hipertensão por ansiedade – início de medidas farmacológicas: sedativos e tranquilizantes
  • Hipocalemia – essa é uma complicação comum da diálise peritoneal. O monitoramento do potássio sérico indicará a necessidade de acrescentar cloreto de potássio à solução dialisado, bem como a quantidade a ser adicionada.
  • Hiperglicemia – os níveis de glicose sanguínea devem ser monitorizados rigorosamente em pacientes com diabetes mellitus e doença hepática. Quando necessário, pode-se acrescentar insulina suplementar ao dialisado, para controlar a glicemia.
  • Dor – o paciente pode apresentar desconforto abdominal em qualquer período durante a aplicação do método e provavelmente a dor é relacionada com a distensão constante ou a irritação química do peritônio. Se uma leve analgesia não surtir efeito, a introdução de 5ml de lidocaína a 2% diretamente no cateter pode ajudar.
  • Imobilidade – a imobilidade (10 a 14 horas) pode levar a pneumonia hipostática, especialmente no paciente enfraquecido ou idoso. As inspirações profundas, a movimentação e a tosse devem ser estimuladas durante o método. Os exercícios com as pernas e o uso de meias elásticas podem impedir o desenvolvimento de trombos e êmbolos venosos.
  • Desconforto – por causa de o tratamento ser mais prolongado do que a hemodiálise, o tédio é um problema frequente. Devem ser estimuladas distrações como receber visitas, fazer leituras e assistir televisão.

Diálise Peritoneal Contínua Ambulatorial – CAPD

A Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua, também conhecida como CAPD ou DPAC, é a forma mais comum de diálise peritoneal e especialmente indicada para pacientes diabéticos, idosos, crianças ou aqueles para os quais a hemodiálise não é conveniente ou possível. Geralmente, é realizada em casa, em um local limpo e bem iluminado.

A CAPD é facilmente ensinada aos pacientes e não limita a deambulação entre as trocas de líquido do dialisado. O líquido de diálise é infundido e drenado pelo paciente (ou por uma outra pessoa especialmente treinada), várias vezes por dia – dependendo das necessidades individuais.

Geralmente são infundidos 2.000 ml pelo cateter, por força da gravidade, em 30 a 40 minutos. O cateter é pinçado e a solução permanece por 4 a 6 horas. Após esse período, a bolsa é levada abaixo do nível do cateter e a pinça é aberta para proceder a drenagem.

Diálise Peritoneal Cíclica Contínua – CCPD

Outra variação da terapia de diálise peritoneal é a Diálise Peritoneal Cíclica Contínua – CCPD.

Esta modalidade utiliza uma máquina conectada ao cateter que executa automaticamente o aquecimento, a infusão e a drenagem das bolsas sequencialmente.

Os pacientes que optam por essa modalidade realizam a DPI à noite, durante o sono, utilizando um aparelho de ciclagem que, basicamente, faz de 3 a 5 trocas de 2 litros. No período da manhã, o paciente infunde de 1 a 2 litros de dialisado fresco, desconecta o cateter e permanece com o dialisado na cavidade abdominal por todo o dia ou permanece o dia com o abdome “seco”.

Essa modalidade é ideal para quem trabalha fora e estuda.

Esses pacientes visitam o serviço de hemodiálise pelo menos uma vez por mês para avaliação multiprofissional.

Diálise Peritoneal Intermitente (DPI)

Trata-se de uma modalidade pouco usada atualmente, intra hospitalar em caráter de urgência, quando existe contraindicação para hemodiálise

Infunde-se a solução de dialisado (10 a 15 minutos), e esta permanece na cavidade peritoneal por 30 a 45 minutos. Depois, o líquido (já com os restos metabólicos) é drenado por gravidade. O volume introduzido a cada banho varia em torno de 2.000ml e o tempo de duração é, em média, de 24 horas.

Referências: MORTON, P.G. FONTAINE, D.K. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística. 9ª. ed Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2011; SMITH, Nancy E; TIMBY, Bárbara K. Enfermagem Médico Cirúrgica. Ed. Manole. 8ª ed. 2005.

Imagens: National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases

Fonte SaudExperts
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