22% dos enfermeiros portugueses dizem estar gravemente deprimidos

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Quase dois terços dos enfermeiros têm uma perceção negativa da sua saúde mental, mais de sete em cada 10 diz sofrer de ansiedade e insónia e 22% sentem-se gravemente deprimidos, segundo um estudo realizado pelo Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica , apresentado em Lisboa.

A investigação, que avaliou as perceções dos enfermeiros quanto à saúde mental, foi realizada em 2017 e contou com uma amostra de 1264 profissionais, de acordo com um resumo do estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso.

São mais de 60% os enfermeiros que assinalaram como negativa a perceção que têm da sua saúde mental, sendo que nove em cada 10 indicam mesmo que consideram sofrer de disfunção social.

Quase oito em cada dez enfermeiros consideram que sofrem de ansiedade e insónia e há mesmo 22% que referem ter a perceção de ter sintomatologia de depressão grave.

Entre os enfermeiros que fazem turnos, 90% consideram que não dormem o suficiente entre turnos de noite seguidos e há também quase 80% que não dorme o suficiente entre turnos de manhã seguidos.

Independentemente dos turnos, mesmo entre os profissionais que não os fazem, mais de 80% dos enfermeiros consideram que não dormem o suficiente.

No geral, mais de um terço dos participantes considera sofrer de pelo menos uma doença física ou mental. As perturbações ligadas ao humor e as de ansiedade representam cerca de um quinto das doenças assinaladas.

Quanto à perceção da saúde mental face às variáveis socioprofissionais, o estudo nota que exercer a profissão em hospitais está ligado com mais sintomas somáticos (como falta de energia ou cefaleias).

Ter formação especializada fica associado a melhor saúde mental, com menos sintomas.

Dos enfermeiros especialistas, os de saúde materna e obstetrícia são os que assinalam uma pior saúde mental e os de psiquiatria os que percecionam de melhor forma a sua saúde.

Este trabalho é conhecido no segundo dia de greve nacional dos enfermeiros, que estão em luta pela valorização das carreiras, pagamento do trabalho extraordinário acumulado e a contratação de mais profissionais.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses ( SEP ) revelou que a adesão à greve se situou nos 60% a 80%, existindo serviços totalmente paralisados.

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