Cirurgias e anestesia podem afetar a memória

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Um novo estudo demonstrou que pacientes que tinham sido submetidos a uma intervenção cirúrgica e recebido anestesia revelavam pontuações ligeiramente inferiores em testes de memória.

A equipa de investigadores da Faculdade de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, que conduziu o estudo tinha-se proposto apurar os efeitos da anestesia geral sobre pacientes de meia-idade e sem disfunção cognitiva.

Um estudo anterior tinha revelado que o declínio cognitivo tinha piorado em pacientes, com uma média de idades de 73 anos e que apresentavam já alguma disfunção cognitiva, após terem sido submetidos a cirurgia com anestesia geral.

Este estudo, longitudinal e de natureza observacional, contou com a participação de 964 indivíduos, com uma média de idades de 54 anos, cuja memória e função executiva foram medidas no início do estudo, não apresentando disfunção cognitiva naquela fase.

Quatro anos mais tarde, 312 dos participantes tinham sido submetidos a cirurgia e 652 não tinham. A intervenção cirúrgica, efetuada naquele intervalo de tempo, foi associada a um declínio na memória imediata de um ponto (de uma escala de 30).

A memória tornou-se anormal em 77 participantes de um total de 670 que apresentavam inicialmente uma memória normal, 21 de 114 (18%) dos quais tinham sido submetidos a uma intervenção cirúrgica, em comparação com 56 de 556 (10%) dos que não tinham sido submetidos àquele procedimento.

O número de cirurgias foi associado a uma redução na memória imediata nos testes subsequentes. O declínio na memória funcional foi também associado à acumulação de cirurgias.

A redução na velocidade e flexibilidade cognitivas foi associada a um pior estado físico. No entanto, o declínio na memória funcional foi associado a um melhor estado físico.

“As alterações cognitivas que relatamos são estatisticamente altamente significativas considerando os padrões normativos internos que empregamos e o tamanho elevado da amostra do controlo, ou a população sem cirurgias. Mas as alterações cognitivas após a cirurgia são pequenas – muito provavelmente assintomáticas e abaixo da perceção pessoal”, comentou Kirk Hogan, autor sénior do estudo.

O investigador disse, no entanto, que é demasiado cedo para se recomendar alterações na prática clínica em relação à prevenção, diagnóstico, gestão e prognóstico de alterações cognitivas após as cirurgias.

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