Hospitais obrigados a aumentar camas para número pré-crise

Urgências do Hospital São José, em Lisboa, 10 de fevereiro de 2013. MARIO CRUZ/LUSA
0 257

Região de Lisboa tem até final de setembro para chegar às 8149 camas de agudos. Em 2011, existiam 8153

Os hospitais de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) têm meio ano para criar quase 150 camas para doentes urgentes e voltar a níveis pré-crise. Esta é uma das grandes novidades da reorganização da rede de cuidados de saúde hospitalar da maior região de saúde do país, que é publicada hoje no Diário da República, e que procura dar resposta ao envelhecimento da população, invertendo a tendência de eliminação das chamadas camas de agudos.

O documento assinado pela secretária de Estado da Saúde, Rosa Valente de Matos, e ao qual o DN teve acesso, determina que o número de camas para agudos na zona da capital deve subir das atuais cerca de oito mil para 8149 até ao final de setembro, o mesmo patamar de 2011, quando a troika iniciou a intervenção em Portugal: nessa altura, existiam 8153 camas hospitalares na região. Para tal, cabe à ARLVT promover “o ajustamento das lotações dos hospitais e centros hospitalares da respetiva região, aumentando a capacidade de resposta na medicina interna”, mas sem nunca pôr em causa “a disponibilidade ao nível das especialidades cirúrgicas, atento o objetivo de cumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos”.

E se o objetivo do Ministério da Saúde no curto prazo é recuperar as camas eliminadas durante a crise económica – em 2015, quando houve a mudança de governo, esse número tinha descido para 7714 -, o despacho prevê que elas aumentem ainda mais, para cerca de 8400, depois da conclusão de obras e reorganizações anunciadas.

Mas depois de anos de eliminação de camas hospitalares, uma tendência anterior à chegada da troika (segundo o Pordata, no início deste século o país ainda tinha quase 40 mil camas, que em 2016 tinham passado para 35 mil), o que justifica a inversão de prioridades? “Estes ajustamentos têm por base estudos que incidiram sobre a evolução dos indicadores assistenciais dos hospitais integrantes da ARSLVT, particularmente a demora média e taxa de ocupação, tendo em conta algumas variáveis, de agravamento do envelhecimento da população, alterações epidemiológicas e o aumento de complexidade apresentada pelos doentes crónicos e com patologia múltipla que têm conduzido a alterações do modelo assistencial e à necessidade de uma maior articulação entre os diferentes níveis de cuidados”, explica o despacho.

Razões a que se junta a dificuldade em dar alta aos doentes internados (sobretudo os mais idosos) em hospitais e em camas dos cuidados continuados, “facto que, aliado ao aumento de procura dos serviços de urgência, tem resultado em aumento das taxas de ocupação” com efeitos “significativos sobre o número de camas disponíveis em serviços como os de medicina interna”. Quando do surto de gripe no início do ano, especialistas contactados pelo DN explicaram que o envelhecimento da população, com doentes mais idosos e com várias doenças crónicas a chegar às urgências, vai agravar os tempos de resposta e de espera no futuro.

O despacho do governo prevê ainda que a ARSLVT conclua até final de junho estudos de análise dos fluxos dos utentes nos hospitais, para perceber onde devem ser instalados dois novos serviços de urgência básica na região. Os hospitais são chamados também a “consolidar os processos de afiliação e de trabalho em rede colaborativa”, de que é exemplo a criação de um internamento de psiquiatria no Centro Hospitalar do Oeste, que está a ser apoiado pelo Centro Hospitalar Lisboa Norte.

Fonte Diário de Notícias

O melhor da PortalEnf...

Assina e recebe as últimas novidades da PortalEnf!

Obrigado por assinares. Se não receberes o mail de confirmação verifica a caixa de Spam!

Something went wrong.

Loading...
Share This Article:

close

Segue-nos nas redes sociais!

Partilha isto com um amigo