O Valor Das Palavras Daqueles Que Tratamos

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Vivemos há poucas semanas a concentração nacional de Enfermeiros, nos jardins de Belém. Mas já ficou atrás no tempo e hoje é só memória! Uma memória agradável.

Foi uma concentração, que em minha opinião, passou a dizer muito à ENFERMAGEM PORTUGUESA. Foi um momento em que por cascata, de outras manifestações e demonstrações de perda de medo, de protagonização da revolução dos cravos brancos, os ENFERMEIROS PORTUGUESES disseram mais uma vez BASTA!
São momentos como estes em que podemos afirmar e afirmamos o nosso poder, demonstramos o quanto o poder político, os políticos e o Governo (este e outros que já passaram) não sabem e não entendem o que é a Enfermagem e, qual o seu verdadeiro papel como parceiro nas equipas multiprofissionais e multidisciplinares que cuidam de pessoas, e a sua importância no SNS.

Poderíamos aqui fazer vários exercícios de retórica, mas permitam-me apenas reflectir e partilhar algumas frases que ouvimos milhares de vezes e o que representam para quem as diz e, para nós que as ouvimos, se calhar não lhe damos o verdadeiro valor, como quem as verbaliza e são as pessoas de quem tratamos.
Neste sentido, sintamos a importância de tudo o que nos dizem, e que muitas vezes, inúmeras vezes, nos preenchem de orgulho, de satisfação e com humildade sabemos que cumprimos.
Em tantos momentos, ouvimos:

  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pelo que fez por mim;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pelo que fez pelo meu familiar (Pai, Mãe, Avô, Avó, filho, etc.);
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por aquele permanecer de mão dada quando adormeci para a cirurgia;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a, quando acordei e, me disse que estava tudo bem e que tinha corrido tudo bem;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pelo conforto que de si recebi, quando vi o meu familiar partir;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pela visita que me fez, quando estava na vivência do luto, no meu domicílio;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ter deixado permanecer junto ao meu Familiar, na Enfermaria, com todo o aconchego, até ele ter partido para a eternidade. Muito obrigado;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ajudar a trazer à luz da vida o meu maior tesouro;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pela forma e pelo momento, quando me veio comunicar que já era Pai;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ensinar a pegar no meu filho/a;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ensinar a dar de mamar ao meu filho/a;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por dar o primeiro banho ao meu filho/a;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me reensinar a voltar a andar;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me reensinar a voltar a andar;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ensinar na Escola ou no Centro de Saúde o que são IST’s/DST’s, ou a SIDA, e o que é isto de sexualidade e como usar os métodos contraceptivos;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a pelas vezes, sem conta, que foi ao domicilio para reentubar e o realgaliar o meu familiar;
  • Sem o seu trabalho sr/a Enfermeiro/a, hoje já não teria esta perna;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me explicar o que se estava a passar com o meu familiar;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ajudar a comer aquela refeição;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por ter ajudado a que o meu familiar partisse com toda a serenidade e sossego;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por compreender as minhas lágrimas e soluços. Por fazer diminuir a minha dor;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me possibilitar ter novamente esperança para a vida;
  • Obrigado sr/a Enfermeiro/a por me ajudar a ver, outra vez, a luz brilhante da vida;
  • Graças à sua insistência sr/a Enfermeiro/a, tenho os “diabretes” controlados;
  • Sr/a Enfermeiro/a, agradeça a Todos os Enfermeiros da Sua Equipa por tudo o que fizeram por nós;

E quantas vezes, vemos acompanhadas nestas palavras, lágrimas que abrilhantam os olhos lapidados de muitos anos de vida, uma vida dura, num agradecimento que todas as palavras foram pequenas e poucas, para expressar esta gratidão resplandecente nestes olhos?
E quantas vezes, aquele toque de mãos cheias de rugas ou calos de um árduo trabalho, de uma vida longa, nos apertam e dizem muito mais alto, num silêncio abafador, muito mais que os lábios, que só souberam dizer, obrigado?
E nós, ao fim de um turno, de uma jornada, de uma sessão, cansados, esgotados, mal remunerados, mas preenchidos, grandiosos, porque demos muito de nós, ainda que só, do tamanho de um grão de areia neste universo materialista, mas que fizemos a diferença, para a felicidade daquela pessoa/Família. Nos sentimos realizados! Orgulhosos por sermos ENFERMEIROS. Orgulhosos por sabermos tratar de doentes, de pessoas e de Famílias. Satisfeitos por desenvolver um trabalho insubstituível na Comunidade.

Depois há especificidades. Especificidades de muito de nós Enfermeiros, que trabalhamos em serviços, onde o minuto seguinte, pode ser muito diferente, do anterior, haja sempre uma luz bem forte de esperança, que brilhe intensamente, num trabalho sublime, sempre ao serviço da vida….

E porque um dia alguém nos reconhecerá tudo aquilo que somos, o que seremos e todo o contributo, que já damos, e que continuaremos a ser capazes de dar para tornar um Mundo MELHOR.

Deixo-vos o desejo para que sejamos sempre capazes de escrever o que agora tanto ficou por escrever sobre nós. Sim, sobre nós ENFERMEIROS PORTUGUESES. E que TODOS nós, sintamos a grandeza da nossa profissão. Uma profissão sublime, inconformada, mas influente, sempre na primeira linha de um trabalho árduo pela vida. Esse majestoso e grandioso valor, a VIDA!

Bem hajam Todos os ENFERMEIROS PORTUGUESES!

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2018.05.29

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