A dignidade e obrigação de uma profissão – Ser Enfermeiro!

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No passado sábado (2018.06.23), assistimos a uma “quebra de tensão, associada a uma desidratação causada por uma gastroenterite”, por parte de Sua Excelência o Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Um incidente que pode acontecer a qualquer cidadão. Mas neste caso, com muito mais mediatismo, por ser o mais alto magistrado da nação Portuguesa, e ainda por estar em actividade pública de visita a Braga.

Felizmente que o nosso País tem um Serviço Nacional de Saúde (SNS) que funciona, apesar de muitas vicissitudes, dificuldades e limitações.

Prontamente Sua Excelência o Presidente da República foi assistido por uma Equipa do INEM, com a chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER Tripulada por um Enfermeiro e um Médico) e evacuado para o Hospital de Braga. Felizmente, tudo correu bem. E todos assim desejamos que aconteça a cada evacuação, com qualquer cidadão, de qualquer estrato social.

Mas o que não estará totalmente bem, é a vivência “médico-centrica” quando se agradece! Não foram só os médicos que socorreram e trataram! Ironia do destino, Sua Excelência o Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, foi em primeiro momento socorrido por um Enfermeiro, e precisamente, até ao momento, ainda não teve a dignidade de receber em audiência a ORDEM DOS ENFERMEIROS, pedido formulado, penso que antes, mas pelo menos, em Setembro de 2017.

Mas mais tarde em nota escrita da Presidência da República já se pode ler: ”O Presidente da República agradece ainda a rapidez, eficiência e competência com que foi assistido pelo INEM e por todo o pessoal do Hospital de Braga.”

E tal como escrevi num post no facebook neste mesmo dia, “Concerteza que, com todo o profissionalismo, responsabilidade, espírito de missão e altruísmo, estamos sempre presentes. Os ENFERMEIROS PORTUGUESES desejam as rápidas melhoras a Sua Excelência o Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa”.

Felizmente, para Portugal, o SNS tem excelentes profissionais, de todas as áreas profissionais, incluindo ENFERMEIROS, que são disputados por unidades privadas e países estrangeiros. Contudo, vemos um SNS a perder os seus bons profissionais, por desmotivação, falta de carreira, falta de incentivos, falta de investimento e degradação das suas instalações e infraestruturas. Mas apesar disso tudo, ainda funciona, à custa do amor, da dádiva e entrega dos seus profissionais. Em gíria futebolística, porque estamos no mundial de futebol, por “amor à camisola” do SNS.

Este episódio com Sua Excelência o Presidente da República, apenas foi um, embora mais mediático por ser com quem foi, entre tantos outros que acontecem diariamente neste nosso Portugal. E acontecem quer fora quer dentro das Unidades de Saúde (Hospitais, Centros de Saúde, nas diversas  unidades, etc).

Os ENFERMEIROS PORTUGUESES estão sempre presentes! Refletindo o lema da Nossa Ordem dos Enfermeiros, “Ninguém está sozinho”. E a realidade é essa, mesmo, os ENFERMEIROS nunca deixam ninguém sozinho. Por obrigação, por profissionalismo, por voluntariado ou por altruísmo, estão sempre lá. Em todas as catástrofes naturais ou acidentais. E os fogos do Verão de 2017, são a demonstração da entrega, voluntarismo e altruísmo dos ENFERMEIROS PORTUGUESES às causas públicas.

Perante esta realidade, perante estes desígnios, pena que que os ENFERMEIROS PORTUGUESES se sintam sozinhos, por um Governo e um Ministro da Saúde que nos mal trata, insulta e ignora, não nos reconhecendo valor, não nos criando uma carreira digna e não nos remunera, conforme a responsabilidade e formação académica, técnica e científica que possuímos. Caros Colegas ENFERMEIROS PORTUGUESES, efetivamente somos gente que cuida de gente. Desde o mais pobre e indigente, ao mais alto magistrado de uma nação. Desde o momento do nascimento, ao longo de todo o ciclo vital, até à morte. Temos valor, temos dignidade, temos conhecimento e prática científica. Não deixemos que o poder político nos mal trate! Exijamos, reivindiquemos e lutemos por uma nova Carreira de Enfermagem digna, que respeite e reconheça o nosso amplo campo de actuação profissional, com remuneração e progressão adequada.

Não esqueçamos que “NINGUÉM ESTÁ SOZINHO”, mas também, “JUNTOS SOMOS MAIS FORTES”

Humberto Domingues

Enfº. Especialista Saúde Comunitária

2018.06.27 – 09h00

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