Contagem Decrescente, uma Realidade!

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Começamos a viver o período maior de férias, onde os serviços vão sentir um maior número de ausência de profissionais, devido a este direito. Para além disso, a implementação plena das 35 horas semanais, está aí ao virar da esquina. As dotações seguras deveriam ser uma realidade, para a segurança do doente, dos profissionais e das unidades de saúde. Mas neste momento são uma miragem!

Lembrar também que passaram já 9 meses da magna manifestação e revolução dos cravos de Lisboa (Setembro/2017). Desde essa data até ao momento, inúmeras iniciativas foram feitas pelos ENFERMEIROS PORTUGUESES, pela nossa Ordem Profissional, Sindicatos e Movimentos.

Recentemente, a 19 de Maio, a concentração de Enfermeiros nos jardins de Belém, deu origem à recepção e audiência por parte da Casa Civil da Presidência da República, de uma comitiva composta pelo Movimento dos Enfermeiros Portugueses, Ordem dos Enfermeiros e Sindicatos, com entrega de documentos.

De concreto, e para benefício de todos os ENFERMEIROS PORTUGUESES, que reivindicam uma nova Carreira de Enfermagem, pouco ou nada se verificou de novo, ou se alterou:

  • O suplemento para os Enfermeiros Especialistas só começou a ser pago no mês de Maio, embora com retroactividade a Janeiro, mas não foi um critério uniforme em todas as unidades, ou regiões do país. Tantas diferenças, arbitrariedades e ignorância à mistura;
  • Algumas propostas de carreira já foram apresentadas pelos sindicatos. Já há francas negociações? Em que patamar das negociações estão?
  • A desinformação e ignorância é muita, quer nos serviços de recursos humanos, quer no seio da nossa classe, quer até mesmo (o que é de espantar, ou não!!!!) nas nossas chefias e hierarquias, quer de topo, quer intermédias, sobre descongelamentos, suplementos, etc;

O que sabemos nós:

  • A preparação e elaboração do Orçamento de Estado para 2019, está aí;
  • Ao longo deste período, onde a união dos ENFERMEIROS PORTUGUESES nunca foi tão grande, ouvimos tantas barbaridades serem ditas, por políticos, comentadores, jornalistas e responsáveis de serviços e unidades, que provavelmente nós, nem tínhamos noção da ignorância que grassava por aí acerca da Enfermagem. E esta ignorância é contagiosa!
  • Constatamos a incapacidade negocial e de gestão do Sr. Ministro da Saúde, Prof. Doutor Adalberto Campos Fernandes, não só com a ENFERMAGEM em particular, mas a partir do seu Ministério, que foi tomado e desautorizado pelo Sr. Ministro das Finanças Prof. Mário Centeno. Coisas raríssimas ali se passaram!
  • O Senhor Presidente da República, como o mais alto magistrado da Nação, já percebeu a magnitude deste problema e desta dificuldade. E percebeu ainda melhor a inabilidade do Sr. Ministro da Saúde Prof. Adalberto Campos Fernandes, em gerir este assunto difícil e ter um discurso moderador e conciliador, junto dos ENFERMEIROS PORTUGUESES;
  • E tantos outros episódios aqui poderíamos relatar.
  • E a nível do Governo, perceber o início da radicalização de posições, porque não têm nada mais para oferecer (veja-se a Educação e a contagem de tempo). Será que querem eleições antecipadas?

 

Os ENFERMEIROS PORTUGUESES, tal como o nosso POVO, são pessoas de bem. Para além disso, e porque são profissionais altamente qualificados, responsáveis e, apesar de todas as questões, de falta de carreira digna, falta de pagamento de horas penosas e extraordinárias, falta de reconhecimento, exaustão/burnout e, porque são reflectidos e conscientes, sabem a importância que têm no “segurar” e manter o SNS Português. São gente que cuida de gente, conhecem o valor da vida humana e por isso estão ao serviço da vida, esforçando-se 24 horas por dia e 365 dias por ano, para estar sempre junto dos seus utentes/clientes/famílias, comunidades e territórios, e para que nunca lhes falte os cuidados de Enfermgem.

Estamos num momento crítico desta manifestação de desagrado e desconforto para com o poder político em geral, e com o Governo Português e Ministério da Saúde, em particular. Olhemos em nosso redor. O que vemos? Governo incapaz de fazer cumprir as suas promessas. A conflitualidade está aí. Promessas houve muitas, concretização… não me parece. A nível da saúde as situações agudizam-se: várias classes em luta-ENFERMEIROS, Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, Médicos e Assistentes Técnicos.

Perante esta realidade, a nossa reivindicação não pode diminuir, esmorecer ou desorganizar-se. Os diversos movimentos de ENFERMEIROS têm de tomar a dianteira e aí tenho a certeza que contarão com o apoio inequívoco da Ordem dos Enfermeiros e concerteza que vemos com bons olhos a aderência dos Sindicatos.

Nós ENFERMEIROS PORTUGUESES, temos que continuar a ser verdadeiros, leais e íntegros, mas estrategas e firmes nas posições e negociações. Olhemos para as datas do Orçamento Geral do Estado e sua preparação. Olhemos para os calendários eleitorais. Não podemos “embarcar” em falsas e vãs promessas. E por isso ter um caderno reivindicativo assertivo.

O SNS está em sofrimento! As situações vão agudizar-se. Por tudo isto, o momento é de muita união entre os ENFERMEIROS PORTUGUESES, demonstração da insatisfação e sem medos!

Nunca tenhamos dúvidas de que, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2018.06.05 – 07h00

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