Enfermeiros em greve querem mais contratações para evitar rutura de serviços

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Os enfermeiros realizam esta quinta-feira uma greve das 08:00 às 24:00. A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses para exigir a contratação de mais profissionais para compensar a passagem do regime de 40 para 35 horas semanais a partir de 1 de julho.

A presidente do SEP, Guadalupe Simões, disse à agência Lusa que se não forem contratados mais enfermeiros, “pode ser posto em causa o regular funcionamento dos serviços”, em que os enfermeiros já trabalham “sistematicamente mais 40 e 60 horas do que é o seu horário” para compensar a “carência estrutural de profissionais”.

A partir de julho, os enfermeiros com contrato individual de trabalho vão voltar às 35 horas semanais de trabalho em vez das 40 atuais, o que, segundo as contas do SEP implica que serão precisos “1.976 enfermeiros” para compensar a redução de horas destes profissionais para manter tudo a funcionar.

No entanto, a dias dessa mudança, continuam por confirmar as contratações pedidas pelas instituições, que deviam já estar asseguradas “para que a transição pudesse acontecer com o menor ruído possível”.

Mesmo que se confirmem até ao fim da semana, “os profissionais vão começar a trabalhar sem períodos de integração” e “é uma incógnita o que se vai passar na próxima semana”, alertou.

Com menos horas, vão faltar pessoas para assegurar todo o serviço.

Além desta questão, há uma falta de enfermeiros mais profunda, que tem a ver com “o desinvestimento e os cortes na área da saúde”, com efeitos negativos nos salários e carreiras que levaram “muitos enfermeiros a sair do país”.

Para os que ficaram, isso significou “mais pressão”, com mais horas de trabalho e um aumento do absentismo.

Sindicato fala em adesão de 70 a 90%
Ao final da manhã, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses reivindicou “uma adesão extremamente elevada” à greve nacional, apontando números entre 70 e 90% em várias unidades de saúde.

Falando aos jornalistas à porta do hospital de S. José, em Lisboa, o presidente do sindicato, José Carlos Martins, afirmou que, naquela unidade, a adesão à greve atingiu 90,3%, enquanto no hospital de S. João, no Porto, 79% dos enfermeiros não foram trabalhar.

Bloco de neurocirurgia encerrado no Porto
Em declarações à TVI24, na primeira hora de greve, Fátima Monteiro, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, diz que os motivos para esta greve “são muito sentidos pelos enfermeiros”.

“Os motivos são muito sentidos pelos enfermeiros, nomeadamente a grave carência de enfermeiros”, afirmou lembrando as promessas que foram feitas pelo ministro da Saúde.

Fátima Monteiro garantiu ainda que “até que saia o despacho” a greve vai manter-se.

Num primeiro balanço, ao fim de uma hora de greve, a sindicalista afirmou que, no Porto, de 100 enfermeiros, cerca de 85 estão em greve.

“O bloco de neurocirurgia de duas salas que deviam funcionar, nenhuma funcionou. O bloco operatório tinha 12 salas para funcionar, só duas estão a funcionar. Logicamente que o sindicato não quer lesar os utentes, mas quando o Ministério da Saúde recebe um pré-aviso de greve – e percebe quais são os problemas e tem consciência dos problemas – a responsabilidade é inteiramente do Ministério da Saúde”, acrescentou.

Greve cancela cirurgias nos hospitais do Algarve
A greve está a provocar o cancelamento de cirurgias nos hospitais do Algarve, registando-se uma adesão de 100% em vários serviços, disse à Lusa fonte um dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

Durante a manhã foi cancelada a totalidade das cirurgias programadas nos hospitais do Algarve, registando-se uma adesão de 100% nos serviços de pneumologia, medicinas 1 e 3, cardiologia, neonatologia e pediatria”, indicou à agência Lusa Nuno Manjua do SEP, durante uma concentração de enfermeiros à porta do hospital de Portimão.

De acordo com o dirigente sindical, “em média regista-se uma adesão de 80% em todas as unidades de saúde algarvias”.

Além dos constrangimentos causados nos três hospitais algarvios – Portimão, Faro e Lagos – que compõem o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) – a paralisação dos enfermeiros “está a afetar as unidades de cuidados de saúde primários, com uma adesão de 100%” em Quarteira e em Vila Real de Santo António.

Nuno Manjua considera que “a adesão significativa à greve, demonstra o descontentamento e a indignação dos enfermeiros face à contagem de pontos, independentemente do seu vínculo, para que possam progredir na carreira, a atribuição do suplemento de especialista que deveria ter tido efeitos retroativos a janeiro e a contratação destes profissionais de saúde”.

“Faltam 500 enfermeiros no Algarve, 350 nos hospitais e 150 nos centros de saúde e queremos que de uma vez por todas, esta carência crónica acabe na região, porque este verão esperamos ainda uma maior dificuldade para assegurar os serviços, destacou.

Greve deixa hospitais do Alentejo com serviços mínimos e cirurgias adiadas
Valências com serviços mínimos de enfermagem e cirurgias adiadas são os principais efeitos nos hospitais públicos do Alentejo da greve.

No Alentejo, a maior adesão à greve é de 85% no hospital de Évora e a menor é de 35% no hospital de Beja, disse o coordenador da Direção Regional do Alentejo e dirigente nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Edgar Santos.

No hospital de Évora, várias valências estão a funcionar com serviços mínimos de enfermagem, como as urgências, as consultas externas, o internamento e o bloco operatório, onde “cirurgias programadas foram adiadas e só se realizam as de urgência”, indicou.

No hospital de Beja, disse, “como houve pouca adesão à greve”, as várias valências do hospital estão “a funcionar quase sem problemas” e com mais do que serviços mínimos de enfermagem.

No norte alentejano, a adesão à greve no hospital de Portalegre é de “65%” e no de Elvas é de “50%”, indicou o sindicalista.

No hospital de Portalegre, disse, também há várias valências a funcionar com serviços mínimos de enfermagem, como as urgências, as consultas externas, o internamento e o bloco operatório, onde “só estão a ser realizadas cirurgias de urgência”.

No entanto, em declarações à Lusa, o porta-voz da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), Ilídio Pinto Cardoso, disse que a greve dos enfermeiros está “a afetar” os serviços de consultas externas do hospital de Portalegre, estando as restantes valências a funcionar com normalidade.

O bloco operatório está a funcionar, a adesão à greve não está a afetar muito os serviços”, afirmou Ilídio Pinto Cardoso.

No Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, a adesão à greve é de “87%”, disse à Lusa o coordenador da Direção Regional de Setúbal do SEP, Zoraima Cruz.

Adesão à greve no distrito de Coimbra entre 75 e 80%
Em Coimbra, a adesão à greve situa-se entre os 75 e os 80%, informou o dirigente regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

De uma forma genérica, a adesão à greve é muito forte no distrito de Coimbra”, com os hospitais a registarem uma adesão de entre 75 e 80%, afirmou o coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Paulo Anacleto, sublinhando que os enfermeiros “estão altamente descontentes”.

De acordo com o dirigente sindical, no bloco operatório central do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) “nenhuma cirurgia programada foi realizada”, sendo que nos blocos operatórios periféricos também só estão “as urgências a funcionar”.

Também nos centros de saúde do distrito, a adesão à greve faz-se sentir, tendo provocado o encerramento do centro de saúde de Eiras, acrescentou.

Paulo Anacleto referiu que soube na terça-feira que vão ser contratados 46 profissionais de saúde para o CHUC, salientando que, mesmo que todos fossem enfermeiros, o número fica muito aquém das necessidades daquele hospital.

Só enfermeiros, faltam 300 no centro hospitalar. E isto não são dados do sindicato, mas da própria administração”, salientou.

Segundo o dirigente sindical, os enfermeiros “estão em exaustão”, registando-se um “elevadíssimo percentual de absentismo”.

“Tem de haver afetação de recursos sob pena de se fazerem mais horas extraordinárias programadas. Em vez de se fazerem as 35 horas, fazem 45 ou 66, havendo enfermeiros com 300 a 400 horas extraordinárias a haver”, vincou.

Paulo Anacleto alertou ainda para o aumento esperado da necessidade de mais enfermeiros no CHUC, quando, a partir de 01 de julho, os enfermeiros com contrato individual de trabalho voltarem às 35 horas semanais de trabalho em vez das 40 atuais.

Madeira não decretou greve por ter situação diferente
O Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira não decretou greve para hoje porque as reivindicações que estão subjacentes à paralisação nacional já estão resolvidas no arquipélago, disse à Lusa o sindicalista Juan Carvalho.

“Aqui, na Madeira, o Sindicato dos Enfermeiros não decretou greve porque os objetivos ou as razões desta greve têm a ver com os compromissos assinados em 2017, em que o Governo da República assumia que, até 1 de julho, iria passar das 40 para as 35 horas [de trabalho semanal] a nível nacional”, explicou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros na região, lembrando que a situação já foi resolvida na Madeira em 2015.

“Também havia o compromisso nacional de, até 1 de julho, o Governo admitir 1.500 enfermeiros para suprir as necessidades de redução de horário e não o fez”, referiu Juan Carvalho.

“Na Madeira há, neste momento, um concurso a decorrer para admissão de 64 enfermeiros com a possibilidade de, nos próximos 18 meses, entrarem mais 200 e tal enfermeiros. Por isso, as razões que levam os enfermeiros a nível nacional a fazer greve são diferentes das que existem, neste momento, na Madeira”.

Fonte : TVI

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