INEM faz exercício e esquece-se de hospital

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Equipa do São José ficou horas à espera de ‘vítimas’ em simulação de acidente durante a noite no aeroporto Humberto Delgado

epois das denúncias feitas por técnicos, enfermeiros e médicos, chegam agora críticas de elementos de unidades de saúde ao funcionamento do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Na semana passada, durante um exercício para testar a prontidão, a equipa do Hospital de São José foi esquecida, tendo ficado horas à espera da chegada das ‘vítimas’. A falha só foi notada depois de um alerta para o INEM.

O exercício para verificação dos procedimentos em emergências é feito, normalmente, uma vez por ano com várias entidades. O mais recente foi na semana passada, na noite de quinta-feira, 24 de maio, e consistia no envio de meios para um acidente com várias vítimas de trauma no aeroporto de Lisboa. No caso concreto da atuação pré-hospitalar, o objetivo era prestar o socorro adequado no local o mais rapidamente possível e encaminhar os feridos para três hospitais da cidade: Santa Maria, São José e São Francisco Xavier.

Segundo as regras definidas, as unidades participantes deveriam receber vítimas para assim testarem a sua própria capacidade de resposta. Todas acolheriam figurantes exceto o São José, que, a seu pedido, iria ativar os procedimentos mas sem receber, de facto, figurantes. O exercício decorreu, os feridos chegaram aos hospitais, mas o São José continuou à espera.

O INEM esqueceu-se da equipa do hospital no coração de Lisboa. Durante várias horas, os elementos escalados para o simulacro aguardaram pelo pedido de socorro para, teoricamente (exercício table top), ensaiarem a sua resposta. O objetivo só viria a ser cumprido muito tempo depois, quando os elementos participantes do São José estranharam a espera após o exercício ter sido dado como iniciado pelo INEM, decidindo contactar a emergência pré-hospitalar para saber a razão da estranha demora.

A falha no exercício motivou críticas de elementos do hospital, que oficialmente limita-se a dizer que “as explicações devem ser dadas pelo INEM”. E o instituto desvaloriza o sucedido: “Em função das duas modalidades de participação, foi dada prioridade ao encaminhamento dos feridos reais, neste caso simulados, para os hospitais de Santa Maria e de São Francisco Xavier, tendo a informação que seria destinada ao Hospital de São José sido enviada, efetivamente, mais tarde do que o previsto.” Ao Expresso, os responsáveis sublinham que “é precisamente para testar a capacidade de resposta e aperfeiçoar os circuitos de comunicação que se realizam frequentemente estes exercícios à escala real”.

Médicos exigem seguro

Também no final da semana passada, operacionais do INEM lançaram uma petição para que o instituto faça prova de um seguro de acidentes de trabalho. No texto que enquadra a ação, é justificado que “o exercício profissional na emergência médica pré-hospitalar acarreta um elevado risco de acidentes de trabalho, e a existência de várias entidades responsáveis por operar meios INEM poderá gerar confusão sobre as responsabilidades para com os operacionais”.

A par do risco, é referido que “a contratualização a título particular de seguros com capitais adequados e cobertura deste âmbito laboral é extraordinariamente difícil, seja pelo avultado agravamento do risco e prémio seja por estarem excluídas das apólices convencionais”, pelo que é pedido que “sejam divulgados os documentos que comprovam as coberturas de morte/incapacidade e outras consequências sofridas enquanto acidente de trabalho abrangidas pelo seguro contratualizado em nome do INEM”.

Em entrevista ao Expresso na semana passada, o presidente do instituto revelou que “não há seguro de trabalho porque somos um instituto público”. Luís Meira explicou que, “os profissionais [do quadro] são tratados no Serviço Nacional de Saúde”, reconhecendo que “é demorado”. Posteriormente, a direção do INEM explicou que para os restantes operacionais ao serviço do instituto, como enfermeiros e médicos das ambulâncias SIV e das viaturas VMER, a responsabilidade recaí sobre as respetivas unidades de saúde e no caso dos prestadores de serviço sobre eles próprios, devendo ter “um seguro obrigatório que cubra acidentes de trabalho”. Ainda assim, e por ser reconhecido o risco, “o INEM tem contratado um seguro de acidentes pessoais, que pode acionar em situações pontuais”. A proteção é apenas para os elementos fora do quadro, como são quase todos os operacionais, e é precisamente a esta apólice que querem ter acesso.

Fonte Expresso

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