“Noites perigosas” e “pensos rápidos” no Hospital do Litoral Alentejano

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A falta de enfermeiros no Hospital do Litoral Alentejano e o esforço que é pedido aos que lá exercem por vezes em turnos diários de 16 horas são fatores que levam a que as noites sejam perigosas, principalmente no serviço de urgência.

À margem dum protesto que se realizou esta tarde à porta do hospital encontramos António Rosa, 81 anos, morador em Grândola que conta que “as noites são perigosas porque não se vê vivalma nos corredores”. O reformado fala nas vezes em que vai de urgência para o hospital por razões que se prendem pela idade. “Se por algum azar me sentir mal enquanto estou deitado numa maca no serviço de urgência, não sei se há quem me acuda”.

Atualmente, e de acordo com números avançados pela comissão de utentes do Litoral Alentejano, faltam cerca de cem enfermeiros nos vários serviços, isto para além de médicos especialistas. “Não há um pediatra neste hospital”, conta Dinis Silva, coordenador da comissão, acrescentando que “o staff hospitalar está à beira da rutura e a própria urgência está em rutura iminente”.

Aqui, quem trabalha, fala em “pensos para tratar de pernas amputadas”, referindo-se à forma como a administração hospitalar tenta resolver os problemas.

Luís Matos, enfermeiro com 34 anos e 11 de experiência no Litoral Alentejano, faz as contas: “Em abril faltavam 80 enfermeiros, foram entretanto dispensados 15 e contratados cinco, um penso rápido”, lamenta. “Com a passagem para as semanas de 35 horas, vão ser precisos mais 20 e depois da ampliação do serviço de urgência, agendado para novembro, vão faltar mais dez”. Feitas as contas, são 120 em falta neste hospital que serve cinco concelhos do Alentejo Litoral, entre Alcácer do Sal e Odemira. Há, ainda assim, boas notícias pela administração e avançadas pelo enfermeiro.

Vão ser contratados 19 profissionais para o hospital, mas não são só enfermeiros, são também assistentes operacionais e técnicos, outro “penso rápido”, do ponto de vista do enfermeiro alentejano. “Pedem-nos para fazer um esforço, tentamos andar com um sorriso na cara ao abordar os utentes, mas com estas condições, somos nós que passamos a utentes do hospital”, afirma.

A referida rutura dos serviços hospitalares desta Unidade Local de Saúde com 390 enfermeiros, espalhados pelos centros de saúde dos cinco concelhos, leva a que os médicos estejam saturados, tendo já pedido auxílio à autarquia para encontrar soluções.

Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém aproveitou o protesto desta quinta-feira para denunciar isso mesmo, confessando ao JN que sem as condições para os médicos no hospital, não há medidas para atrair médicos para a região que valham. “Oferecemos casas aos médicos como já fizemos com os médicos cubanos, temos um excelente sistema de educação, baixamos os preços dos terrenos para a construção de casas, mas sem condições no local de trabalho, não há quem queira vir para aqui”, lamenta o autarca.

O protesto acabou com a entrega duma petição à administração, a exigir soluções para os problemas por que o Hospital do Litoral Alentejano passa.

Fonte jornal de notícias

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