Conhecimento Científico da Enfermagem Portuguesa na Interdisciplinaridade da Ciência do cuidar em Saúde

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Várias notícias têm sido recentemente capa de jornais sobre a falta de investimento e reduzido orçamento do SNS. Demissões de directores e chefes de serviço e encerramento de camas.

Já várias vezes escrevi sobre a degradação das instalações, escassos recursos humanos, nomeadamente ENFERMEIROS, dotações (in)seguras dos serviços, não cumpridas, etc.

Começa-se a falar do OE/2019. Várias classes profissionais estão em luta reivindicando o desbloqueamento e progressão nas carreiras, contagem de tempo de serviço, nova carreira de Enfermagem e valorização da profissão, etc.

O governo nega e dificulta negociações de compromissos assumidos no OE/2018. A Saúde e a Educação carecem de investimento. No entanto são encomendados mais 7 navios de guerra, que custam milhões e milhões de euros. Os hospitais e unidades de saúde têm dívidas astronómicas que se avolumam, no entanto, são injectados milhões de euros na banca falida. As unidades de saúde dos cuidados primários UCCs/ECCI, USF e UCSP, que prestam cuidados de saúde às populações e comunidades, com domicílios, cuidados paliativos, saúde escolar, etc, não têm viaturas para os profissionais se deslocarem. Mas o Estado dá aos ex-gestores do BPN 23 carros topo de gama. Para além dos veículos, o Estado paga ainda o combustível, seguro, manutenção, parques de estacionamento e portagens (Jornal Sol de 18/7/2018).

Quanto aos ENFERMEIROS PORTUGUESES, reivindicamos uma nova carreira, revalorização da profissão, contagem de tempo (13 anos, 8 meses e muitos dias) e progressão.

O SNS sem os ENFERMEIROS, pode ser outra coisa qualquer, mas não é o SNS, (que tantos querem destruir).

E hoje, o porquê da reivindicação dos ENFERMEIROS PORTUGUESES? Porque estes Profissionais de Saúde possuem um saber científico muito evoluído. Um saber sustentado na prática e na investigação científica. Um saber científico, associado a várias disciplinas do saber, preocupado com a evolução, melhoria e qualidade dos cuidados a prestar ao comum cidadão doente/limitado, no sentido de lhe proporcionar mais qualidade de vida, melhor qualidade de vida, melhores anos à sua vida, melhor reabilitação e melhor reintegração na vida activa, quando o caso.

São ENFERMEIROS brilhantes a partilharem o seu saber, as suas investigações, as suas publicações, as partilhas com outras classes profissionais e a transdisciplinaridade da ciência do cuidar em Saúde, de toda uma intervenção, quer seja na vida hospitalar, quer nos cuidados primários, quer na Comunidade. São estes trabalhos, publicações e comunicações dignas de referências ao mais alto saber do “campus” da ciência e da investigação, quer nas ciências médicas, como sociais e económicas, que atribuem qualidade internacional à ENFERMAGEM PORTUGUESA.

Perante este riquíssimo saber, produzido por ENFERMEIROS PORTUGUESES, saberá, esta nossa Nação, este nosso Estado, este Governo da existência deste conhecimento? Saberá que este conhecimento, investigação e técnicas são postos todos os dias ao serviço dos Cidadãos, com vista a melhorar a sua qualidade de vida? Penso que não! A visão, particularmente dos Governantes e poder político, está demasiado limitada e com amplitude reduzida para perceber isso. Como não percebe, como não valoriza, como não conhece, não está disposto a ser confrontado com esta realidade e, por isso, também não está disposto a remunerar de forma proporcional estes valiosos ENFERMEIROS PORTUGUESES, pelo trabalho que realizam, em toda a amplitude de intervenção e ciclo vital. E é pena que assim seja. Muita pena! Porque muitos destes brilhantes ENFERMEIROS, vão fronteira fora, partilhar os seus valiosos conhecimentos em países que melhor os acolhem, reconhecem, gratificam e criam condições de continuidade de trabalho e investigação. E por isso não voltam.

Mas hoje o tempo urge!

Não percamos tempo com afirmações de expressividade mediocre, com momentos efémeros e de perfídia de sindicalistas de fraco e pequeno quilate, que aparecem nas televisões. Sejamos assertivos na defesa dos nossos interesses como ENFERMEIROS, nas manifestações, nos movimentos sindicais, nas redes sociais, nos corredores do poder, nos fóruns da Sociedade e pela diferença nas Nossas Unidades de Saúde.

Por uma nova CARREIRA. Pela valorização da ENFERMAGEM PORTUGUESA.

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! Assim o queiramos e saibamos sê-lo!

Humberto Domingues

Enf. Especialista Saúde Comunitária

2018.09.05 – 22H30

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