Depois de seis anos em queda, taxa de cesarianas voltou a aumentar em 2017

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O aumento ligeiro registado no ano passado nos hospitais públicos foi potenciado pelo protesto dos enfermeiros obstetras e pela falta de médicos na urgências de obstetricia. Quase um terço das unidades do SNS podem ser penalizadas por excesso de cesarianas

A taxa de partos realizados com recurso a cesariana aumentou no ano passado, depois de ter registado quedas consecutivas desde 2010, adianta o jornal Público. Os dados referentes a 2017 revelam um inversão de tendência, ainda que ligeira, com a taxa a subir 0,32% em relação a 2016.

A taxa de cesariana foi diminuindo gradualmente nos últimos seis anos nos hospitais públicos, passando de um valor superior a 32% em 2010 para 27,34% em 2016. No ano passado aumentou ligeiramente para 27,66%. Embora nos hospitais privados a taxa seja muito superior (chega a ser o dobro), esta tendência de subida nas unidades do SNS pode levar o Ministério da Saúde a aplicar penalizações aos hospitais públicos que não cumpram os limites estabelecidos para a taxa de cesarianas.

Isto porque, segundo as normas do SNS para 2018, os hospitais que ultrapassem os 29,5% ou 31,5% (a taxa máxima varia consoante o grau de diferenciação) são penalizados financeiramente, com o ministério a deixar de comparticipar os internamentos que excedam os máximos previstos. 11 dos 37 hospitais que têm salas de parto excederam o limite de cesarianas em 2017.

Entre os fatores que podem ter levado ao ligeiro aumento registado em 2017 estão a greve dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica no verão do ano passado. Durante o protesto, que durou quase dois meses, os profissionais recusaram-se a fazer vigilância de grávias e partos. Ao Público, o enfermeiro Bruno Dias – que na altura liderava o movimento em defesa da atribuição de um suplemento a estes enfermeiros (concedido já este ano pelo Ministério da Saúde) – refere que durante o protesto registou-se um aumento “de partos instrumentais (com recurso a ventosas e fórceps) e de partos por cesariana”.

Outro problema prende-se com a falta de médicos nas urgências de obstetrícia em muitos hospitais, o que, na opinião de João Bernardes (Presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos), pode levar os profissionais “a actuarem mais cedo em vez de esperarem até à última” para avançarem para a cirurgia. O facto de as mulheres terem filhos cada vez mais tarde também potencia mais complicações durante a gravidez, o que aumenta a probabilidade de o parto ser feito com recurso a cesariana.

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