Ligação entre infeções e cancro poderá ser mais forte do que se pensa

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As bactérias poderão estar mais envolvidas no desenvolvimento do cancro do que pensa o mundo da investigação, indicou um novo estudo.

Conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, EUA, o estudo descobriu um tipo de infeção que pode afetar a reparação do ADN nas células, um fator causador de cancro, e ainda diminuir o efeito de certos fármacos para tratar a doença.

“Pensa-se que aproximadamente 20 por cento dos cancros sejam causados por infeções, sabendo-se que a maioria é devido a vírus”, avançou Robert Gall, autor sénior do estudo.

Para o estudo, a equipa estudou infeções provocadas por micoplasmas que são uma família de bactérias minúsculas, sem paredes celulares, associadas ao cancro, principalmente em pacientes com VIH.

Os micoplasmas contêm uma proteína conhecida como DnaK, sobre a qual a equipa focou a sua atenção devido à capacidade de a mesma interagir com outras proteínas. A DnaK protege outras proteínas de serem danificadas e assegura que funcionam devidamente, ajudando-as a enovelarem-se.

Os investigadores descobriram que a DnaK nos micoplasmas “interage e reduz a atividade das proteínas humanas” importantes para a reparação do ADN. Adicionalmente, a proteína DnaK enfraquece o efeito de alguns fármacos de potenciar a atividade da proteína natural anticancerígena conhecida como p53.

Em ensaios conduzidos em ratinhos com sistemas imunitários debilitados, um grupo que tinha sido infetado com uma estirpe de micoplasma de um paciente com VIH desenvolveu linfomas com maior rapidez do que um grupo de ratinhos não infetados. Foi observado que algumas células cancerígenas, mas não a totalidade, dos ratinhos infetados continham ADN das bactérias.

A equipa sugere que isto significa que a infeção não tem que persistir para poder desencadear cancro. Ao que parece, o micoplasma liberta DnaK, a qual pode penetrar nas células sem infeção adjacentes e desencadear eventos que conduzem a cancro naquelas células.

Por fim, a análise da composição de aminoácidos revelou diferenças entre as DnaK de bactérias associadas a cancro e bactérias que os investigadores não associaram a cancro, o que pode significar que existem outras bactérias com uma capacidade semelhante de promoverem cancro.

Fonte: Banco da Saúde

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