Os insultos que, através dos Enfermeiros Portugueses, fazem à sociedade

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Está a chegar ao seu epílogo, o ano, que viu em muitas páginas de jornal, telejornais, painéis de discussão, comentadores e curiosos, falaram dos ENFERMEIROS PORTUGUESES. Falaram e escreveram muito, mas pouco disseram! Disseram mentiras, tentado passa-las por verdades, repetiram afirmações desvirtuando a verdade, o conhecimento, a realidade, algumas vezes até, num tom altivo, ameaçador e desenquadrado do momento. Estas afirmações tiveram uma actriz muito especial, de seu nome Marta Temido, investida em autoritarismo, prepotência e falta de saber estar, quer como Presidente da ACSS, quer como, na passagem que está a fazer como Ministra da Saúde.

Verificamos que os vários alaridos que fizeram, foram inversamente proporcionais à verdade e ao que efectivamente se passava/passou e passa na Saúde/SNS.

Foram tantos os momentos que vimos e escutamos a desconexão que os políticos e mais altos decisores têm, em relação com o terreno e a realidade de todos os dias, num qualquer serviço de Saúde do nosso querido SNS.

Constatamos pelos vários programas de televisão, nos “Prós e Contra”, nos últimos debates e painéis sobre a GREVE CIRÚRGICA, páginas de jornais com artigos daqueles que, noutros bastidores, beneficiam das listas de espera criadas artificialmente para alimentar, egos, estruturas e organizações, falando apenas de mediatismo e da “rama dos problemas”, sem serem capazes de ir à essência das questões que afecta o SNS e os ENFERMEIROS PORTUGUESES – Desinvestimento, falta de carreira, remunerações baixas, etc.!

As televisões de Portugal são a passerelle para os políticos deixarem a sua verborreia, envolvida em muita ignorância e numa tentativa manipuladora, num esforço inglório de virar a Sociedade contra os ENFERMEIROS, tentando justificar as suas posições narcisistas, irresponsáveis e desfocadas da realidade, de um problema muito mais profundo que a GREVE CIRÚRGICA desencadeada pelos ENFERMEIROS PORTUGUESES, em cinco blocos operatórios de outros tantos centros hospitalares do País.

A Srª. Ministra da Saúde, Profª. Doutora Marta Temido, no exíguo palco que o Sr. Ministro da Finanças Dr. Mário Centeno lhe deixa, esforça-se de forma atrevida, para exibir quem está Ministra, quem não sabe de politica, quem não sabe entrar num campo negocial, quem questiona a legalidade de documentos emitidos por órgãos superiores da Magistratura, quem insulta os ENFERMEIROS PORTUGUESES, forçada depois a ter que pedir desculpas e a demonstrar um desnorte completo, face à necessidade de ter serenidade, capacidade de construir pontes e portas de diálogo. Mas não o seu papel é pela afronta e pelo insulto, autoritarismo e prepotência.

Precisamente por estas formas que esta Srª. Ministra, de um Governo das Esquerdas, faz aos ENFERMEIROS PORTUGUESES, afronta e insulta toda a Sociedade Portuguesa, permitindo-se que uma instituição deste mesmo ministério que tutela, ofereça 500€ por hora a um médico anestesista para assegurar serviço na Maternidade Alfredo da Costa. É este mesmo Governo que deixou ao longo de anos acumular listas de espera de cirurgias, mas também e essencialmente, de primeiras consultas de várias especialidades. É este mesmo Governo que obriga a transferência de doente, em estado grave de Lisboa para o Porto por avaria de microscópio nos Hospitais de Lisboa. É este mesmo Governo que diferencia os Cidadãos no atendimento nos cuidados de saúde primários, onde as unidades são diferentes em acessibilidade, estruturas, falta de Enfermeiros e Médicos, Psicólogos e Assistentes Sociais. É este mesmo Governo das Esquerdas que tem uma Ministra que chama “infractores e criminosos” aos ENFERMEIROS PORTUGUESES que são o sustentáculo do SNS. Estes ENFERMEIROS são filhos de muito boa gente, filhos de Famílias honradas, pais de Família que se esforçam a trabalhar imensamente, em condições esgotantes e de burnout, para poder dar as melhores condições de educação e de habitabilidade aos seus descendentes. Este mesmo Governo das Esquerdas e Estado, que dá apoio à banca falida no valor de 16,7 mil milhões de euros, mas que acumula doentes nos SU em cadeirões rotos e colchões estafados, sem respeito pela privacidade e humanidade.

É este mesmo Governo das Esquerdas que por esta via, por alguns dos exemplos que atrás descrevi, insulta os Cidadãos Portugueses que vivem com dificuldades e pagam combustíveis dos mais altos, gás domestico quase ao dobro do praticado na vizinha Espanha, bens essenciais, portagens e outros bens sempre a aumentarem o custo de vida, com salários baixos e onde, por exemplo aos ENFERMEIROS, lhes criam dificuldades de actualização, progressão e obtenção de nova carreira. É este mesmo Governo das Esquerdas que deixa populações sem ajuda, onde a Protecção Civil falha deixando morrer populações queimadas, não reconstrói habitações e onde falha e demora no socorro à queda do helicóptero do INEM.

Caros Colegas ENFERMEIROS PORTUGUESES e dos Blocos Operatórios em especial, contribuintes da GREVE CIRÚRGICA 1 e 2, como vemos, até Sua Excelência o Sr. Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, apoia e veta diplomas de outras Classes Profissionais, mas nós ENFERMEIROS, só podemos contar connosco! Estamos sozinhos nesta luta. Contamos, inequivocamente com a ORDEM dos ENFERMEIROS, e nesta GREVE CIRÚRGICA, com os Sindicatos ASPE e SINDEPOR.

O ano que em breves dias nos fará companhia vai possibilitar-nos lutar, se TODOS OS ENFERMEIROS souberem estar unidos, ganhar as sucessivas “guerras”, para triunfar numa batalha final. Não vamos em discursos fúteis de Natal, nem em promessas ocas de novo ano (de várias eleições). Somos uma classe muito grande, que representa muitos votos e dos nossos familiares também. Queremos no concreto, compromisso assinado e respeito pelos princípios, pela ética e pela verdade. Não desmobilizemos! Não nos deixemos dividir. Não nos deixemos enganar, seja que fôr que queira desempenhar esse “papel de enganador” dentro ou fora da classe!

Não devemos instrumentalizar, mas devemos informar sobre a nossa luta, todos os que recebem o toque das nossas mãos, que recebem os nossos cuidados de saúde, que se despedem de nós quando têm alta, quando saem dos nossos consultórios agradecendo o controlo de glicemia, de peso ou de TA, quando vamos aos seus domicílios tratar, ouvir, escutar, administrar medicação, reconhecem o nosso valor, e por isso estão-nos gratos.

2019 está aí! Já bate à porta. Teremos concerteza, muitos dias de luta, tristezas e aborrecimentos, mas teremos também dias de glória, alegria e orgulho de ser-mos ENFERMEIROS.

Nunca esqueçamos: “uns adoram-nos pelo que somos, outros odeiam-nos pelo mesmo motivo”.

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! Assim o queiramos e saibamos sê-lo.

Boas Festas e Feliz Ano Novo 2019.

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2018.12.26 – 22h00

ENFERMAGEMNASLETRAS.BLOGSPOT.COM

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