Multiplicam-se as críticas à nova greve dos enfermeiros. Adesão perto dos 100%

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Enfermeiros e Ministério da Saúde não conseguiram, ontem, chegar a um acordo e, por isso, esta quinta-feira começou a segunda greve cirúrgica, que vai paralisar os blocos operatórios de sete grandes hospitais do país. A paralisação, financiada por um crowfunding que angariou mais de 400 mil euros, tem gerado críticas. Os administradores hospitalares dizem que greve é injusta mas o Sindepor (um dos dois sindicatos que convocaram a greve) diz-se tranquilo e sem nada a temer.

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, manifesta “enorme preocupação” com a segunda greve dos enfermeiros às cirurgias programadas. Na primeira greve “ficou claro que houve efeitos sobre a saúde individual dos doentes” e estima que algumas pessoas que viram a sua cirurgia adiada aquando da primeira greve possam voltar a ser afetados nesta segunda paralisação, até porque há hospitais onde a greve se repete. É o caso dos Centro Hospitalar de São João e do Centro Hospitalar do Porto, que integra o hospital de Santo António.

“A grande questão é que a greve tem efeito sobre doentes que não têm alternativas. Não têm seguro ou subsistema e não podem recorrer a privados. É uma greve profundamente injusta para com os doentes”, critica Alexandre Lourenço, insistindo que o Ministério da Saúde tem de divulgar publicamente e numa base diária o número de doentes graves que fica sem acesso a cirurgia.

Apesar de haver serviços mínimos decretados, o administrador hospitalar considera que são insuficientes, tal como já tinha admitido, por exemplo, a Ordem dos Médicos e considera que falta sensibilidade aos promotores da paralisação.

ASPE diz que sugeriu faseamento das progressões

Já a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), o outro sindicato que apoia a greve, rejeita que as suas reivindicações ponham em causa a sustentabilidade dos serviços públicos, afirmando que isso já acontece “há muitos anos” com a má gestão que tem sido feita.

A presidente da ASPE, Lúcia Leite, reconheca que os valores das exigências podem ser “relativamente elevados”, porque a paragem em termos de carreira tem muitos anos. “Recuperar o passado nalguns casos de 20 anos tem um impacto financeiro imediato grande, nós temos consciência disso e por isso propusemos um faseamento” para recuperar com algum tempo esse prazo o que não foi aceite pelo Governo.

“Estar a querer sacar essa responsabilidade aos enfermeiros que têm sido os profissionais mais prejudicados ao longo dos últimos 20 anos, além de injusto, é um argumento de muito má fé”, vincou.

Lúcia Leite deu alguns exemplos da “má gestão” dos recursos do SNS, como o investimento que o Serviço Nacional da Saúde faz no Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

[SNS] Chega a pagar a um único médico numa tarde o ordenado de um enfermeiro de um mês, o que considero uma gestão danosa do SNS e que tem implicado custos elevadíssimos, com um aumento progressivo dos vales de cirurgia e que transfere para os serviços privados o pagamento de serviços que os serviços públicos deviam estar a assegurar”, exemplificou.

Apontou ainda “a má gestão” das camas com internamentos que se “prolongam indevidamente à espera de cirurgia”, por “má gestão de equipas e de salas”, e a “baixa utilização das salas operatórias que maioritariamente trabalham no período da manhã e estão desaproveitadas nos períodos da tarde e da noite”.

Pressão sobre enfermeiros em Viseu, denuncia sindicato

No Hospital Garcia de Orta, em Almada, a adesão à greve é de 100%, estando assegurados apenas os serviços mínimos. As cirurgias programadas e não urgentes “possivelmente terão que ser adiadas”, segundo Carlos Ramalho, do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor). No Hospital de Braga, 26 cirurgias já foram adiadas hoje. Os blocos operatórios do hospital de São João também só estão a assegurar os serviços mínimos.

Em relação ao Centro Hospitalar de Tondela, Viseu, o sindicalista denunciou situações de pressão sobre os enfermeiros para a abertura dos blocos operatórios.

“No Centro Hospitalar de Tondela Viseu tem havido alguma coação sobre os enfermeiros, com ameaças para os obrigar a abrir todos os blocos operatórios e nós vamos agir em conformidade porque se contraria a lei da greve e dos princípios democráticos”, afirmou.

Tiago Caeiro / Lusa

Fonte: Saúde Online

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