Greve na função pública. Escolas fechadas, falhas nos hospitais e na recolha do lixo – Observador

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O segundo dia da greve nacional dos funcionários públicos é também o dia que pode provocar maiores perturbações na vida dos portugueses. Na paralisação desta sexta-feira, convocada pelos sindicatos da CGTP e da UGT, os sindicatos disseram esperar um impacto maior nos setores da saúde, educação, finanças e autarquias, mas também na segurança social, conservatórias e bombeiros, podendo levar mesmo ao encerramento de escolas e deixar o lixo por recolher.

Ao início da madrugada, Arménio Carlos apontava já para uma elevada adesão à paralisação na recolha do lixo e nos hospitais. “Em relação aos resíduos sólidos e aos hospitais as adesões rondam entre os 90 e os 100% e isso reflete, por um lado, o grande descontentamento dos trabalhadores face à falta de resposta do Governo em relação às suas reivindicações, mas confirma também que esta greve só se está a realizar por responsabilidade do Governo”, disse o secretário-geral da CGTP em declarações à TSF.

Na base do protesto está o facto de o Governo prolongar o congelamento salarial por mais um ano, limitando-se a aumentar o nível remuneratório mais baixo da administração pública, de 580 para 635,07 euros, na sequência do aumento do salário mínimo nacional para os 600 euros. Arménio Carlos referiu ainda que “o Governo tem a obrigação de ouvir o sentimento dos trabalhadores e simultaneamente o das populações” e que se a situação não se alterar “a resposta só pode ser uma: é que depois do dia 15, outras lutas seguirão até que os problemas sejam resolvidos”.

Segundo os dados da Frente Comum divulgados na manhã desta sexta-feira, mais de duas dezenas de hospitais apresentaram uma adesão à greve entre os 75% e os 100% no turno da noite. No Hospital de São José e de Santa Maria, na área da urgência e do bloco, em Lisboa, foi registada uma adesão de 100% e no Hospital D.Estefânia os números indicados chegaram aos 98%.  Já os hospitais Amadora/Sintra, de Gaia e de Chaves registaram 90% de adesão e nas unidades hospitalares de São Francisco Xavier, de Santo António e Pedro Hispano, ambos no Porto, foi de 80%.

Os números da Frente Comum indicam ainda uma adesão de 75% à greve no turno da noite do Hospital de São João, no Porto. Em Coimbra, o Hospital da Universidade de Coimbra, a Maternidade Daniel de Matos, a Maternidade Byssaia Barreto, o Hospital Geral dos Covões e o Hospital Pediátrico estiveram só com os serviços mínimos.

Ainda na Região Centro, o Hospital de Pombal, Hospital da Figueira da Foz, Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga (Santa Maria da Feira), Centro Hospitalar Baixo Vouga (Aveiro), Centro Hospital Tondela/Viseu, Unidade de Saúde Local da Guarda, Centro Hospitalar de Leiria e Centro Hospitalar do Oeste (Caldas da Rainha) também estiveram no turno da noite só com serviços mínimos.

Quanto à recolha noturna de resíduos, dados do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL) indicam que os serviços estiveram encerrados nos concelhos de Almada, Alcochete, Amadora, Évora, Loures e Odivelas, Moita, Palmela, Seixal e Setúbal.

No Funchal, foi registada uma adesão de 60% no Funchal, 70% em Lisboa — Garagem dos Olivais, 50% em Sintra e 60% em Vila Franca de Xira.

Apesar de ainda não existirem dados concretos sobre a adesão à greve nas escolas, Arménio Carlos já disse em declarações à SIC, em direto numa escola em Campo de Ourique que a adesão também está a ser significativa. “As escolas, como já tivemos oportunidade de ver também estão a ter uma grande adesão, quer dos trabalhadores operacionais quer dos professores”, disse o secretário-geral da CGTP.

Na Escola Clara de Resende, no Porto, os portões estavam fechados e um funcionário colocou um aviso à porta sobre a greve: não há aulas. O mesmo aconteceu na EB 2/3 Manuel da Maia.

A paralisação começou por ser marcada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, há cerca de um mês, na expectativa de que o Governo ainda apresentasse uma proposta de aumentos generalizados para a função pública, o que não veio a concretizar-se. A Federação Sindical da Administração Pública (FESAP) e a Federação Nacional da Educação (FNE), filiadas na UGT, marcaram dias depois greve para a mesma data, pelos mesmos motivos.

A última greve nacional da administração pública ocorreu em 26 de outubro e foi convocada pela Frente Comum, pela FESAP e pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). Os trabalhadores da função pública têm os salários congelados desde 2009.

Desde o dia 1 de janeiro, avançou o jornal Público, já foram entregues 112 pré-avisos de greve. Segundo os dados do Ministério Público, são os professores quem organizou um maior número de protestos, seguindo-se o pessoal dos serviços de segurança e da justiça. Do lado dos enfermeiros, foram entregues seis pré-avisos de greve, a chamada “greve cirúrgica” que obrigou o Conselho de Ministros a aprovar uma requisição civil.

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Fonte: Observador

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