Método “arcaico” determina suspensão de colonoscopias em Beja

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Os exames de colonoscopia e endoscopia no hospital de Portalegre estão suspensos há mais de um mês, porque estava em prática um método considerado “arcaico” por parte dos profissionais, disse hoje à agência Lusa a diretora clínica.

Segundo Vera Escoto, os doentes que necessitam de realizar este tipo de exames estão a ser reencaminhados para outras unidades hospitalares, como o hospital de Santa Luzia, em Elvas, também no distrito de Portalegre.

“Tínhamos que mudar os aparelhos que eram arcaicos. Era o único sítio do país onde se usava esse método. E esse método de desinfeção punha em risco quem o manipulava e eu achei que não era correto e que nós tínhamos que ter respeito pelos nossos profissionais”, justificou a diretora clínica da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).

A responsável, que prometeu que a situação vai regressar à normalidade “dentro de duas semanas”, sublinhou também que estão a ser adquiridos mais equipamentos para “rentabilizar” o trabalho dos profissionais que efetuam este tipo de exames naquele hospital.

“Este novo tipo de equipamento permite rentabilizar e, além de não ser tóxico, é mais célere, a lavagem demora menos tempo”, disse.

“Nós não estamos a prejudicar os doentes porque estamos a marcar (exames) para fora (outros hospitais), mas há uma altura em que temos que mudar para melhorar. Nós somos sempre resistentes à mudança, mas eu parei para melhorar porque tenho respeito pelos doentes, tenho respeito pelos funcionários e pela instituição”, acrescentou.

Contactado pela Lusa, o representante da Ordem dos Médicos (OM) em Portalegre, Jaime Azedo, considerou que o conselho de administração teve uma “atuação insuficiente” em relação a esta situação, considerando que deixaram chegar a “um ponto de rutura” o número de equipamentos disponíveis para desenvolver os exames.

“Eles não têm nem número de equipamentos, nem os equipamentos a funcionar em condições. Esta situação arrasta-se há mais de um mês”, lamentou.

Numa outra vertente, o presidente do conselho de administração da ULSNA, João Moura Reis, disse à Lusa que os médicos que executam este tipo de exames em Portalegre são “tarefeiros” e que a estratégia do hospital não passa por executar este tipo de exames por “atacado”.

“Nós queremos fazer 30 endoscopias por dia, mas o pessoal (enfermeiros e assistentes operacionais) que cá está não aguenta, nem tão pouco tem capacidade para fazer 30 por dia, tem que fazer, por exemplo, só 20. E o que foi feito foi estipular um número máximo de exames por dia”, disse.

O representante da OM alega por sua vez que os médicos que executam esses exames recusam deslocar-se a Portalegre para efetuar “cinco ou seis exames”, uma vez que ganham proporcionalmente ao número de exames que realizam.

“Eles têm de ter equipamentos a funcionar bem para que não haja interrupções no circuito. Eles têm que trabalhar em sequência”, defendeu.

Para Jaime Azedo, toda esta situação que se vive no hospital de Portalegre “é fruto da incompetência e da visão burocrática” do conselho de administração da ULSNA.

A ULSNA gere os hospitais de Portalegre e Elvas e 16 centros de saúde nos 15 concelhos que compõem o distrito de Portalegre.

LUSA/SO

Fonte: Saúde Online

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